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MARÉ LARANJA: avança a fração pró-operária no movimento estudantil da USP!

17 Apr 2014   |   comentários

Como as últimas eleições foram realizadas antes de junho, havia uma expectativa grande sobre o que expressariam depois que se abriu uma nova situação nacional. Infelizmente, as eleições só puderam apresentar uma versão distorcida das posições políticas dos estudantes, porque foram marcadas mais uma vez pela despolitização e debate superficial.

Como as últimas eleições foram realizadas antes de junho, havia uma expectativa grande sobre o que expressariam depois que se abriu uma nova situação nacional. Infelizmente, as eleições só puderam apresentar uma versão distorcida das posições políticas dos estudantes, porque foram marcadas mais uma vez pela despolitização e debate superficial.

Com apenas 5 dias de aula para fazer campanha , o antidemocrático processo eleitoral acaba sempre favorecendo a atual gestão do DCE, que em dezenas de faculdades fez campanha sozinha. Mesmo assim, a maior politização da juventude depois de junho refletiu no aumento significativo do quórum, que quase dobrou.

Com 49% dos votos, venceu a chapa “Virar a USP do Avesso†, que é gestão do DCE há pelo menos 5 anos e composta por PSOL (MES e Insurgência) e PSTU. Se escondendo atrás de um discurso de mudança, não apresentou uma única linha de balanço das últimas gestões e menos ainda da última greve de alguns meses atrás.

Não levantou uma única demanda dos trabalhados de dentro e fora da USP. Boa parte de sua campanha foi dedicada apenas a campanha do voto útil contra o perigo da direita ganhar as eleições, manobra repetida em todas as eleições para esvaziar os debates sobre programa, balanços e propostas concretas. A enorme operação eleitoral que montaram nessas semanas, com mais de 500 pessoas compondo a chapa, só é vista em eleições para manter o aparato e nunca nos momentos de mobilização.

Em segundo, com 24%, ficou a chapa da direita, “USP Inova†, aliada a reitoria e encabeçada por militantes do PSDB e PSD. Nunca esteve perto de ganhar. Teve um crescimento importante na POLI, mas não cresceu no interior, o que fez com se mantivesse praticamente com a mesma proporção das últimas eleições. Fez uma campanha de ataques a organização do movimento estudantil, em defesa do financiamento e das parcerias privadas e de conivência com a atual estrutura6 de poder herdeira da ditadura.

A chapa governista “Compor e Ouvir†, organizada por militantes do PT e da Consulta Popular, ficou em terceiro lugar com cerca de 20% dos votos, o que representa proporcionalmente uma pequena queda em relação a votação anterior. Teve um crescimento significativo e ganhou a urna na Letras graças a ajuda de vários diretores da atual gestão do Centro Acadêmico, que já não podem esconder seu apoio a política do governo federal. Atrás de um discurso autonomista de diversidade, acabaram fazendo muitas vezes as mesmas críticas que faz a direita contra a organização do ME, enquanto boicotam, aonde estão, a luta de milhares contra a Copa.

A chapa Maré Laranja, composta por militantes da Juventude às Ruas, do grupo de mulheres Pão e Rosas e independentes, apresentou um significativo crescimento nestas eleições, totalizando 387 votos. Fizemos excelentes votações na Letras, onde mais uma vez se excluirmos os votos dos membros das próprias chapas vencemos o chapão do DCE, e na Educação, aonde ganhamos a urna! Superamos por muito a votação dos grupos ultra-esquerdistas estéreis e tivemos mais do dobro dos votos do elitismo “radical†impulsionado pela Negação da Negação. Fomos a única chapa a defender as demandas dos trabalhadores, homenageando a heroica greve dos garis do RJ e trazendo suas principais lições, como a importância das assembleias de base e dos comandos de delegados revogáveis, para o centro do debate. Também apresentamos a necessidade de gestões proporcionais no DCE como proposta concreta para democratizar a entidade.

Deixamos bem claro que só podemos derrotar a reitoria e superar a crise orçamentária, impedir o corte de bolsas, conseguir permanência estudantil, abrir a USP com as cotas raciais em luta pelo fim do vestibular, resolver a situação da EACH, conquistar mais salas de aula e ampliar os espaços estudantis se nos aliamos e tivermos o apoio dos trabalhadores de dentro e fora da USP para democratiza-la radicalmente.

Apesar da continuidade que em geral expressou esta eleição, a principal conclusão que temos que tirar é que há muito espaço e necessidade de construir uma fração revolucionária no ME depois de junho, e não podemos esperar as próximas eleições para ocupá-lo. Diferente das correntes que hoje constroem a passividade já visando as próximas eleições, queremos que os votos que tivemos estejam a serviço de organizar os estudantes para se aliar aos trabalhadores que estão preparando greves e paralisações para o período da Copa do Mundo e, buscando a aliança com a juventude excluída do direito àeducação e a que está nas universidades privadas, por de pé um novo Junho pelo direito universal a educação em todos os níveis.

Convidamos todos os que votaram na Maré Laranja a construir esta perspectiva desde as assembleias, mas também conhecendo e construindo o Pão e Rosas e a Juventude às Ruas!

Leia nosso programa no facebook da chapa.

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