Movimento Operário

Diana Assunção:

Lutar pela unidade entre efetivos, terceirizados e temporários

13 May 2009   |   comentários

JPO: Qual a situação dos terceirizados na USP?

Diana: A pessoas não têm consciência de como dentro da USP existe um enorme contingente de trabalhadores terceirizados e temporários que são essenciais para o funcionamento da universidade e que trabalham em condições extremamente precárias e de super exploração. No início da década de 90, a USP tinha cerca de 18 mil funcionários efetivos. Hoje, os efetivos são cerca de 15 mil, pois em torno de 4 mil vagas agora são ocupadas por trabalhadores terceirizados e temporários. Os terceirizados não têm direitos elementares. Em muitos casos a situação dos terceirizados chega ao cúmulo de não receberem vale-transporte, terem seus salários permanentemente atrasados, terem que limpar laboratórios sem materiais de proteção e ’ um absurdo ’ não têm refeitórios e são obrigados a comer suas marmitas frias nos banheiros ou ao ar livre! E os terceirizados que procuram se organizar minimamente para defender seus direitos mais elementares, são imediatamente demitidos, como ocorreu recentemente com um vigia da USP que fez greve de fome por seus direitos e foi reprimido pela guarda universitária; e que a partir do Comando de Greve estamos tomando medidas para defendê-lo. E o mais irónico é que várias empresas terceirizadas são propriedade de parasitas ou testas-de-ferro da casta de burocratas “acadêmicos†que possuem altos cargos de direção na universidade.

JPO: Por que lutar pela unidade entre efetivos, terceirizados e temporários?

Diana: O Sintusp é um dos poucos sindicatos do país que luta para defender realmente os terceirizados; e tem como resolução de seus encontros e congressos a luta por salários e direitos iguais entre trabalhadores terceirizados e efetivos; e a luta para que os terceirizados e temporários sejam incorporados ao quadro de efetivos da universidade, sem necessidade de concurso público.. Prova disso é que a reitoria, em conjunto com as empresas terceirizadas e as máfias de sindicatos ligados a elas, entraram na justiça com um processo para impedir que o Sintusp defendesse os terceirizados. O próprio processo que fundamenta a demissão de Brandão tem como um de seus fundamentos a alegação de que Brandão, ao defender os terceirizados, defendia “interesses alheios àuniversidade†.

Os trabalhadores efetivos da USP precisam assumir essa tarefa como central não só pela solidariedade de classe, pela indignação com a situação dos terceirizados, mas também porque no futuro será a sua vaga que poderá ser terceirizada. Este é um problema estratégico, que diz respeito àluta pela recomposição da unidade das fileiras operárias que o neoliberalismo conseguiu dividir. É uma luta difícil, mas precisamos compreender que se não unimos nossas fileiras será impossível resistir verdadeiramente aos ataques patronais, e menos ainda conseguir triunfar sobre os capitalistas.

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