Economia

Indústria automotiva: demissões e carros “encalhadosâ€

08 Dec 2014   |   comentários

Queda na produção de veículos foi de 9,7% no mês de novembro em relação ao mesmo período de 2013. São 414,2 mil veículos encalhados e mais de 10,8 mil trabalhadores demitidos.

Nesta última semana, a ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos automotores) divulgou os dados referentes às vendas e àprodução de automóveis no último mês de novembro. Os dados confirmaram a crise no setor, que já acumula no ano um saldo de 10,8 mil pessoas demitidas pelas montadoras. Boa parte dessas vagas foi eliminada em programas de demissão voluntária abertos nos últimos meses para ajuste do excesso de mão de obra nas fábricas.

A queda na produção de veículos foi de 9,7% em relação a novembro de 2013. Com uma queda de 40,6% das exportações das montadoras no acumulado do ano. Isso dado ao menor consumo de carros na Argentina, destino de quatro em cada cinco veículos exportados por montadoras brasileiras. A crise na Argentina está afetando fortemente as exportações brasileiras para o país. Com a quedas das exportações somada àredução nas vendas no mercado interno (devido ao encarecimento do custo do financiamento de veículos com a alta nos juros, ao já elevado endividamento da população e àqueda no ritmo de crescimento da economia), são 414,2 mil veículos encalhados, ou seja, aumento do estoque e aumento do tempo médio de vendas, segundo a entidade patronal.

As medidas das montadoras passam por redução da produção e estoque: férias de fim de ano mais longas e promoções de fim de ano, junto ao lobby no governo para pressionar pela volta da redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados), a desoneração desse imposto, que é, na prática, dinheiro público transferido para a produção dos monopólios da indústria automobilística.

A indústria automobilística não é um caso isolado, só reflete uma crise que já se instala há vários anos na indústria, que está perdendo sistematicamente a participação no total de toda a riqueza produzida no país, o PIB, num processo chamado “desindustrialização†. A crise mundial de 2008 aprofundou esta tendência de crise. De modo que, no geral, a indústria vem apresentando baixo crescimento e nível de investimentos. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, a produção industrial estagnou no mês de outubro em relação a setembro, ou seja, cresceu 0%. No confronto com igual mês do ano anterior, o total da indústria mostrou queda de 3,6%, em outubro de 2014.

As reduções mais importantes na produção industrial ocorreram em produtos farmacêuticos e farmoquímicos (-9,7%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,2%), que atingem principalmente as regiões dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Sendo que 45% de toda a produção industrial do país está concentrada nos estados de SP e RJ, com destaque para fabricação de equipamentos de informática e comunicação e alimentos para SP e produção de fármacos para o RJ. No acumulado dos 10 primeiros meses do ano, a indústria de SP encolheu a produção em 5,7% e o Rio em 3,9%.

O lobby das montadoras, reunidos na ANFAVEA, já tem sua a agenda própria: flexibilização das leis trabalhistas e aumento dos subsídios do governo para a compra de veículos. A busca de novos acordos comerciais bilaterais para incentivar as exportações de veículos para a além da Argentina, hoje em crise, também é parte da agenda neoliberal comum do FMI e dos monopólios das montadoras de automóveis no Brasil, na busca por uma nova estratégia de “integração nas cadeias globais de valor†.

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