Movimento Operário

CRÔNICA OPERà RIA NO CHILE

Histórico triunfo dos portuários no Chile

16 Feb 2013 | A paralisação nacional portuária no Chile, por mais de 20 dias, culminou num triunfo histórico para os trabalhadores chilenos. Toda a classe patronal saiu em bloco a defender-se e a atacar os trabalhadores exigindo a utilização da pinochetista Lei de Segurança Interior do Estado. Uma demanda básica se transformou em uma greve nacional dos trabalhadores portuários, que provaram que para vencer a patronal combinada, é preciso preparar-se para uma grande luta confiando apenas em suas próprias forças, e em suas organizações. Abaixo, uma crônica do heroico triunfo.   |   comentários

Enrique “Mancha†Solar, dirigente do sindicato nº2 do megaporto Angamos de Mejillones, irrompe na varanda da prefeitura e com um gesto vitorioso confirma que os portuários ganharam todas as demandas: a reincorporação dos dirigentes demitidos, o fim das perseguições e represálias aos trabalhadores mobilizados, um lugar habilitado como cassino, as demandas de saúde, e a legítima meia hora de lanche com um bônus de (...)

Hoje, quinta-feira 5 de abril, os trabalhadores portuários dobraram a mão da patronal. A negociação começou às três da tarde, com a chegada de Evelyn Matthei. Enquanto isso, os trabalhadores em Antofagasta e em Mejillones se reuniram exigindo resultados. Foram ao redor de 6 horas esperando fora da prefeitura, apoiados por estudantes de psicologia da UCN, como o conselheiro José Olivares, junto a secundaristas do liceu dual técnico profissional e científico humanista, Marta Naréa. Também chegaram trabalhadores das minas de carvão militantes do PTR, e estudantes universitários e secundaristas militantes da Agrupação Combativa e Revolucionária.

Com gritos que mostravam a combatividade portuária e o repudio àdetestável presença de Evelyn Matthei, atual Ministra do Trabalho que veio para resguardar os interesses das patronais portuárias e capitalizar midiaticamente a grande vitória dos trabalhadores, nos agrupamos para celebrar o que sem dúvida se configura hoje como um exemplo para todos os trabalhadores do país, às portas ademais da paralisação mineira.

Havia uma tensão no ambiente, todos os que estávamos presentes queríamos confirmar os rumores da negociação que culminava a favor das demandas dos trabalhadores; estávamos expectativos e ansiosos. Enrique “Mancha†Solar, dirigente do sindicato nº2 do megaporto Angamos de Mejillones, irrompe na varanda da prefeitura e com um gesto vitorioso confirma que os portuários ganharam todas as demandas: a reincorporação dos dirigentes demitidos, o fim das perseguições e represálias aos trabalhadores mobilizados, um lugar habilitado como cassino, as demandas de saúde, e a legítima meia hora de lanche com um bônus de $3.600. Este último, contudo, tem que ser discutido na segunda mesa de negociação, onde se defina em que horário será implementada esta meia hora de alimentação ganhada.

Finalmente Matthei, sem dar declarações, escapa covardemente enquanto os presentes gritavam “Matthei, escucha, esta no es tu lucha, es de los portuários, ándate a la chucha†("Matthei, escuta, esta não é tua luta, é dos portuários, vai pro inferno"). Vem o dirigente sindical para dar declarações àimprensa e faz conhecer aos trabalhadores o grande triunfo depois de 21 dias de paralisação. Por sua vez, faz uma saudação a família de Juan Pablo Jiménez e aos dois trabalhadores assassinados pela empresa fruto das condições nulas de segurança de trabalho, mortes que por sua vez foram encobertas como mortes naturais.

A jornada termina entre abraços, gritos e aplausos e, dispondo-nos a partir da Prefeitura de Antofagasta ao porto de Angamos, os portuários dão uma emotiva saudação aos companheiros do Partido dos Trabalhadores Revolucionários (PTR) por haver sido a única organização que desde o primeiro até o último dia de luta apoiaram a mobilização com todas suas forças. Desde o Partido dos Trabalhadores Revolucionários saudamos o triunfo dos portuários que foi possível graças àunidade das fileiras operárias, expressa nas paralisações a nível nacional que se fizeram, na ruptura da divisão gestada pela empresa entre efetivos e eventuais, na superação por parte dos trabalhadores de suas direções conciliadoras e pró-empresariais que se agrupam na COTRAPORCHI e graças, sobretudo, àconvicção e combatividade das mulheres portuárias. Este é um exemplo que deve ser tomado pelo conjunto da classe operária, em particular pelos trabalhadores do cobre e os florestais por sua importância estratégica na economia nacional. E também para todos aqueles setores do sindicalismo de esquerda que vem surgindo para a luta (KONECTA, PORTIA, COSECHE, AZETA, GTS, entre tantos outros).

VIVA O TRIUNFO DOS TRABALHADORES PORTUÃ RIOS!

Partido dos Trabalhadores Revolucionários - PTR

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