Movimento Operário

Mais de 200 trabalhadores no 1º Encontro Nacional do Movimento Nossa Classe

18 Nov 2014   |   comentários

O Encontro contou com mais de 50 trabalhadores da USP, e também da Unesp e Unicamp; mais de 40 metroviários e uma forte delegação dos carteiros de Cotia em greve desde o último dia 13. Ainda estavam presentes professores da rede pública dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; bancários de São Paulo; metalúrgicos do ABC, de Campinas e de Contagem; operários da indústria alimentícia de Osasco e outras categorias. Também esteve (...)

O Encontro contou com mais de 50 trabalhadores da USP, e também da Unesp e Unicamp; mais de 40 metroviários e uma forte delegação dos carteiros de Cotia em greve desde o último dia 13. Ainda estavam presentes professores da rede pública dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; bancários de São Paulo; metalúrgicos do ABC, de Campinas e de Contagem; operários da indústria alimentícia de Osasco e outras categorias. Também esteve presente um companheiro do IBGE, que e fez uma saudação falando um pouco da greve que saíram há pouco tempo.

Fábio Roberto

Um dos pontos altos do Encontro foi com certeza a presença de Fábio Roberto, conhecido como “Robin Hood†da água por ter fugido com um caminhão-pipa para levar água a um bairro que estava sem abastecimento em São Paulo. Outra valorosa presença foi a do companheiro Silva João, trabalhador do metrô a mais de 35 anos, tendo antes ainda trabalhado nas obras de construção do metrô, um dos 42 demitidos pelo governo Alckmin após a greve de junho – que apesar de não ser do movimento Nossa Classe, fez uma importante saudação no nosso Encontro.

Silva João, metroviário, um dos 42 demitidos

Abertura

A mesa de abertura foi coordenada pela companheira Diana Assunção, diretora do Sintusp e linha de frente da grandiosa greve dos trabalhadores da USP que venceu o governo do estado e a reitoria após 4 meses de incansável luta. Falaram na abertura a companheira Vilma, trabalhadora do bandejão da USP; Silvana, da greve dos terceirizados da limpeza da USP da empresa Dima de 2005; Marília, trabalhadora da HU da USP; Isaias, carteiro de Cotia em greve; Regiane, professora precarizada da rede pública de Campinas; o companheiro Silva João do metrô; França, trabalhador da manutenção do metrô de São Paulo; Leandro Lanfredi, petroleiro do Rio de Janeiro e candidato na chapa “União na luta†de oposição no sindipetro Caxias e por fim o companheiro Brandão, demitido político da USP e diretor do Sintusp, encerrou os trabalhos de abertura.

O companheiros Fábio Roberto fez um emocionante relato de sua solidariedade ao fugir com um caminhão pipa com 16 mil litros de água para levar aos moradores que sofriam com a falta de água do bairro Jardim Novo Pantanal. Além deste seu relato, o “Robin Hood†da água demonstrou sua crença de que só se pode construir uma verdadeira nação brasileira pelas mãos dos trabalhadores de norte a sul deste país.

Os companheiros garis do Rio de Janeiro que estiveram no Encontro de fundação do Movimento Nossa Classe, infelizmente não conseguiram estar presentes neste Encontro, mas mandaram uma calorosa saudação ao Movimento Nossa Classe por vídeo, que reproduzimos em seguida. O professor e juiz do trabalho Jorge Luiz Souto Maior também enviou saudação colocando seu apoio ao movimento e dizendo que estaria sempre lado a lado conosco nas lutas. Saudou também nosso Encontro o companheiro Gilson Dantas, militante revolucionário desde a década de 60, preso político da ditadura. Enviaram ainda saudações ao nosso Encontro as companheiras em luta pelos postos de trabalho das fábricas Lear e Donneley da Argentina.

Saudação dos Garis do Rio de Janeiro

Veja saudação do companheiro Gilson Dantas de Brasília

Saudação do Movimento de Trabalhadores Socialista do México ao Encontro

Saudação das lutas de Lear e Donneley da Argentina ao Encontro

As falas na mesa de abertura denunciaram as condições precárias de trabalho das mais diversas categorias, resgataram as lições das últimas greves e movimentos da classe trabalhadora e apontaram os desafios do resgate de uma tradição classista e anti-burocrática no seio do movimento operário brasileiro. Brandão denunciou a falta de alternativa que estava colocada nas últimas eleições, que tanto Dilma quanto Aécio iriam atacar os trabalhadores para manter os lucros dos patrões. Tanto é que os primeiros passos do governo reeleito de Dilma, já anuncia ajustes, tarifaços, se preparando junto aos patrões contra os trabalhadores para enfrentar a crise que se avizinha. Foi levantada a necessidade de dar uma resposta aos anseios populares levantados em junho e que se seguiram nas fortes greves deste ano e dando eixo central para a crise patente da falta de água que assola São Paulo e deixa clara uma crise nacional de abastecimento.

