Juventude

ELEIÇÕES DO DCE DA USP

Mais de 500 estudantes votam na “27 de outubro†que fez uma grande campanha militante

03 Apr 2012   |   comentários

Em meio a uma situação política instável na USP (veja artigo de Diana Assunção), ocorreram na última semana de março as eleições para o DCE, com um quórum histórico de mais de 13 mil votos (um aumento de cerca de 80% da última votação).

As eleições expressam o rechaço a Rodas e o surgimento de uma grande vanguarda estudantil

A Reitoria tinha seus representantes nessa eleição, na chapa “Reação†, dirigida pelo PSDB e PP. O resultado eleitoral – com a “Reação†com pouco mais de um terço dos votos da chapa vencedora – deixou clara a fraqueza da política desses setores e da Reitoria entre os estudantes. É uma mostra muito mais significativa do que as pesquisas de opinião da grande imprensa de que os estudantes rejeitam a política de Rodas. Ao mesmo tempo, as três chapas da esquerda anti-governista somaram mais de 76% dos votos – ainda que entrem aí os votos na “Universidade em Movimento†, integrada pela Consulta Popular, que mantém relação com o governo do PT, e também milhares de votos na “Não vou me adaptar†que expressam, mais que acordo com sua política, um voto “útil†contra a Reitoria e o PSDB. Essa votação expressa que, na USP, recuperando um processo que vem pelo menos desde 2007, as ocupações e a greve do fim do ano passado forjaram uma importante vanguarda de milhares de estudantes, que tem ligação com outros milhares, e um importante peso político na universidade.

A mentira do “voto útil†e a tarefa de derrotar a direita

A campanha eleitoral foi marcada por um esforço do PSOL e do PSTU para sobrevalorizar a possibilidade e as conseqüências de uma vitória da direita nas eleições, defendendo o “voto útil†na chapa “Não vou me adaptar†como medida para combatê-la, e tentando jogar sobre as outras chapas uma responsabilidade sobre a divisão da esquerda e o fortalecimento da direita. Mesmo o MNN adotou esse discurso, rompendo com a chapa “27 de Outubro†para chamar os estudantes a votarem “criticamente†naquela chapa - sem colocar, de fato, qualquer critica efetiva, ou seja, ligada ao papel que aqueles setores cumpriram na luta, dificultando a mobilização -, reproduzindo o senso-comum de que toda a esquerda tem o mesmo programa e estava dividida por “picuinhas†, o que na luta se demonstrou claramente falso. O resultado eleitoral, no entanto, demonstrou a mentira desse discurso e que a tarefa realmente colocada é fortalecer a mobilização em torno de um programa que aponte para a transformação radical da universidade.

A direita, no entanto, não está derrotada, pois isso não depende das eleições. Ela é representada, mais do que pela “Reação†, pela Reitoria e pelo governo, que seguem na ofensiva contra a universidade, e só poderão ser barrados não pelas eleições estudantis, mas por uma grande mobilização. Para essa tarefa, sabemos que os estudantes não poderão contar com o PSOL, que permanece na gestão, e há poucos meses tomava medidas diretas contra a mobilização. Construir essa luta exigirá a superação da política desta direção que se reelegeu junto ao PSTU, que precisará decidir se seguirá se adaptando àpolítica do PSOL, como nos meses de luta, ou estará ao lado dos estudantes que não querem a passividade e a conciliação com a reitoria.

Mais de 500 estudantes votam na “27 de Outubro†que fez uma grande campanha militante

Nós da LER-QI integramos e impulsionamos, junto àJuventude Às Ruas e outros setores organizados e independentes, a chapa “27 de Outubro – unidade na luta contra a PM e os processos†, forjada no calor da mobilização do ano passado. Após uma campanha militante por uma grande mobilização contra Rodas e a repressão da ditadura de ontem e hoje, essa chapa recebeu uma votação expressiva de 503 estudantes,– que só não foi muito maior em função da campanha pelo “voto útil†, levada adiante por PSOL, PSTU e MNN, debilitando a expressão dos setores mais radicalizados dos estudantes, que é o fundamental para derrotar a direita -, particularmente em faculdades que estiveram no centro da mobilização do ano passado, com quase 350 votos só na FFLCH (mais de 10% em todas as urnas), e a segunda maior votação na Pedagogia. Essa importante votação expressa o reconhecimento de um setor dos estudantes da necessidade de uma direção democrática e combativa para o movimento estudantil.

Mais que isso, expressa o espaço para a construção de uma ala revolucionária no movimento estudantil, tarefa que nos colocamos junto a estudantes independentes com quem impulsionamos a Juventude Às Ruas, a que chamamos todos os estudantes que votaram na “27 de Outubro†a conhecer e construir com o objetivo de fortalecer uma ala consequente no movimento estudantil da USP e intervir em cada luta para forjar uma fração de milhares de jovens em todo o país que, em unidade com a classe trabalhadora, aportem na perspectiva de uma saída revolucionária para a crise histórica do capitalismo, cujos efeitos mais cedo ou pais tarde vão se fazer sentir no Brasil.

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