Internacional

GREVE MASSIVA NA METALURGIA DA Ã FRICA DO SUL

Mais de 200 mil trabalhadores em greve contra o limite salarial do governo e dos empresários

05 Jul 2014 | A apenas uma semana do triunfo da histórica greve dos mineiros de platina contra as principais multinacionais do setor, mais de 200 mil trabalhadores do NUMSA (Sindicato de Metalúrgicos e Engenheiros, de acordo com sua sigla em inglês) entram em greve contra o teto salarial que querem impor os empresários com cumplicidade do governo. Uma nova greve que sacode a política de acordos salariais impulsionada pelo governo que busca garantir a rentabilidade das empresas enquanto os trabalhadores pagam pela desaceleração da economia.   |   comentários

Logo após a ruptura da negociação salarial por parte dos empresários, terça-feira 1 de julho se iniciou a paralisação dos trabalhadores do NUMSA, especificamente os do setor de metal e engenharia (por hora não afeta a indústria automotriz).

Logo após a ruptura da negociação salarial por parte dos empresários, terça-feira 1 de julho se iniciou a paralisação dos trabalhadores do NUMSA, especificamente os do setor de metal e engenharia (por hora não afeta a indústria automotriz). Algumas das reivindicações dos grevistas, como aumento salarial de 12% por um ano, aumento da bonificação para moradia e o fim da precarização laboral no setor, enfrentam a atual proposta impulsionada pelos empresários com apoio do governo do CNA (Congresso Nacional Africano) que pretende impor como teto que os aumentos não superem os dois dígitos percentuais e tenham três ano de validade. A preocupação governamental não é menor e uma das empresas paralisadas é Eskom, principal provedora de energia elétrica do país.

Governo e empresários contra os trabalhadores

Como durante a greve dos mineiros, se alçam as vozes do governo e dos empresários contra os trabalhadores. A SACCI (Câmara Sul-africana de Comércio e Indústria, segundo sua sigla em inglês) acusou ao NUMSA de não ter predisposição para negociar e de afetar a economia de forma “especialmente relevante, dado o grave impacto econômico da prolongada greve da platina†[1].De sua parte a empresa Eskom apresentou um pedido judicial para que se declare a greve considerando que prestam um serviço essencial e chamam a que o governo imponha o sistema de arbitragem obrigatória na negociação salarial. Os empresários têm claro a quem pedir socorro, o governo do CNA lhes garantiu durante anos todos os tipos de benefícios. Permite o trabalho terceirizado e precarizado, lhes brindou ajuda com estímulos econômicos e isenções fiscais enquanto pressiona
aos trabalhadores acusando-os de atentar contra o “processo de transformação†na à frica do Sul. Durante estes anos o CNA no governo junto a seus aliados do Partido Comunista e a burocracia sindical da COSATU (central sindical sul-africana) governaram para as transnacionais e os empresários e muitos deles se converteram nos “novos ricos†como sócios menores dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros. Enquanto isso repetem uma e outra vez que os trabalhadores e o povo pobre devem seguir suportando as péssimas condições de trabalho ou serem parte dos 25% de desocupados, ter saúde e moradia apenas melhor que durante o Apartheid e seguir “esforçando-se†para construir uma à frica do Sul com direitos “iguais para todos†.

Uma greve que pode ter profundas repercussões políticas

A greve dos trabalhadores afiliados àNUMSA já tem um impacto político nacional por suas reivindicações que enfrentam a política do governo. Também pode ter profundas implicações políticas porque seus dirigentes, enfrentados (vale aclarar que durante anos se mantiveram como aliados) àatual direção do CNA e do PC, decidiram denunciar sobre o que durante anos calaram. Como disse o presidente do NUMSA, A. Chirwa, “Não temos nenhuma intenção de enviar a à frica do Sul a uma recessão... mas os trabalhadores estamos permanentemente vivendo em uma recessão ainda hoje†.

Este enfrentamento de setores da burocracia sindical com o que até há pouco era “seu†governo, trata de evitar que o surgimento de novos dirigentes e comissões internas combativas se dê por fora dos sindicatos tradicionais. Não é casual a combatividade dos sindicatos em setores como os mineiros, em que especialmente após o Massacre em Marikana em 2012 e ante a atitude pró patronal dos velhos sindicatos, hajam surgido delegados de base e sindicatos por empresa independentes.

A atual greve dos metalmecânicos e engenheiros em curso, como antes a dos mineiros, estão atuando como um incentivo para que outros setores de trabalhadores e inclusive organizações sociais saiam a lutar por suas reivindicações e enfrentar a política neoliberal do governo do CNA. As denúncias dos dirigentes sindicais contra o governo por favorecer aos empresários em detrimento dos trabalhadores e do povo, podem acelerar o processo mais lento que vem realizando a classe operária sul-africana de romper com sua direção histórica do CNA, do PC e a da burocracia da COSATU.

[1Sacci urges Numsa to avoid striking, M&G 27/06/2014

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