Discussões e resoluções

Em seguida, os mais de 200 trabalhadores presentes se reuniram em Grupos de Discussões para debaterem propostas de resoluções que nortearão a atuação e a construção do Movimento Nossa Classe nacionalmente.

Entre as mais importantes discussões e resoluções votamos que desde a posição classista que construímos no Movimento Nossa Classe, levaríamos afrente as demandas populares levantadas em junho em defesa dos serviços públicos, colocando a única possibilidade de garanti-los àpopulação por meio da estatização e controle operário dos serviços como transporte, saúde e educação e também das companhias de tratamento e distribuição da água. Os trabalhadores é quem podem estabelecer um plano dos serviços públicos e pela resolução do problema da água para atender realmente às necessidades do povo contra a sede de lucro dos patrões de todos esses serviços.

Uma das mais importantes discussões que fizemos no Encontro foi a necessidade de a partir das lições das mais importantes greves da última década e frente aos desafios que temos de enfrentar contra os ajustes, aumento de tarifas, demissões, terceirização que se aprofundarão no próximo período, da necessidade de que as centrais sindicais da esquerda, CSP-Conlutas, e as duas Intersindicais, bem como oposições e os setores que protagonizaram as mais importantes greves neste país, convoquem um Encontro Nacional de milhares de trabalhadores. A finalidade é que se discuta e vote um plano de lutas para resistir a estes ataques, para conquistar nossas demandas e para retomar os sindicatos das mãos das burocracias. Essa é uma tarefa unitária e imperiosa para o momento que vivemos hoje no Brasil. Desde o Movimento Nossa Classe colocaremos todas nossas humildes forças neste sentido e achamos que não há tempo para esperar para a classe trabalhadora estar melhor preparada para enfrentar a crise que se avizinha.

Votamos ainda uma campanha contra a casta política parasitária que governa o país a serviço dos patrões. São empresários e pessoas de confiança das empresas que dirigem o país com privilégios garantidos e que desviam as verbas dos nossos impostos para interesses contrários às nossas reais necessidades. Resolvemos impulsionar uma grande campanha para que todos os políticos, juízes e funcionários de alto escalão sejam revogáveis e ganhem o mesmo salário que um professor da rede pública, e que o salário docente e de todos os trabalhadores seja igual ao salário mínimo do DIEESE (hoje, R$ 3079,00), como primeira medida para começar a golpear os privilégios da casta política, combinando com a luta pelo confisco de todos os bens e apuração independente dos casos de corrupção.

Resolvemos ainda levantar grandes campanhas pelas questões democráticas, contra o machismo, o racismo, a homofobia, a transfobia, a xenofobia, o preconceito aos nordestinos e as redes de tráfico de mulheres e crianças, o genocídio ao povo negro.

Neste momento, o Movimento Nossa Classe resolve colocar eixo em organizar atividades nas estruturas sobre o 20 de novembro (dia da consciência negra) e 25 de novembro (dia de luta contra a violência às mulheres). De imediato devemos dar seguimento àcampanha contra os casos de estupros, machismo e racismo na Faculdade de Medicina da USP e o caso de agressão que aconteceu no metrô de São Paulo.

Por fim, levantar de imediato uma campanha de solidariedade àgreve em curso nos correios de São Paulo, organizando medidas ativas em cada local de trabalho para que dê força aos carteiros para vencer.

Como resolução ainda reiteramos as campanhas que já viemos construindo anteriormente, como a luta pela readmissão de todos os metroviários demitidos por fazerem greve e também a luta em defesa do HU da USP.

Votamos a formação de uma coordenação nacional do Movimento Nossa Classe, que de imediato dê encaminhamento às resoluções, que feche um Manifesto do Movimento a ser trabalhado massivamente e que coloque de pé essa corrente nacional pautada na luta de classes, combatendo o corporativismo arraigado no sindicalismo brasileiro, construindo uma nova tradição classista, com independência de classe, que lute pela retomada dos sindicatos para as mãos dos trabalhadores e coloque em xeque essa sociedade de exploração e opressão. Venha construir conosco essa grandiosa, apaixonante e mais que necessária tarefa.

