Nacional

IV CONGRESSO DA LER-QI

Impulsionemos uma grande campanha pela estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e usuários

11 Dec 2013   |   comentários

o IV Congresso da LER-QI aprovou impulsionar uma campanha nacional pela estatização dos transportes, sem indenização, sob controle dos trabalhadores e usuários, que garanta tarifa zero.

As manifestações de junho marcaram um ponto de inflexão na política do país. Os milhares nas ruas em dezenas de capitais e cidades escancaram a precarização da vida proporcionada pela corrupção que domina as instituições do regime político e pela sede de lucro dos capitalistas. Depois de décadas, a força das ruas se impôs novamente sobre a agenda política do país ao ponto de fazerem os governos recuarem. Foi questionada a naturalização dos serviços públicos precários, caros e privatizados instalada pelos anos de neoliberalismo. Tem um enorme significado que centenas de milhares nas ruas, apoiados por milhões, tenham se identificado com a palavra de ordem: “Queremos educação padrão FIFA†.

Não por acaso a demanda que serviu como estopim das manifestações foi o transporte público. A realidade da maioria esmagadora da população das grandes capitais do país é, para além de ser explorada em seu trabalho, pagar caro para ser transportadas como sardinha, perdendo nos ônibus e trens lotados uma boa parte do tempo que não está trabalhando. O destaque obtido pela questão dos transportes permitia – e a rigor exigia – que ganhasse peso de massas a única demanda que poderia dar uma resposta de fundo para esse problema: a estatização dos transportes públicos sob controle dos trabalhadores e usuários. Para todos aqueles que diziam ou ainda dizem que essa é uma demanda utópica, lembramos que antes de junho muitos – a bem da verdade a maioria – consideravam também impossível a redução das passagens. Esse é o resultado da ação direta de centenas de milhares nas ruas: transforma utopias em realidades! Por mais que as manifestações mais massivas tenham refluído, junho deixou essa marca: a ação independente das massas é o caminho! Abaixo a miséria do possível! Lutemos por uma solução de fundo para os problemas mais sentidos pela população!

A realidade dos transportes segue sendo motivo de bronca e muito provavelmente ganhará novamente as ruas no ano de 2014, quando a Copa do Mundo irá revelar ainda mais que vivemos num país onde poucos detêm muitos privilégios, e muitos são obrigados a viver em condições precárias, quando não miseráveis. É nesse marco que o IV Congresso da LER-QI aprovou impulsionar uma campanha nacional pela estatização dos transportes, sem indenização, sob controle dos trabalhadores e usuários, que garanta tarifa zero. Uma campanha que significa um chamado para o conjunto das agrupações que impulsionamos na juventude e no movimento operário para impulsionarmos em comum, buscando consolidar uma frente única entre as entidades, organizações e movimentos da esquerda com uma política capaz de desenvolver a mobilização independente da classe trabalhadora em aliança com a juventude, levando às últimas consequências uma das principais demandas que emergiram das jornadas de junho.

Transformar a campanha salarial metroviária em uma luta pela estatização dos transportes públicos sob controle dos trabalhadores e usuários!

Felipe Guarnieri, delegado sindical Estação Santa Cruz e cipista L1 azul

A campanha salarial dos metroviários no primeiro semestre de 2014 deve ser completamente distinta de todos os anos anteriores. Junho mudou o país, e consequentemente tem que fazer mudar nossa campanha salarial. Não podemos novamente fazer uma campanha salarial que tenha como centro da mobilização somente as demandas corporativas da categoria e o problema da qualidade do transporte público fica como um tema de discurso de esquerda, mas que na prática não é um motivo pelo qual o sindicato mobiliza a categoria.

Se a luta pela estatização dos transportes públicos não se transformou em uma grande demanda de massas não foi porque as pessoas que saíram às ruas não estariam dispostas a lutar por ela. Não por acaso as centrais sindicais, quando empurradas por suas bases foram obrigadas a convocar um dia de mobilização dos trabalhadores, empurraram o mais para frente possível para que esse dia não coincidisse com as manifestações de massas da juventude nas ruas e levantaram um programa com várias demandas em geral corretas, mas que fugia de levantar com centralidade a demanda que poderia ter servido para desenvolver a mobilização independente da classe trabalhadora em aliança com a juventude: a estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e usuários, sem indenização e que garanta tarifa zero! Se importantes sindicatos de transportes públicos do país, como por exemplo, o sindicato dos metroviários de São Paulo, tivesse organizado uma greve por essa demanda chamando a juventude a uma mobilização conjunta, seguramente a dimensão que ganharam os “20 centavos†transcenderia para a “estatização†. Obrigaria o próprio MPL a convocar novas mobilizações com essa palavra de ordem, superando seu programa de “Tarifa Zero†, que ao não vincular a demanda do passe livre com a tarefa de expropriar a máfia dos transportes, termina sendo uma defesa de mais subsídios para os capitalistas dos transportes privados, fonte inesgotável de todo tipo de corrupção.

Era de se esperar que a burocracia sindical da CUT, da Força Sindical e da CTB fizessem de tudo para que bastiões centrais da classe trabalhadora não confluíssem com a juventude nas ruas levantando um programa que se enfrentasse com os governos que apoiam. Entretanto, lamentavelmente, nem mesmo as organizações de esquerda foram capazes de se colocar àaltura dessa tarefa, como demonstrou a impotência do PSTU e do PSOL na direção do sindicato dos metroviários de São Paulo.

Nesse sentido, a campanha salarial desse ano deve ter como principal demanda a estatização dos transportes públicos sob controle dos trabalhadores e usuários, e devemos nos preparar para fazer uma forte greve por essa demanda, convocando todos os que saíram às ruas em junho para saírem novamente junto conosco. Essa aliança com a população por uma demanda como essa, ligando a luta contra a corrupção, as falhas e pelo transporte de qualidade, é a única forma de obtermos conquistas corporativas da categoria que sejam significativas e não como vem sendo toda campanha, mas também de demonstramos o caráter reacionário da Lei da Copa, que busca proibir todo e qualquer tipo de greve e manifestação política que prejudique os preparativos para a mesma, mas que já sabemos será questionada por amplos setores que farão greves e sairão às ruas para protestar.

Exigimos que a direção do sindicato, encabeçada pelo PSTU e pelo PSOL, desde já comece a organizar assembleias e reuniões nos locais de trabalho que preparem a campanha salarial nesse sentido. Chamamos os setores do PAN, que compõe um bloco crítico na atual Diretoria do Sindicato, principalmente devido ànecessidade de um maior aprofundamento do trabalho de base, para serem junto conosco a ponta de lança dessa campanha na categoria.

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