Juventude

UNICAMP

Mais de 150 pessoas lotam debate sobre a Crise no PT no IFCH

19 Mar 2015   |   comentários

Auditório lotado para debater qual a resposta que devemos dar à juventude e aos trabalhadores, é uma demonstração da intensa politização que se aprofunda na universidade.

Nesta quarta, 18/03, o Centro Acadêmico de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, em atividade de Calourada, realizou um debate sobre a crise do PT e a “polarização†nacional, principalmente após os atos dos dias 13 e 15 de março, com debatedores intelectuais e diretoras sindicais, como parte das atividades de recepção dos estudantes ingressantes do Instituto de Filosofia de Ciências Humanas.

A superlotação do auditório, com mais de 150 pessoas para debater qual a resposta que devemos dar a juventude e os trabalhadores, é uma demonstração da intensa politização que se aprofunda nas salas de aula e corredores das universidades e escolas, em todos os locais de trabalho, nos ônibus e nas ruas.

Os últimos acontecimentos políticos nacionais, os atos dos dias 13 e 15 de março, fizeram ascender ainda mais a politização no país a partir das “jornadas de junho de 2013†. A situação política está polarizada desde o processo eleitoral de outubro passado e, no início deste ano, com as medidas econômicas de ajuste neoliberal contra os trabalhadores a juventude colocadas por Dilma e Levy,e agora se soma ainda a visão de milhares de pessoas nas ruas, no ato “encabeçado†pela Oposição de direita ao governo. Este cenário aumentou a “expectativa†de muitos dos jovens e trabalhadores que levaram suas pautas sociais nos atos de junho em 2013 e agora começam a se desiludir com as promessas vazias de Dilma.

A crise do PT em debate

O debate contou com a presença de Diana Assunção diretora do Sintusp, os professores da Unicamp, Ricardo Antunes e Plínio de Arruda Sampaio Jr, além de Marina, diretora sindical do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. A ideia do debate era apontar reflexões e opiniões a respeito da conjuntura política atual e a crise do petismo com o olhar dos trabalhadores que estão em luta contra os ajustes dos governos e a intelectualidade junto aos estudantes. Os debatedores partiram de um consenso: O governo do PT está em crise. O projeto gradualista de "pequenas melhorias" ou "farelos" para a classe trabalhadora enquanto os banquieros e empresários lucraram como "nunca antes neste país" se esgotou. Foi um projeto de conciliação, atendendo aos interesses dos capitalistas, enquanto na “divisão do bolo deu o farelo†e serviu de freio dos trabalhadores e da juventude.

Existe uma combinação da chegada da crise no Brasil e a maneira como o PT e os demais partidos da ordem buscam lidar com ela, tentando fazer sangrar a classe trabalhadora para que esta pague pela crise enquanto são mantidos os lucros dos grandes monopólios burgueses. Este pano de fundo econômico se une àuma crescente crise de representatividade dos governos perante àpopulação. Esta mesma população, ao mesmo tempo, vê estarrecida o maior escândalo de corrupção da história do país, envolvendo praticamente todos os partidos da ordem, e, ao mesmo tempo, observam os ajustes que começam a interferir em suas condições de vida. Além disso, em nome da disputa do aparato de Estado, os políticos da burguesia, disputam entre si as rédeas do ajuste, isto tudo alimenta ainda mais, a crise de representatividade daqueles que começam a ver que foi ilusão a crença de que o PT era o partido da emancipação e das conquistas sociais.

A luta e organização da juventude independente do PT e da direita

Essa combinação coloca anseios em toda a população e exige que os setores de oposição àesquerda do PT, os intelectuais, os artistas, os jovens e todos os trabalhadores, se organizem para impedir que o oportunismo da direita canalize essa insatisfação social e sigamos àmargem de qualquer conquista.

Nesta conjuntura política e econômica extremamente dinâmica em que vivemos, já não cabem mais os debates estéreis e em separado, não cabem discussões acadêmicas desligadas do objetivo de se somarem às lutas em solidariedade ativa para intervir e transformar a realidade. Hoje é preciso, mais do que nunca a construção de uma “terceira via†como uma saída política independente dos que só podem oferecer ataques aos trabalhadores e àjuventude, com a precarização do trabalho e dos serviços públicos.

Aí está o objetivo deste debate organizado pelo CACH e o porquê de ao longo da atividade a greve dos professores da rede estadual ter marcado presença, sendo homenageada pela equipe de coordenação, pelos debatedores e todos os participantes, como uma campanha democrática pelo seu direito de greve que hoje é questionado pelo governo Alckmin e negligenciado, no cotidiano, pela burocracia petista que dirige o sindicato.

Rumo ao 26M!

Diante dos cortes na educação anunciados pelo governo Dilma que somam mais de 7 bilhões de reais, diante da precarização do ensino público e gratuito é preciso que as entidades estudantis tomem para si a importante tarefa de organizar os estudantes e a juventude para que o movimento estudantil volte a fazer história e ser um sujeito político ativo, em aliança com os trabalhadores e a população, que também estão sendo atacados pelos governos dos ricos. É com essa perspectiva que esse debate seguirá portas a fora do auditório e com a qual o CACH já está articulando a construção de um combativo 26M, Dia Nacional de Luta pela Educação

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