Na mesa de encerramento o companheiro Pablito, dirigente da Liga Estratégia Revolucionária fez uma fala pela organização colocando a necessidade de recolocar no centro a luta pela revolução, pela retomada do poder pela classe operária. Enquanto a burguesia faz uma campanha contra o comunismo com o aniversário da derrubada do Muro de Berlim tentando igualar o stalinismo ao comunismo, nós queremos reacender na classe operária não só a possibilidade, mas a necessidade cada vez maior da superação da sociedade burguesa. Assim, Pablito fez um chamado a todos os presentes a discutirem a construção de um novo partido da classe operária no país.

Ao final, dedicamos o Encontro aos 43 estudantes desaparecidos nas mãos do Estado no México e aos assassinados pela chacina em Belém do Pará.

Seguem abaixo todas as resoluções do Encontro na íntegra

1. As manifestações de junho colocaram nas ruas demandas como a melhoria dos serviços públicos essenciais, que seguem precários devido àsede de lucro dos capitalistas. Nas eleições, vimos muita demagogia dos candidatos falando de mudança, mas o que estamos vendo são os anúncios de ajuste fiscal que vão debilitar ainda mais os recursos para transporte, saúde, educação, crise hídrica, etc. Por isso, nossa luta como Movimento Nossa Classe (MNC) é para que os serviços essenciais sejam estatizados e colocados sob controle dos trabalhadores. A crise hídrica é no momento a maior expressão dessa necessidade, que se relaciona com o problema da saúde, dos mananciais e do desmatamento. Por isso, resolvemos lançar uma grande campanha pela estatização da Sabesp e empresas de água de todo o país sob controle dos trabalhadores, e por medidas emergências para que nenhuma família fique sem água, com o lema “A sede de lucro dos capitalistas está acabando com a água. Só os trabalhadores podem resolver esta crise†. Buscaremos impulsionar a maior unidade que seja possível de todas as categorias, movimentos, sindicatos e partidos nessa luta, participando de todas as ações que houver contra mais essa barbárie que querem impor àsociedade;

2. O último ciclo de greves deixa como lições fundamentais que, para vencer é fundamental: a) organização dos trabalhadores pela base, como fizeram os garis e os trabalhadores da USP, Unesp e Unicamp; b) confiar somente na força dos trabalhadores (e não na justiça burguesa ou na benevolência dos governos e patronais) buscando responder os problemas de toda a população oprimida; c) de unir os trabalhadores de várias categorias numa perspectiva classista, bem como a importância de sindicatos combativos com o Sintusp. Se no último período em que o país não estava vivendo uma crise econômica, o que dava àpatronal mais margens para concessões, foi fundamental esses elementos de organização do movimento operário para vencer, mais ainda o será no próximo período, em que os trabalhadores vão sofrer com a crise econômica, tarifaços (que já começaram a ocorrer), ajustes, demissões e terceirização, lutando pela efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público. Nesse sentido, resolvemos seguir aprofundando nossa atuação em base a essas lições propondo àCSP-Conlutas e as Intersindicais (entidades sindicais ligadas ao PSTU e PSOL respectivamente) bem como as oposições sindicais, aos garis, rodoviários e todos os trabalhadores que protagonizaram lutas anti-burocráticas, a realização de um Encontro de milhares de trabalhadores de todo o país que vote um plano de ação para resistir aos ataques e lutar por nossas demandas e a luta para arrancar os sindicatos das mãos da burocracia para transformá-los em ferramenta de luta;

3. Basta dessa casta de políticos parasitas que governam a serviço dos patrões. Basta de privilégios. Resolvemos impulsionar uma grande campanha para que todos os políticos, juízes e funcionários de alto escalão sejam revogáveis e ganhem o mesmo salário que um professor da rede pública, e que o salário docente e de todos os trabalhadores seja igual ao salário mínimo do DIEESE (hoje, R$ 3079,00), como primeira medida para começar a golpear os privilégios da casta política, combinando com a luta pelo confisco de todos os bens e apuração independente dos casos de corrupção.

