Internacional

III Congresso do NPA: um passo adiante, mas ainda sem orientação ou direção alternativas

10 Feb 2015 | Extraído do jornal da Plataforma 3 do NPA (composta pela Corrente Comunista Revolucionária-CCR, seção francesa da FT, e a agrupação Anticapitalismo e Revolução, ala esquerda do Secretariado Unificado). O III Congresso do NPA confirmou a decisão dos congressos locais de colocar fim à busca de acordos eleitorais com as organizações do Front de Gauche (Frente de Esquerda).   |   comentários

Extraído do jornal da Plataforma 3 do NPA (composta pela Corrente Comunista Revolucionária-CCR, seção francesa da FT, e a agrupação Anticapitalismo e Revolução, ala esquerda do Secretariado Unificado). O III Congresso do NPA confirmou a decisão dos congressos locais de colocar fim à busca de acordos eleitorais com as organizações do Front de Gauche (Frente de (...)

De forma mais geral, o rechaço àorientação defendida pela antiga maioria por parte de dois terços dos militantes constitui uma boa notícia para todos aqueles que se enfrentavam, há anos, contra uma orientação polarizada pelos acordos com os reformistas.

Entretanto, o NPA sai de seu congresso sem orientação ou direção alternativa. De nossa parte buscamos por todos os meios reunir os delegados das plataformas 2, 3, 4 e 5 em torno de alguns eixos de orientação majoritários acerca de uma declaração comum sobre o fim do congresso. Desgraçadamente, a plataforma 2 (P2) se negou a dar este passo. Com seus 26% de representação, a P2 tem assim uma grande responsabilidade sobre o provável aprofundamento da crise de direção no próximo período, e inclusive sobre o feito de deixar a antiga maioria, ainda que tenha se convertido em minoria, de mãos livres para continuar levando a cabo sua política, especialmente através dos portavozes da relação com os meios de comunicação.

22% dos delegados do Congresso que representavam a plataforma 3, para evitar esse cenário, às vésperas do Congresso, propusemos sair junto a P2 com uma declaração sobre a base de uma série de pontos que ela mesma havia defendido em congressos locais ou em instâncias de direção (independência em relação ao reformismo na França, assim como frente ao governo Syriza na Grécia, clarificações estratégicas parciais, maior importância àintervenção na classe operária, etc.) e durante o próprio Congresso aceitamos fazer emendas no projeto de declaração proposto por eles. Mas o rechaço de seus dirigentes em levar até o final esta política e formalizar a derrota da antiga maioria os conduziu ao mais absurdo dos paradoxos.

À medida que a plataforma 1 (P1) se negou a votar o projeto de declaração da P2 com nossas emendas e as da plataforma 5 (P5), os dirigentes da P2 retiraram seu texto. Para além de nossos desacordos com esse texto, com a P5 tomamos a responsabilidade de submetê-lo a votação. Sem êxito, já que P2 se absteve! Difícil explicar aos militantes, como se pode não votar finalmente uma declaração que você mesmo escreveu, na qual você mesmo integrou as emendas de outros e que você mesmo apresentou ao congresso. Em relação a atitude da plataforma 4, esses camaradas preferiram manter uma relação testemunhal quanto ao debate do NPA, abstendo-se também do voto da declaração.

A direção da P1 propõe apoiar o governo de conciliação de classes na Grécia e teoriza a existência de “novos reformismos†, ao exemplo de Syriza e Podemos, que justificaria uma atitude distinta por parte dos revolucionários para com eles. Apesar de que esta orientação tenha sido minoritária e que se tenha tomado uma decisão positiva em relação às próximas eleições, a questão do rearmamento estratégico a partir da experiência do NPA e de uma orientação centrada na estruturação e intervenção na classe operária e na juventude será decisiva para a construção de um partido revolucionário.

Para além dos resultados deste congresso, a P3 (da qual fazemos parte os companheiros da CCR, seção francesa da Fração Trotskista, e a agrupação Anticapitalismo e Revolução, ala esquerda do Secretariado Unificado) mostrou uma coerência e uma homogeneidade crescentes, por ter estado aberta a acordos parciais com outras plataformas para fazer avançar o NPA, como em relação a declaração ou a campanha contra a "união nacional" de Hollande, votada muito amplamente pelo congresso.

Aparentemente esses avanços incomodam uma camada dos membros de outras plataformas, que vieram denunciando no conteúdo de suas intervenções “as tendências†àesquerda do partido como responsáveis por todos os males do NPA. Esses mesmo avanços serão para nós um ponto de apoio para seguir lutando pela construção de uma NPA revolucionário, o que nossa classe necessita.

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