Direitos Humanos

Basta de assassinatos, violência e mutilações aos LGBT!

Investigação e Justiça para João Donati já!

12 Sep 2014   |   comentários

Tragicamente, nesta quarta-feira 10 de Setembro, mais um homossexual é brutalmente assassinado. João Antônio Donati, jovem trabalhador, 18, de Goiás, foi encontrado num terreno baldio com hematomas nos olhos e no nariz, a boca estava cheia de papeis e plástico.

Tragicamente, nesta quarta-feira 10 de Setembro, mais um homossexual é brutalmente assassinado. João Antônio Donati, jovem trabalhador, 18, de Goiás, foi encontrado num terreno baldio com hematomas nos olhos e no nariz, a boca estava cheia de papeis e plástico. Suspeitam de asfixia como causa da morte. A polícia nega as reportagens e denúncias que entre estes papeis havia um bilhete dizendo "vamos acabar com essa praga" .
Verdade ou não, com as investigações completamente veladas se torna impossível de saber. O caso arrepiante de João não nos permite esquecer de Kaique Augusto, jovem de 16 anos, brutalmente assassinado, com um ferro atravessado em sua perna jogado no viaduto do Chá no começo deste ano. Uma expressão clara de que a homofobia mata demonstrando todo o ódio incentivado pelas bancadas fundamentalistas religiosas, do próprio Estado e dos governos que lavam suas mãos sobre nossos direitos.

A polícia no caso de Kaique quis ridiculamente dizer que o jovem tinha cometido suicídio. Seguindo a linha de Malafaia, Feliciano e Bolsonaro, a grande mídia e a polícia queriam dizer que não existe homofobia e os homossexuais não são vítimas de ninguém, a não ser das suas próprias “escolhas†. João Donati seria “mais um†LGBT que é brutalmente assassinato, com claros traços de ódio, violência e humilhação da qual milhares sofrem – quando não sofrem ainda de mutilações. Mas cada vez mais esses casos indignam a população, principalmente depois das manifestações de Junho do ano passado, quando milhares foram as ruas e a luta dos LGBT e das mulheres eram parte das demandas nacionais: contra a cura gay e o reacionária Estatuto do Nascituro. Com a resposta dos governos de não responder nenhuma de nossas demandas, seguiremos nas ruas e nas greves e mobilizações estudantis pautando as nossas demandas que se chocam diretamente com essa democracia degradada que não garante direitos fundamentais ànós, como o reconhecimento de nossa identidade de gênero, nosso direito a (não) casar, e que a homofobia seja igualdade ao racismo e ao machismo, com a criminalização da homofobia.

Em menos de duas semanas para as eleições, a reviravolta causada pelos direitos LGBT com o recuo de Marina Silva após a pressão pública de Malafaia e a demagogia de Dilma em defender a criminalização da homofobia enquanto defende paralelamente a Lei Geral das Igrejas (para garantir os mesmos privilégios da igreja católica àbancada evangélica), já antecipando que nada poderá ser votado antes das eleições, nos demonstram que não há nos partidos da ordem qualquer alternativa para nossos direitos. Pelo contrário, todos estes partidos se eleitos irão se aliar com o que há de mais atrasado no Congresso Nacional. Por outro lado, o movimento surgido com o lema “LGBT vota em LGBT†também não pode encontrar uma saída de fundo para nossos anseios, uma vez que, a mesma estratégia foi defendida pelo movimento feminista na eleição de 2010 onde Dilma conquistou o lugar de ser a primeira mulher a ser presidente no país. Mas contraditoriamente, a essa lógica, foi onde o número de assassinatos e violência contra a mulher e os LGBT aumentou significativamente. Foi neste governo que se vetou o Kit Contra a Homofobia e também abriu-se espaço para a chegada de Marco
Feliciano na comissão de direitos humanos. O “progressismo†do PT caiu por terra e a lógica de que as mulheres, os negros e os LGBT representam por si só um mesmo interesse se desfez no ar.

Por isso, nosso lugar é nas ruas.

Ainda neste mês, outro caso veio a tona no Rio de Janeiro. Uma mulher trabalhadora chamada Jandira desapareceu após recorrer ao aborto clandestino. Não nos calamos sobre a terceira maior causa de morte de mulheres em nosso país. Não permitimos que Jandira seja “mais uma†vítima desse Estado machismo e homo-transfobico. Reivindicamos que as mulheres e suas organizações feministas estejam ao lado dos LGBT para que gritemos forte que desde o sumiço do Amarildo queremos saber: Onde estão todos os desaparecidos pela polícia ou por abortos clandestinos? Quem são os responsáveis? Queremos justiça para as vítimas e seus familiares.

Haverá atos amanhã em São Paulo, Florianópolis, Brasília, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Goiânia, Lavras, Rio de Janeiro, memória de João Antônio Donati. Lembraremos de Kaique Augusto e diremos: não confiamos nos governos, no Estado e muito menos em sua polícia assassina que carrega em sua farda o sangue de milhares de negros, mulheres e LGBT. Não confiamos na justiça burguesa que criminaliza os movimentos sociais e não permite que a justiça seja feita para todos esses trágicos casos de agressão, violência, mutilações e assassinatos.

TODOS AO ATO: 13/09 - Às 18hrs no Largo do Arouche - São Paulo.

- O Estado e o Congresso Nacional são responsáveis!

- Pela Separação da Igreja do Estado! Por um Estado Verdadeiramente Laico!

- Pela criminalização da homofobia já! Com comissões independentes do Estado formada por familiares das vítimas, organizações de direitos humanos, LGBT, sindicatos e entidades estudantis para investigar e definir punições.

- Justiça para João Donati e todas as vitimas de homofobia! João não foi o primeiro, mas exigimos que seja o último! Memória de Kaique Augusto!

- Pela organização dos LGBT aliado a classe trabalhadora para organizar jornadas de lutas contra a homofobia pela aprovação de leis que garantam nossos direitos!

- Que as entidades estudantis e sindicatos tomem em suas mãos as nossas bandeiras! Por amplas campanhas contra a homo-lesbo-transfobia!

- Cadê Jandira? Pela aparição imediata de Jandira! Para que não haja mais desaparecimentos: Legalizar o aborto seguro e gratuito.

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