Internacional

DEMISSÕES EM KROMBERG

Kromberg: histórico corte desperta a solidariedade operária

23 Feb 2014   |   comentários

Quase dois meses de luta das demitidas. Enquanto estas trabalhadoras são um exemplo mantendo-se na luta por sua reincorporação, o governo lançou um plano de ajuste que só beneficia os empresários e liquida os salários, alimentando o grande descontentamento operário e popular.

Quase dois meses de luta das demitidas. Enquanto estas trabalhadoras são um exemplo mantendo-se na luta por sua reincorporação, o governo lançou um plano de ajuste que só beneficia os empresários e liquida os salários, alimentando o grande descontentamento operário e popular.

Com o bloqueio do Parque Industrial de Pilar, as demitidas de Kromberg protagonizaram uma nova ação histórica. A coordenação entre comissões internas, delegados e trabalhadores de mais de quinze fábricas, entre as do PIP e as fábricas combativas de Henry Ford e da Panamericana, junto aos centros acadêmicos combativos das universidades da zona e da UBA e o acompanhamento do deputado estadual de Buenos Aires pela FIT, Christian Castillo, conquistaram uma massiva participação no corte que paralisou por 8 horas o Parque.

A isto somou-se a massiva solidariedade e simpatia de centenas de trabalhadores do Parque que se dirigiam a trabalhar e se forma concentrando frente aos piquetes. Isto se expressou nos buzinaços solidários, na comida e bebida que deixavam para bancar o corte, ou nas dezenas de assembléias improvisadas entre operários de distintas fábricas onde os demitidos explicavam a medida e os trabalhadores escutavam e assentiam com aplausos. Também a solidariedade se expressou na grande colaboração com o fundo de luta dos trabalhadores do turno da noite que saiam do Parque, que diziam, “estamos a favor da luta e do bloqueio†. Ou o apoio que mostraram os caminhoneiros, levando os demitidos de um piquete a outro. Alguns que iam embora saiam das combis para saudar o piquete e expressaram que “sabemos que virão tempos difíceis e que amanhã teremos de fazer o mesmo que vocês†.

Esta enorme solidariedade operária demonstra que o processo de ruptura pela esquerda de setores do movimento operário (minoritários por agora, mas significativos) com o governo que começou com a paralisação do 20N, e teve sua expressão eleitoral na FIT, não só continua, mas se aprofunda por baixo.

Ao calor do ajuste e dos ataques aos que lutam, emerge desde o profundo da luta de classes uma vanguarda que através da coordenação descobre que pode enfrentar as lutas mais difíceis, longas e duras. Ao calor deste combate, onde os trabalhadores planificam suas ações, pensam quais são os melhores golpes que podem aplicar àpatronal, tiram conclusões das ações, discutem como preparar-se ante uma repressão policial, como ajudar a que os companheiros dentro da fábrica recuperem confiança em suas próprias forças e tirem de cima a ditadura dos burocratas do plástico, caldeia-se uma nova vanguarda.

A coordenação ao redor deste conflito, a massiva solidariedade e firmeza que têm, fez com que uma luta que parecia impossível comece a ser uma batalha testemunhal e mostra a potencialidade da classe operária. Ademais, mostra a possibilidade de por de pé coordenadoras regionais, unindo a interfabril do PIP aos distintos reagrupamentos que se deram nos encontros operários chamados por Kraft, Donnelley, Lear e os Sutebas de Tigre e Escobar. Este exemplo pode ser desenvolvido em outros lugares onde os setores combativos têm peso, e torna concreta a perspectiva de um Encontro nacional de Trabalhadores. É ao calor deste processo que se vai gestando uma esquerda arraigada na classe operária.

PTS Pilar

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