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REALIZOU-SE O IV CONGRESSO DA LER-QI

IV Congresso da LER-QI discute as lições das jornadas de junho e a luta por uma nova organização revolucionária de trabalhadores no Brasil

21 Nov 2013 | Nos dias 15, 16 e 17 de novembro realizou-se em São Paulo o IV Congresso da LER-QI. Participaram trabalhadores da indústria alimentícia, metalúrgicos, metroviários, professores, bancários, trabalhadores da USP, além de estudantes que protagonizaram algumas das lutas mais importantes do último período, como as ocupações da USP e Unicamp, e a greve da UNESP, mulheres trabalhadoras precarizadas e militantes do Pão e Rosas, dos LGBTTs, jovens intelectuais, e militantes de extensa tradição trotskista. A participação da FT através da presença de Emilio Albamonte, dirigente do PTS, enriqueceu o conjunto das discussões, e fez com que esse Congresso assumisse um forte caráter internacionalista. Entrevistamos Marília Rocha, operadora de trem do Metrô de São Paulo e delegada sindical que presidiu o Congresso, Diana Assunção, dirigente nacional da LER-QI e Tristán, do Rio de Janeiro representando a juventude da LER-QI.   |   comentários

Nos dias 15, 16 e 17 de novembro realizou-se em São Paulo o IV Congresso da LER-QI. Participaram trabalhadores da indústria alimentícia, metalúrgicos, metroviários, professores, bancários, trabalhadores da USP, além de estudantes que protagonizaram algumas das lutas mais importantes do último período, como as ocupações da USP e Unicamp, e a greve da UNESP, mulheres trabalhadoras precarizadas e militantes do Pão e Rosas, dos LGBTTs, jovens (...)

Como o Congresso avaliou as manifestações de junho e seus impactos no país?

Diana: As grandes manifestações não surgiram do nada. Há anos estão se desenvolvendo processos de luta por questões locais. O ponto alto das lutas antes de junho foram as recorrentes greves nas obras do PAC e a greve nacional dos servidores públicos federais ano passado. A juventude, particularmente, vinha protagonizando várias mobilizações, greves e ocupações de reitoria nas universidades, sendo a própria USP um dos casos emblemáticos. Também a insatisfação com o Congresso Nacional e os políticos e partidos de forma geral não é de hoje e nem é exclusividade brasileira. O que explodiu em junho foi expressão da contradição entre expectativas de avanços sociais cada vez maiores dos trabalhadores e do povo e um capitalismo em crise, com sua casta de políticos corruptos, cujo mensalão é só mais um capitulo, que não pode atender expectativas sociais mais elevadas do que o consumismo a base de credito farto e que não oferece outro regime político que não fundamentado na repressão e na corrupção. Enquanto estivemos reunidos em nosso Congresso, José Dirceu e José Genoino, fundadores do PT entre outros foram presos pelo já citado escândalo do mensalão a mando do Supremo Tribunal Federal. Porém, isso não diminui a ausência de legitimidade do conjunto dos partidos do regime, e ninguém crê na demagogia cínica dos petistas de que se trata de uma “conspiração da elite†, ou que se tratam de “presos políticos†. Por isso a tendência é que a raiva faça explodir no ano que vem, um ano muito político, novos fenômenos da luta de classes.

Tristan: Não é a toa que foi justamente a juventude a porta-voz das demandas sociais da maioria da população. Ao tomar as ruas em defesa do transporte publico e ser ferozmente reprimida, a juventude se transformou na grande referencia para trabalhadores e setores de classe media, em oposição a casta de políticos corruptos que governa o país. Em tamanho só se comparam aos atos das diretas já em 1984, porém naquele momento todos os partidos convocavam os atos (menos a ditadura e seu PDS), e aqui o papel de estopim coube a juventude através das redes sociais, convocando atos contra uma prefeitura petista (no caso de São Paulo).

Esses atos mudaram a situação política do país. Tanto os trabalhadores estão começando a se colocar em cena, como todos os setores oprimidos da população também começam a articular suas demandas. Ficou para trás a etapa da passividade lulista.No processo das mobilizações - que tiveram sua última expressão vigente na importante greve nacional dos petroleiros, elementos de radicalidade na greve dos professores do Rio de Janeiro e grandes mobilizações nas universidades públicas paulistas-, nesses processos é que estão se demonstrando os contornos da nova etapa, que certamente será de preparação para novos e mais profundos embates da luta de classes.

Quais os próximos passos?

Marília: Queremos lançar com o máximo de aliados que conseguirmos e a partir das estruturas operárias e estudantis onde estamos uma forte campanha pela estatização dos transportes sob controle de trabalhadores e usuários, única forma de alcançar a gratuidade. Os movimentos de junho expressam um sentimento de mudanças, mas uma grande profusão de demandas e temas, muitas vezes sem programa claro. Ao menos sobre a questão dos transportes achamos que é possível neste momento levantar uma demanda clara que possa ser escutada por milhões. Com a proximidade da Copa do Mundo o transporte público que em cidades como São Paulo é caótico, caríssimo e submete os trabalhadores a viajarem como gado, piorará ainda mais. Isso somado aos escândalos de corrupção envolvendo diretores do metrô e grandes monopólios imperialistas como a Siemens, faz com que esta seja uma demanda transitória fundamental e muito concreta. A partir do Metrô de São Paulo vamos buscar encabeçar esta campanha junto com a juventude e nossa ala que integra a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP.

No plano de organização, votamos no encontro de 2 de novembro com mais de oitocentos participantes organizar a nível nacional uma corrente nacional de trabalhadores. Um dos principais obstáculos ao avanço dos trabalhadores são as burocracias sindicais da CUT, Força Sindical, CTB e outras centrais. Ao mesmo tempo em que daremos a batalha nos locais de trabalho, pela auto-organização dos trabalhadores, por um programa de demandas transitórias, lutaremos também dentro da CSP-Conlutas pela formação de uma ala esquerda classista e combativa. E como a principal lição de junho é política também queremos colocar a discussão de que um dos pontos programáticos levantados por esta corrente seja a luta por um partido revolucionário de trabalhadores no Brasil e internacionalmente.

Como vocês avaliaram a atuação da esquerda desde junho?

Diana: As jornadas de junho mostraram que não existe no Brasil uma esquerda revolucionaria digna deste nome. O PSOL só pensa nas eleições de 2014. O PSTU fruto da sua adaptação ao regime sindical não cumpriu nenhum papel significante do ponto de vista revolucionário nas mobilizações ou depois dela. A atuação destas correntes no Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ) foi mais uma mostra da impotência programática e estratégica da esquerda brasileira. Nossa discussão avalia que é preciso refundar a esquerda revolucionária no Brasil, em torno dos balanços de junho, das lições da luta de classes internacional e do balanço histórico da esquerda revolucionaria no Brasil.

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