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Indústria em queda

06 Feb 2015 | A indústria recuou 3,2% em 2014, segundo dados divulgados pelo IBGE esta semana. Trata-se do pior recuo na indústria desde a crise de 2009. A tendência recessiva da economia nacional já está instalada na indústria. Assim como os “ajustes†do governo Dilma, o nível de emprego aponta um ano difícil para os trabalhadores. É preciso armar a luta desde já em defesa dos direitos e emprego.   |   comentários

A indústria recuou 3,2% em 2014, segundo dados divulgados pelo IBGE esta semana. Trata-se do pior recuo na indústria desde a crise de 2009.

Puxado principalmente pelo setor automotivo, onde a queda foi de 16,8% no acumulado do ano (em comparação com a ano de 2013), a situação no geral da indústria não é, ainda assim, positiva. Dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 20 deles apresentaram recuo na produção em 2014. Além do setor de veículos, também na metalurgia (-7,4%), nos produtos de metal (-9,8%), no de máquinas e aparelhos elétricos (-7,2%) e máquinas e equipamentos (-5,9%) as quedas foram grandes, como mostra reportagem da Folha de São Paulo (03/02/2015).

Mesmo no setor de alimentos, onde as quedas geralmente são mais raras, houve um recuo de 1,4% na produção no ano de 2014. Este tipo de queda teria a ver com uma redução das exportações brasileiras desse tipo de produto.

Em termos gerais, a queda observada na indústria se deve a queda na produção de veículos, que compõe a indústria de bens de consumo durável (que caiu em 9,2% no ano de 2014). Para se ter uma ideia dos números, a exportação de automóveis, máquinas agrícolas, ônibus e caminhões teve uma queda de 30,4% em 2014 em termos de valor exportado em comparação com o anterior (é importante lembrar que a exportação de veículos de transporte é o quarto item mais importante da pauta de exportações do país, respondendo por 9% do valor total de tudo que foi exportado pelo país). Essa forte queda nas exportações (devido àcrise na Argentina) é um dos principais fatores de redução da produção em veículos dentro do país (e também do licenciamento de veículos), somente em 2014, a produção caiu 15,3% e o licenciamento em 7,1%, segundo os dados da patronal ANFAVEA.

Reflexo no emprego

Só em 2014 a indústria em São Paulo fechou cerca de 130 mil postos de trabalho, sendo só em novembro 36,5 mil postos. A tendência é que estes números se aprofundem neste ano. O ano mal começou e já vimos no ABC paulista a Volks e a Mercedes tentarem impor demissões massivas e abrirem Plano de Demissão Voluntária [PDV] e lay off’s. Também, a GM em São José dos Campos, abriu um novo PDV na última segunda-feira, como já vem fazendo a empresa no último ano.

Na região metropolitana de Campinas, o cenário na indústria alavanca a taxa de desemprego. Segundo reportagem do Grupo RAC (02/02/2015), a tendência de pleno emprego dos dois últimos anos não se manteve em 2014 (chegando hoje a 6,62% de desocupados), alavancados principalmente pelas demissões na indústria e na construção civil que é outro setor que passa por dificuldades com a queda nas compras de imóveis. No estado de SP foram cortados 124 mil postos de trabalho no ano de 2014. Fazendo a taxa de desemprego voltar ao índice de 2009, ano no qual a indústria brasileira mais sentiu os efeitos diretos da crise mundial de 2008.

A Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) já fala que a própria crise hídrica que o estado vive, deverá atingir 60 mil empresas, que juntas empregam 1,5 milhões de trabalhadores nas regiões da Grande São Paulo e na Região Metropolitana de Campinas, que juntas empregam 60% do setor industrial do estado. E demissões não estão descartadas em um cenário mais drástico, como divulgou em nota a Agência Brasil (26/01/2015).

Em Betim (MG) a gigante Fiat iniciou o ano colocando 800 funcionários em férias coletivas e só no ano passado demitiu junto a suas 14 principais fornecedoras, mais de 4 mil funcionários na região. Segundo o sindicato, neste ano já foram demitidos cerca de 600 funcionários, contando as fornecedoras.

No Paraná a situação não é diferente. No Estado, a Renault abriu PDV no último dia 22 de janeiro e espera atingir entre 500 e 1000 adesões até o próximo dia 13. E isso poderá criar um efeito cadeia nas autopeças que fornecem para a montadora.

A proximidade de uma recessão aponta um cenário ainda pior do que o que já está desenhado e vem se desenvolvendo. Cenário agravado pelo incremento das tarifas de energia e água, que sem dúvidas as indústrias devem depositar essa conta nas costas dos trabalhadores.

É preciso criar um plano para enfrentar as demissões, partindo do pontapé construído pelas centrais sindicais no Dia Nacional de Lutas contra os ajustes, mas organizando por local de trabalho, em encontros e plenárias regionais um plano de lutas em defesa dos direitos e empregos.

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