Nacional

SOLIDARIEDADE

Liberdade imediata aos 5 operários presos por lutar em Belo Monte!

21 Dec 2012   |   comentários

A vida real de centenas de milhares de jovens trabalhadores da construção civil não foi contada nos programas eleitorais, mas não pode ser escondida pela força que suas lutas começam a tomar. Logo após o término das eleições municipais, os trabalhadores das obras do PAC protagonizaram importantes processos de greves e mobilizações. E enquanto Cachoeira está liberto, trabalhadores que lutam no Brasil de Dilma vão parar na cadeia.

Os canteiros estiveram parados novamente no porto de Suape, assim como nas obras da ferrovia Transnordestina no Piaui, Ceará e Pernambuco. Nas obras da hidroelétrica de Belo Monte, os operários paralisaram e se enfrentaram com a burocracia da Força Sindical que traiu os trabalhadores para favorecer os patrões. Inconformados com a negociação pelas costas que lhes retirou direitos a aumentos salariais e de tempo de “baixada†(retorno para visitar suas famílias, já que muitos moram a centenas de quilômetros das obras), os trabalhadores expulsaram os traidores do Sindicato durante a assembléia e galpões foram incendiados.

Em uma orquestração implementada pela patronal da Odebrecht com a colaboração da burocracia da Força Sindical, governos locais, governo federal e seus órgãos repressivos(Força de Segurança Nacional, Exército, PF), Belo Monte foi ainda mais militarizada. As obras foram paralisadas momentaneamente para uma demissão massiva de mais de 400 trabalhadores, e a prisão de 5 operários foi a operação para impedir a organização dos trabalhadores. Nesse cenário, não é possível inclusive dizer, se o próprio incêndio e a destruição de um escritório foi fruto da raiva legítima dos operários contra essa patronal que mantém a ditadura nos canteiros junto com seus capangas da Força Sindical, ou se foi uma armação para incriminar os lutadores.

As obras do PAC são a cara do capitalismo brasileiro. O desemprego diminui, mas as custas de níveis de exploração profundos. São inúmeros relatos de acidentes e mortes por trabalho em Jirau, Belo Monte e nas outras obras de hidrelétricas, rodovias e portos pelo país. A importância que essas obras tem para o lucro empresarial e para as eleições presindenciais para o PT em 2014 faz com que seus métodos contra os lutadores sejam profundamente agressivos. Com o aprofundamento dos impactos da crise em nosso país, como já mostram as perspectivas de crescimento pífio em 2013, o endurecimento contra os trabalhadores que Dilma já veio mostrando nos últimos anos durantes as greves do PAC, Copa e Olímpiadas tende a se endurecer, e por isso somente a organização independente dos patrões e desse governo poderá fazer com que a luta desses trabalhadores avance. Cortes de salário, demissões, prisões políticas e conflitos que levaram a tortura e assassinatos pela polícia(como foi em Jirau) [1] tem sido o cotidiano da “operação†coordenada pela patronal com o governo Dilma e representantes locais.

A ditadura segue nos canteiros de obra, e as mesmas Odebrecht e Camargo Correa que financiaram o golpe militar brasileiro, são hoje as principais doadoras para as campanhas de PT, PSDB e os outros partidos da ordem [2]. Essa é a democracia dos ricos.

A obra de Belo Monte é fundamental para o governo Dilma e seus aliados locais. Por isso a mão-dura com as lutas nesse barril de pólvora. São 15 mil operários que irão trabalhar até 2019, com o BNDES liberando mais de 22 bilhões de reais. Essa grande obra de impacto ambiental incalculável é uma fonte enorme de lucros e para os interesses da Odebrecht e do PT.

A CSP-Conlutas, que prestou solidariedade aos operários através de Cléber Rabelo, vereador eleito pelo PSTU e dirigente do Sindicato da Construção Civil de Belém do Pará, deve encabeçar uma campanha de solidariedade nacional pela liberdade imediata dos operários e denuncia do papel da patronal, da burocracia e do governo. Esse deve ser um ponto de partida para se generalizar o debate sobre a precarização do trabalho e a terceirização, colocando a luta contra a precarização do trabalho e a unidade das fileiras operárias como uma campanha central. Qualquer sindicato e entidade estudantil e popular que se diz democrática deve defender a liberdade imediata dos trabalhadores de Belo Monte.

O PSTU insiste em exigir que o governo Dilma intervenha nos canteiros, como se tudo que estivesse ocorrendo não fosse uma ação coordenada pelo governo Dilma, patronal e burocracia sindical. Esse partido, que se adaptou ao governo federal ao compor uma frente eleitoral em Belém junto com os governistas do PCdoB e cujo candidato do PSOL recebeu mais de 100 mil reais justamente de empresários da construção civil, mantém seu curso de adaptação ao governo federal, como se a “intervenção†de Dilma fosse a saída para os trabalhadores, justamente quando a resposta de Dilma as lutas tem sido a “intervenção†do governo com a Força de Segurança Nacional.

É fundamental levantarmos uma grande campanha nacional encabeçada pelos sindicatos de todo o país, entidades estudantis, organizações de esquerda, de direitos humanos e intelectuais, que desmascare o governo federal, a burocracia sindical e a patronal.

Dilma e Odebrecht prendem lutadores: Liberdade imediata aos 5 trabalhadores presos em Belo Monte! Por uma campanha nacional de solidariedade!

[1Segundo informações publicadas pela Comissão Pastoral da Terra de Rondônia, Instituto Helena Greco e por outras organizações sociais e políticas, operários teriam passado meses presos em Jirau no mês de abril desse ano após uma revolta no canteiro. 11 deles estariam desaparecidos, e um destes operários que foi preso, relatou torturas que sofreu na cadeia de Pandinho e falta completa de respeito aos direitos elementares constitucionais, como direito a defesa, como narra Ana Aranha da Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo http://apublica.org/2012/12/amazonia-publica-os-trabalhadores-pararam-progresso/. Dois operários também foram mortos durante as mobilizações: Josivan França Sá, de 24 anos, foi assassinado pelo sargento da PM no dia 13 de fevereiro com um tiro no rosto quando os operários protestavam em Jacy-Paraná após o atraso de 3 horas do ônibus, caso que pode ser lido no site da Comissão Pastoral Terra de Rondônia http://cptrondonia.blogspot.com.br/2012/02/operario-de-jirau-morre-baleado-pela.html. Em abril, durante a invasão das tropas da Força Nacional e da PM no canteiro durante a revolta, Francisco de Souza Lima faleceu. A PM alega que ele morreu asfixiado pela fumaça do incêndio. Até hoje não foi julgado o caso. http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/04/corpo-de-operario-da-usina-hidreletrica-de-jirau-chega-manaus.html

[2Atingindo inclusive o PSOL, com o candidato Edmilson Rodrigues, que nada falou das brutais condições dos trabalhadores da construção civil no Pará(como em Altamira, na Usina de Belo Monte) em sua frente junto com os governistas do PCdoB e o PSTU, mas não “esqueceu†de receber 100 mil reais dos empresários da construção civil.

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