Educação

MP de Campinas investiga denúncias nas escolas públicas

14 Feb 2015   |   comentários

Após as denuncias que realizamos e foram tema em jornal de Campinas, o Ministerio Publico resolveu apurar a situação das escolas

Nas últimas semanas, a mídia tem feito uma extensa cobertura sobre a situação da educação pública em SP. Em Campinas, as reportagens foram motivadas por uma série de desrespeitos e irregularidades do atual governador Geraldo Alckmin com professores, funcionários, alunos e famílias, atingindo toda a comunidade escolar. Se o secretario de educação Herman Voorwald atrasou o “kit escolar†de milhares de crianças, planejou muito bem o †kit maldade†nesse começo do ano.

Diante de tantos problemas, diversos docentes que integram o Professores Pela Base, grupo que junto a outros trabalhadores constroem o Movimento Nossa Classe, contribuíram com relatos e informações em reportagens nos principais meios de comunicação. Obviamente que, nem sempre, esses relatos são reproduzidos de forma fidedigna pela grande mídia, mas acreditamos que cumpriram um papel fundamental de explicitar ao conjunto da população o caos atual da educação pública e das unidades escolares em nossa cidade, atingindo centenas de milhares de pessoas que tomaram conhecimento do tema através das reportagens.

O medo, ainda reinante em muitas unidades escolares diante do assédio moral, foi quebrado por alguns professores que deram a cara para denunciar aquilo que estava engasgado na garganta de muitos colegas. Ao mesmo tempo em que aproveitamos a brecha dada pelos grandes veículos de comunicação, fortalecemos um canal de comunicação própria dos professores, com nossa visão e análise, através de artigos e relatos cotidianos, o portal Palavra Operária, a voz dos trabalhadores. Milhares de leitores acompanharam os artigos nos últimos dias e mais de 2 mil pessoas curtiram a página do Professores Pela Base no Facebook.

Na última sexta-feira, dia 13, tomamos conhecimento na edição do jornal Correio Popular, que após as denuncias que realizamos e foram tema de capa do mesmo jornal, o Ministério Publico de Campinas resolveu apurar a situação das escolas em Campinas. Ao mesmo tempo em que nos parece importante a investigação do MP e nos colocamos a disposição da Promotoria para seguir com as denuncias, somente a mobilização dos professores irá garantir, de fato, nossos direitos. É por isso que na mesma edição, uma nota sobre o ato regional de professores que organizamos junto a diversos colegas de trabalho, tomaram as páginas do mesmo jornal. Como dissemos na mesma reportagem: “Até hoje a Secretaria não publicou uma nota informando o número exato de salas fechadas, ou mencionando a situação dos professores temporários. Acho que a Promotoria vai cumprir o seu papel de questionar, mas para que essa caixa preta seja aberta seria fundamental a mobilização dos professores e que eles mostrassem de fato essas contradições que vivem nas escolas para a sociedade†.

O primeiro passo foi dado: as denuncias tornaram nossa realidade conhecida por milhares de pessoas. A paralisia e lentidão da direção de nosso sindicato em conseguir escancarar nossa situação para o conjunto da população e ganhar seu apoio, em pequena medida foi superada pelas denuncias do Professores Pela Base – Movimento Nossa Classe, pois acreditamos que o desemprego de muitos e a situação absurda de outros tantos colegas não poderiam esperar até 13 de março, dia de nossa assembleia. Organizamos o ato em Campinas, e no próximo dia 24 de fevereiro será a vez dos professores da capital saírem às ruas.

Mas é preciso mais: é hora de superar também o descrédito e paralisia da direção da APEOESP em organizar nossa categoria para a mobilização. Precisamos organizar uma forte luta em Campinas e em todo o estado que não pode mais esperar. Percorrer as escolas para resgatar a união e força dos professores e preparar uma grande greve que derrote os ataques. Será a luta decidida e a organização democrática o melhor caminho para defender a escola pública, gratuita e de qualidade.

Se no carnaval passado foram os garis que entraram na avenida em uma luta heroica, em 2015 quem abre-alas e mostra a força dos trabalhadores são os professores e servidores do Paraná, derrotando o governo em uma grande luta que segue. Façamos como eles.

Algumas reportagens com integrantes do Professores Pela Base

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/capa/campinas_e_rmc/240649-inquerito-do-mp-apura-fechamento-de-salas.html

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/capa/projetos_correio/correio_escola/239755-professores-fazem-bico-para-reforcar-renda.html

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/ig_paulista/238479-estado-fecha-150-salas-de-aula-e-superlota-classes.html

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/capa/campinas_e_rmc/240634-grupo-de-professores-faz-protesto-em-campinas.html

http://paulista.ig.com.br/ig_paulista/?url_layer=/_conteudo/2015/02/ig_paulista/239764-professores-reforcam-renda-com-bico.html

http://g1.globo.com/sao-paulo/bom-dia-sp/videos/t/edicoes/v/salas-excedem-numero-de-alunos-em-escolas-publicas-da-capital/3940576/

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2015-02-10/escolas-estaduais-de-sao-paulo-comecam-aulas-com-ate-85-alunos-por-sala.html

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