Movimento Operário

GREVE DA USP

Mais de 100 trabalhadores da USP doam sangue para a população usuária do SUS

31 Jul 2014   |   comentários

Mais uma vez os trabalhadores da USP dão um exemplo! No sexagésimo quinto (65º) dia de greve, os trabalhadores da USP realizaram uma passeata do câmpus do Butantã até o hemocentro do Hospital das Clínicas para realizar um ato simbólico de doação de sangue para a população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o trajeto do ato levamos faixas, distribuímos uma carta aberta e fizemos falas denunciando a privatização da saúde, as fundações privadas e dialogamos com a população sobre os motivos de nossa greve, a sua justeza e as suas bandeiras, desmascarando os verdadeiros algozes da saúde e da educação pública, que são os Reitores das Universidades e o governo do Estado de São Paulo.

A organização dos trabalhadores da USP tem legado inúmeros exemplos para a luta dos trabalhadores no Brasil com relação àdemocracia operária, incentivando e desenvolvendo as reuniões de unidades, fortalecendo e se orientando pelo Comando de Greve com delegados eleitos e revogáveis pelas unidades e com duas ou três assembleias gerais por semana nas quais toda e qualquer pessoa tem o direito ao uso da fala no microfone. Também tem transmitido inúmeros exemplos de solidariedade operária nos atos em apoio àgreve dos metroviários e contra as demissões, organizados dentro das estações; na participação nos atos e vigílias em defesa do povo palestino contra o massacre do Estado de Israel; na postagem de fotos em apoio às greves duras que percorrem o mundo, como foi Panrico (Estado Espanhol), e agora, Lear (Argentina); e mesmo se incorporando em atos de frente-única pela reforma agrária com a Frente de Libertação Nacional (FLN) ou a passeata pela Favela São Remos contra as demissões dos trabalhadores terceirizados e pela sua efetivação sem concurso.

O ato de doação de sangue, porém, transcende a solidariedade operária. Com a atuação decidida do Comando de Greve dos Trabalhadores da USP, as demandas sentidas por toda a população no que diz respeito àprecariedade da saúde foram hegemonizadas pelo conjunto dos trabalhadores. Em meio ao fechamento da Santa Casa e àevidência de que tanto o prefeito quanto o governador administram os serviços de saúde a serviço dos convênios e fundações privadas e contra os interesses da população, foram os trabalhadores da USP que emergiram de maneira dissonante gritando em coro os gemidos presos na garganta da maioria da população: “Enquanto o governo dá o sangue pro patrão, a gente doa o sangue pela população!!!†.

Lênin, dirigente revolucionário da Revolução Russa, dizia que os sindicatos deveriam ser “tribunos do povo†. E foi com essa abnegação e energia que os trabalhadores da USP percorreram mais de 8 Km debaixo do sol aos cantos de “Não tem arrego†sensibilizando tanto a população quanto os trabalhadores das diversas lojas da Rua Teodoro Sampaio que acompanhavam aos aplausos esse ato da greve. Além da receptividade da população e da felicitação dos trabalhadores do hemocentro do HC, a mídia foi obrigada a transmitir tanto essa ação quanto as pautas do movimento grevista dos trabalhadores da USP.

Deixamos claro para a população que, enquanto o Reitor da USP corta as verbas para as atividades de ensino, pesquisa, extensão e permanência estudantil da Universidade, congela as contratações de trabalhadores e o reajuste do nosso salário e demite trabalhadores terceirizados – implantando as mesmas medidas que levaram ao sucateamento do ensino médio e básico –, somos os trabalhadores da USP que temos como prioridade de nossa greve a defesa da saúde e da educação pública para todos, defendendo o caráter público do SUS e o fim do vestibular! Passados dois meses de greve sem que o Reitor concedesse sequer uma reunião de negociação, agora, nós, trabalhadores da USP, que doamos o sangue para a população, estamos sendo ameaçados pela Reitoria em termos o desconto do nosso salário, que garante o sustento de nossas famílias, e em termos a força repressora policial atuando sobre o exercício do nosso direito de greve!

Durante o ato, também, não esquecemos do nosso companheiro, Fábio Hideki, trabalhador da saúde na USP, técnico de farmácia do Centro Saúde Escola do Butantã, preso injustamente e acusado com provas implantadas pela Polícia Civil, conforme atestam vídeos e relatos de padre e outras testemunhas presentes no local no momento da arbitrária prisão. Temos certeza que Fábio não somente estaria conosco nesse ato como seria um dos primeiro da fila a fazer a doação!
Por fim, evidenciamos durante o ato que não podemos esperar nada desse Estado burguês que não seja a falta e médicos e enfermeiras, filas e falta de atendimento, longos tempos de espera, meses para marcar consultas, aumento do número de convênios privados, diminuição do número de hospitais públicos e uma medicina cada vez mais voltada ao lucro e àmanutenção de tratamentos caríssimos sobre doenças degenerativas do que àprevenção e àcura do corpo humano como um todo. Seja com o médico Geraldo Alckmin (PSDB) ou com o ex-ministro de saúde Alexandre Padilha (PT), os trabalhadores de São Paulo só têm a esperar a piora da situação da saúde no Estado. A ampliação das Organizações Sociais – fundações privadas que administram os hospitais públicos fortalecendo a precarização do serviço para incentivar a implantação de parcerias e convênios privados – e a formação acadêmica de médicos voltada para a elite e seus próprios interesses é a política de todos os partidos políticos dominantes do regime (PSDB, PMDB, PT, PSB, DEM, etc.).

Consideramos fundamental que a CSP-Conlutas e outras centrais sindicais anti-governistas impulsionem também estas iniciativas que podem se tornar um grande exemplo pra classe trabalhadora em todo o país.

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