Juventude

JUVENTUDE UNIVERSITÃ RIA

Ingressadas independentes para organizar os estudantes para lutar ao lado dos trabalhadores em 2014!

27 Feb 2014   |   comentários

Em algumas das principias universidades do país, o primeiro balanço do início das aulas e das ingressadas mostra o que podemos esperar para 2014. Como já era previsto depois das jornadas de junho, há enorme politização entre ingressantes, que se expressa no grande interesse por conhecer e debater as transformações que se passam dentro e fora da universidade. No entanto, as direções majoritárias do movimento estudantil mostraram que, por mais que falem de junho, continuarão reproduzindo as mesmas práticas rotineiras e adaptadas de antes, e, pior que isso, se adaptam ainda mais a burocracia acadêmica e ao governo federal.

Na USP, as principais atividades da ingressada unificada organizada pela comissão gestora (comissão formada por alguns centros acadêmicos depois do fim do mandato da gestão anterior do DCE, mas ainda dirigida majoritariamente por MES/PSOL e PSTU) contribuíram para reforçar a ilusão na burocracia universitária e fazer coro com campanha governista de que quem está contra a Copa faz o jogo da direita.

Depois da greve do ano passado, na qual ficou muito claro para o conjunto dos estudantes que a atual estrutura de poder precisa ser superada radicalmente, a tal comissão gestora convidou para participar da Aula Magna o novo reitor Zago, ao mesmo tempo em que foi vetada a proposta feita pela Juventude às Ruas de que na mesa estivesse um representante do SINTUSP. Se não fossem as intervenções do plenário, algumas delas aos gritos de indignação frente a defesa da terceirização feita por Zago, o reitor poderia ter tido êxito na tentativa de cooptar os estudantes através do discurso demagógico do diálogo. Fomos a linha de frente da denúncia ao novo reitor, porque acreditamos que o movimento estudantil deve atuar para construir total independência política e financeira em relação a burocracia acadêmica.

Na aula de inauguração realizada no período noturno no mesmo dia, cujo o objetivo era discutir democracia dentro e fora da universidade em ano de Copa, a comissão gestora/DCE convidou para compor a mesa dois famosos apoiadores do PT e do governo federal, Juca Kfouri e Ermínia Maricatu, além do professor da Poli Oswaldo Nakao. Enquanto os dois primeiros fizeram críticas a realização e execução do projeto da Copa, fizeram questão de criticar os que se colocam contra a realização da Copa do mundo. Juca Kfouri reivindicou o governo PT como popular e reforçou que os que lutavam contra a Copa contribuíam para que a direita ganhasse as eleições do 2º semestre. Oswaldo Nakao é atualmente um dos braços diretos do governo do PSDB na nova reitoria e expos seu projeto de acompanhamento dos impactos positivos da Copa em São Paulo, legitimando o evento imperialista. Tudo isso a apenas três dias do segundo ato contra a Copa. Não por acaso, no ato do dia 22/02 o Juntos, organizado pelo MES e força majoritária na comissão gestora, não construiu e nem compareceu ao ato no centro de São Paulo.

Movidos pela intenção de construir outra tradição no movimento estudantil, combativa e democrática, nós da Juventude às Ruas e do grupo de mulheres Pão e Rosas nos propusemos a organizar blocos dos cursos de Letras e na Faculdade de Educação para organizar desde as estruturas a participação nos atos contra a Copa, levantando programa programas que deem saídas as demandas por educação e transporte. Além disso, realizamos debates e oficinas que reuniram centenas de ingressantes, em especial no curso de Letras, para denunciar a repressão no ano em que marca 50 anos do golpe militar no Brasil. Denunciamos também o machismo que está na base de nossa sociedade, construindo uma campanha financeira através de pedágios e festas para arrecadar fundos para o tratamento de fisioterapia da companheira Suzane, jogada do quarto andar de um prédio pelo seu ex-namorado.

CACH e CAFCA: entidades Militantes para ligar a luta estudantil às demandas de junho!

Quando denunciamos a adaptação e a inação de entidades controladas pelo governismo ligadas as alas majoritárias da UNE ou pelo pseudo antigovernismo parlamentar do PSOL, com o PSTU a reboque, levantamos pela positiva o importante exemplo de entidades militantes que nós da Juventude às Ruas estamos construindo junto a estudantes independentes nos centros acadêmicos do Instituto de Ciências Humanas da UNICAMP (CACH) e o de Filosofia da UFMG (CAFCA). Durante as ingressadas, todas as atividades organizadas por essas duas entidades buscam aprofundar os principais temas da conjuntura nacional através do amplo debate entre estudantes e professores representantes das diversas correntes da esquerda, buscando sempre a independência frente a burocracia acadêmica e a denúncia intransigente aos governos. Atividades estas que ressaltam a importância da aliança com os trabalhadores e que convida os trabalhadores a compartilhar suas posições e processos de luta.