4. Nosso movimento se propõe a impulsionar campanhas de combater ao machismo, o racismo, a homofobia, a transfobia, a xenofobia, o preconceito aos nordestinos e as redes de tráfico de mulheres e crianças, o genocídio ao povo negro, a homofobia nas escolas, etc. Neste momento, o Movimento Nossa Classe resolve colocar eixo em organizar atividades nas estruturas sobre o 20 de novembro (dia da consciência negra) e 25 de novembro (dia de luta contra a violência às mulheres). O Movimento deve sempre organizar campanhas frente aos casos de preconceito que ocorrerem – como na última semana com os casos de estupro e racismo nas Faculdades de Medicina da USP ou a agressão homofóbica no Metrô de São Paulo. Frente aos 10 anos da ocupação militar no Haiti pelas tropas brasileiras, nos somamos a campanha pela retirada das tropas militares que oprimem e violentam o povo haitiano.

5. Solidariedade ativa às lutas e greves, sendo agora a mais importante a greve dos Correios de São Paulo, para o qual devemos organizar campanhas de foto em solidariedade, cartazes e apoio ativo.

Além dessas resoluções, também propomos votar as seguintes, que dizem respeito a organização do Nossa Classe:

6. Cada uma das categorias presentes deve eleger representantes para fazer parte de uma coordenação nacional do Movimento Nossa Classe. O objetivo desse organismo é garantir que as resoluções sejam levadas àprática, bem como propor ajustes na orientação do MNC, promovendo um amplo debate democrático sobre isso e preocupando-se em envolver ao máximo os trabalhadores que não fazem parte da coordenação. A coordenação nacional também assume o Jornal Nacional do MNC e o blog. Essa coordenação nacional não substitui as articulações que já existem do MNC em cada categoria (que em metroviários se liga ao Metroviários pela Base e em professores ao Professores pela Base);

7. A primeira tarefa da Coordenação Nacional pós encontro será fechar o Manifesto do MNC, em base aos aportes que surgiram no pré Encontro e nos GD´s, organizando também um material com as resoluções do Encontro e para as próximas atividades;

8. Para garantir a articulação das frentes do MNC, propomos que a coordenação organize uma lista de e-mails, de whatsapp e um grupo no Facebook, onde todos que não fazem parte da coordenação também possam participar e opinar sobre tudo. O Blog deve ser utilizado como ferramenta de construção e divulgação do movimento por todos os militantes;

Por fim, há uma série de campanhas que o MNC já vem impulsionando em distintas categorias, que consideramos que já partimos do acordo entre todos que estão corretas, e que nesse Encontro Nacional queremos referendar como campanhas que o MNC de conjunto apoia:

9. Como parte da luta em defesa da saúde pública, contra as privatizações, fundações, Organizações Sociais e Ebserh (empresa brasileira de serviços e recursos hospitalares)., seguimos a luta em defesa do Hospital Universitário da USP (HU), mantendo a batalha para que o HU e HRAC se mantenham vinculados àuniversidade, com melhor infraestrutura e mais contratações não privadas para que melhorem cada vez mais o atendimento àpopulação, abrindo um diálogo com a luta contra a desvinculação dos Hospitais Universitários a nível federal;

10. Como parte da luta em defesa do direito de lutar e do direito de greve, seguimos a luta pela readmissão dos metroviários, bem como a luta pela readmissão do Brandão do Sintusp, pela readmissão dos mais de 180 trabalhadores precários demitidos do IBGE, pela revogação dos processos contra trabalhadores da Unicamp em 2010 e pela revogação da punição aos estudantes da Unesp;

11. Lutamos contra a precarização da educação: por uma grande campanha para barrar a demissão dos mais de 30 mil professores categoria O e por sua efetivação exigindo a contratação imediata de todos os aprovados no concurso, além de redução da jornada sem redução dos salários. Organizar atos regionais, campanhas de cartazes e fotos e atos nas atribuições de aula, incorporação ao ato do dia 05/12 em São Paulo;

12. Seguimos na luta contra as demissões e os ataques patronais na indústria, contra os fechamentos de fábricas, bem como contra os acidentes e doenças de trabalho que constantemente tiram a vida dos operários, lutando por melhores condições de trabalho e contra o assédio moral;

13. Apoio àparalisação dos trabalhadores da Unicamp em 25/11 e àparalisação dos trabalhadores da USP em 26/11;
Seguiremos nossa luta por justiça e pela aparição com vida dos 43 estudantes mexicanos de Ayotzinapa. Vivos os levaram, vivos os queremos; Justiça para as vítimas da chacina no Pará.

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