Nacional

Insatisfação popular derruba a popularidade de Dilma e Alckmin

09 Feb 2015   |   comentários

O último fim de semana foi marcado pelas estatísticas do DataFolha que indicam uma queda importante na popularidade de Dilma Roussef, além da queda de popularidade do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e do prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

O último fim de semana foi marcado pelas estatísticas do DataFolha que indicam uma queda importante na popularidade de Dilma Roussef, além da queda de popularidade do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e do prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Esta queda demonstra o crescimento do descontentamento popular e a perda de confiança nos discursos de Alckmin e Dilma de que não “faltaria água, nem haveria racionamento†e não “haveria direito a menos, nem ajustes antipopulares†. A realidade já desmascara os falsos discursos. A queda de popularidade é um aspecto da crise de representatividade que já se vem desde Junho e que se expressou nas eleições, com vários votos “não fiéis†para os dois lados.

Para eles bilhões, para nós “ajustesâ€

Um dos principais motivos apontados para a queda de popularidade destes governantes é a disparidade entre o que falam e o que fazem. A campanha de Dilma Roussef foi permeada pelo slogan “nenhum direito a menos†e um discurso de posse que prometia não fazer uma agenda de ajustes. Alguns poucos dias depois se anunciou a flexibilização de direitos como o seguro-desemprego. Geraldo Alckmin, por outro lado, escondeu e negou até o último momento a existência de uma crise da água. Enquanto o governador jurava de pé junto que não havia racionamento de água, milhares de famílias abriam a torneira e dali não saía nada.

Mas esta disparidade se combina ao enorme escândalo de corrupção envolvendo a Petrobrás, mostrando que o governo é apenas um balcão de negócios dos grandes capitalistas que lucram bilhões com a indústria do petróleo, sem falar nos inúmeros políticos corruptos que estão nesta carreira apenas pra enriquecer àcusta do povo. Frente a isso, os trabalhadores precisam dizer abertamente que a crise da Petrobrás e de tamanha corrupção só será resolvida colocando esta empresa sob controle dos trabalhadores, totalmente estatizada.

Nenhuma família sem emprego! Nenhuma família sem água!

Os empresários vão aproveitar a crise da água e da energia para arrancar do governo medidas que preservem seus lucros, ameaçando com demissões e fechamentos de empresas. Não podemos aceitar pagar essa conta!

Os trabalhadores da Volks, apesar de sua direção, mostraram o caminho. Para barrar os ataques e as demissões: greve. Mas a partir de agora as greves e lutas devem ser muito mais articuladas, não podem ficar isoladas. Seria fundamental agitar, a partir dos sindicatos e das entidades, e também dos movimentos sociais a luta para que nenhuma família fique sem emprego, e nenhuma família sem água e sem energia. Estes são os temas mais sentidos pela população neste momento, que se combinam com outras demandas como a luta contra o aumento do transporte, onde a juventude tem se colocado na linha de frente.

Relacionar as principais bandeiras que atingem a população, e em especial a classe trabalhadora, é a melhor forma de preparar a resistência aos ataques do governo e a situação dramática que os próximos meses anunciam com a crise da água, que já começa a ter seus efeitos nos bairros mais pobres e nas escolas.

Assembleias de base para preparar um plano de luta

Nos sindicatos e locais de trabalho, assim como entre a juventude, é preciso organizar desde já a mobilização construindo assembleias de base e soberanas pra organizar uma luta conjunta contra estes ataques que combine a situação de cada categoria com a situação política nacional que vivemos hoje. E onde for possível também organizar assembleias regionais mais amplas, que inclua a população para organizar a luta pela água, colocando as entidades como verdadeiros “tribunos do povo†dialogando com a grande parcela de pobres, trabalhadores e também da classe média que já não tem acesso permanente àágua. É preciso levantar a bandeira da estatização imediata da Sabesp sobre controle operário e popular.

Acreditamos que o papel da CSP-Conlutas neste momento, como principal central sindical anti-governista, é organizar os trabalhadores de forma independente, exigindo das outras centrais sindicais que se coloquem no campo na mobilização contra os ataques, indo pra além do que foi o chamado Dia Nacional de Lutas e organizando uma verdadeira paralisação nacional. Seria fundamental a CSP-Conlutas organizar também Plenárias Estaduais com delegados eleitos na base como parte de preparar o Congresso da CSP-Conlutas que pode ser um importante espaço de articulação e organização da vanguarda anti-governista.

Ao mesmo tempo o PSOL nacional e estadual, com seus parlamentares, deveria assumir a dianteira na luta pelos direitos democráticos das mulheres e LGBT – que já estão ainda mais ameaçados com as novas declarações de Eduardo Cunha - assim como em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo na questão da água e da energia, levando adiante medidas concretas de organização desta luta.

Os trabalhadores precisam de uma alternativa revolucionária

Nesta situação, nós que impulsionamos o site Palavra Operária e construímos o Movimento Nossa Classe com dezenas de trabalhadores em distintos estados do país, estamos nos propondo a construir uma nova ferramenta digital para os trabalhadores e a juventude. Com o nome EsquerdaDiario.com.br queremos que este site seja um verdadeiro porta-voz dos explorados e oprimidos contra os governantes e seus exploradores, aquela verdade que não vemos nos grandes meios de comunicação, mas que sentimos na pele quando estamos nas fábricas, nas escolas, nas universidades. No próximo mês este novo portal estará disponível.

Ao mesmo tempo, as distintas crises pelas quais passa o governo do PT e a descrença que setores mais amplos da população começam a expressar, coloca a necessidade de que os trabalhadores tenham uma alternativa política. A desilusão com o PT no governo e a falta de uma alternativa clara e contundente não podem levar os trabalhadores a concluir que não há nada o que se fazer ou até mesmo concluir que uma alternativa seriam as outras variantes da burguesia travestidos de “mudança†como tentou aparecer Aécio Neves e também Marina Silva.

Os trabalhadores e trabalhadoras, junto com a juventude, vão precisar lutar para construir um novo partido revolucionário no Brasil, que deverá reunir os que protagonizaram as principais greves e lutas estudantis e que conseguiram tirar as lições de todos estes processos e que seja um partido verdadeiramente internacionalista. Nós queremos fazer parte deste caminho, e nossas ferramentas estão a serviço deste objetivo. Chamamos todos e todas a discutir a construção desta alternativa.

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