Ambas as entidades colocaram no centro da recepção aos ingressantes a denúncia do vestibular e, nas federas o Sisu (que neste ano teve uma amento enorme na relação candidato vaga, tornando mais restrita a entrada na universidade pública), combatendo o trote e não se adaptando ao clima meramente festivo que algumas entidades constroem. Isso sem deixar de lado a importância das festas e atividades artísticas, mas reforçando seu caráter político e de contestação ao atual regime universitário. Durante a ingressada na UFMG, o CAFCA organizou a festa “Korpo de Batalha†, denunciando o assassinato homofóbico de Kaique em São Paulo no mês de janeiro. Com diversas bandas e um grupo de break, a festa reuniu mais de 1000 jovens estudantes e trabalhadores da cidade de Belo Horizonte! Quanto diferença com a festa organizada pela comissão gestora do DCE da USP! Sem qualquer caráter político, a festa, que mesmo unificada de toda a USP reuniu menos pessoas, tinha um contrato com a cerveja Devassa que permitia que no meio da festa houvesse uma estande da empresa promovendo a marca através da exibição do corpo de mulheres contratadas para isso!

No CACH tambem organizamos uma mesa de combate a violencia homofóbica, que contou com mais de 100 pessoas, e logo depois uma festa "queime seus armários" onde todos puderam se divertir livremente contando com centenas de estudantes de vários institutos. E em meio a destruição da Rádio Muda (radio livre) pela Anatel e Policia Federal, como forma da Reitoria resgatar a investida do ano passado contra os espaços de vivencia, demos uma resposta retomando o espaço da cantina do instituto, fechada pela reitoria, lutando pelos espaços de vivencia da Universidade em contraposição ao projeto de esvaziamento e produtivista da estrutura Universitária.

O país mudou, as entidades estudantis tem que mudar!

Em todos os espaços intervimos levantando um programa que responda àsituação da universidade e da educação como as demandas que se abrirão com as jornadas de junho. Fomos a corrente que levantamos a luta pela estatização das universidades privadas sem indenização, por cotas para negros proporcionais àpopulação negra de cada Estado mas para impôr o fim do vestibular na USP e em todas universidades. A exigência de mais verbas na educação, pois particularmente na USP sabemos que os cortes de orçamento já votados em Conselho Universitário vão atacar nossos cursos, e por isso teremos que lutar contra a precarização já existente, exigindo contratação de professores, não ao fechamento de cursos e uma resposta imediata àescandalosa situação da EACH (USP Leste) que na universidade dos “rankings internacionais†tem seu solo contaminado, expondo toda comunidade àdoenças, e as aulas suspensas sem nenhuma perspectiva de retorno.

Também levantamos com força o papel que a juventude pode cumprir pra retomar a luta pelo transporte público, lutando pela estatização dos transportes com gestão dos trabalhadores em aliança com os usuários, dando uma resposta de fundo ao problema do transporte. Além disso, como apontamos, a luta pelos direitos das mulheres, dos negros e dos homossexuais foram bandeiras fundamentais que viemos levando adiante. A luta contra a repressão na universidade – e também nos últimos ocorridos em São Paulo – foi uma forte bandeira que levantamos, exigindo o fim dos processos contra estudantes e trabalhadores e a reintegração de Claudionor Brandão, diretor do Sintusp, numa forte aliança com os trabalhadores da universidade, lutando também pela incorporação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público.

No início de Abril acontecerão eleições para o DCE da USP. Pelos motivos que ressaltamos aqui, e por tantos outros como o balanço do papel que essa entidade cumpriu durante a greve no ano passado, acreditamos que essa será uma batalha fundamental não apenas para a USP, mas para o conjunto do movimento estudantil brasileiro. Em jogo está a possibilidade de superação das direções burocráticas que constroem uma prática corporativista separada das demandas das ruas. Nas próximas semanas, precisamos estar concentrados em definir qual programa é preciso levantar para nos apresentarmos como uma alternativa real de direção que organize os estudantes para se ligar as lutas dos trabalhadores e a indignação contra a Copa!

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