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SÃO PAULO

Haddad: um prefeito a serviço dos interesses capitalistas

09 Feb 2013   |   comentários

Desde a reeleição de Lula em 2006, São Paulo tem sido o principal ponto de apoio para a aliança PSDB e DEM, que se debilitam cada vez mais na oposição ao governo federal. A vitória de Haddad do PT, candidato apoiado pelo ex-presidente Lula, abre a perspectiva de que em 2014 o PSDB seja derrotado governo do estado de São Paulo, quebrando um ciclo que terá completado 19 anos nas próximas eleições. Essa perspectiva alimentada pelo rechaço aos tucanos em amplas camadas de trabalhadores chegou a despertar até mesmo certa militância pró-Haddad entre a juventude e os movimentos populares. Alimentando esse sentimento, a campanha petista, assim como os primeiros passos do governo Haddad, busca apresentá-lo como expressão do novo, apesar do PT já ter governado a cidade de São Paulo duas vezes (Luiza Erundina 1989/92 e Marta Suplicy 2001/04), e ter completado já uma década no comando do governo federal.

O grande trunfo de Haddad para conseguir a aprovação popular que tornará possível o projeto de derrotar o PSDB em São Paulo nas próximas eleições é o apoio da presidente Dilma, que irá despejar recursos federais em São Paulo. Já foi anunciada uma renegociação da divida do município com o governo federal, para diminuir os juros pagos pelo prefeito concedendo mais margens de manobra para a realização de obras municipais. Da mesma forma, podemos esperar uma série de acordo com o governo federal – incluindo o governador Geraldo Alckmin do PSDB, que vai tentar também se beneficiar com os recursos que virão do governo federal.

Os empresários e os banqueiros estão tranqüilos com essa novidade. A falta de aprovação para medidas mais truculentas do tucanato em São Paulo estavam se tornando uma fonte constante de preocupações para a elite paulista. Haddad se apresenta para essa elite como a possibilidade de um eficiente mediador de conflitos, capaz de garantir seus interesses sem despertar a ira da população.

O velho travestido de novo

As necessidades dos trabalhadores e da população pobre de São Paulo são diversas. Condições precárias de moradia, na maioria das vezes afastadas dos locais de trabalho. A moradia precária se soma a ausência de serviços básicos como rede de esgoto em muitos lugares. Uma rede de transporte cara e precária faz da ida ao trabalho um verdadeiro teste de resistência diário. A juventude sofre com a dificuldade de acesso aos poucos locais de cultura e lazer gratuitos que a cidade oferece. A rede de saúde, como nas outras capitais do país, é precária. A expectativa de amplos setores de trabalhadores e da juventude que votaram em Haddad é de que este apresente pelo menos um inicio de solução para os graves problemas que afetam os paulistanos. No entanto, os primeiros passos do novo prefeito mostram que este seguira administrando a cidade em função interesses dos grandes empresários.

Já nas primeiras semanas de governo, Haddad tem mostrado iniciativas em várias áreas, anunciando grandes projetos de investimento. Promete criar 13 novos terminais de ônibus (hoje são 29) e 150 km de corredores de ônibus (hoje são 130 km). Quer dar prosseguimento ao projeto “cidade limpa†de Kassab, só que agora com obras para tornar a fiação da cidade subterrânea e reformar as calçadas. Para o centro está anunciando um projeto de “novo tipo†para atender a “todas as classes sociais†, que contaria com um projeto de habitação com interesse social†. Todos essas promessas tem uma marca comum, as chamadas PPPs (Parcerias Público-Privadas). Em nome de viabilizar investimentos Haddad vai promover uma enorme onda de privatizações, colocando sob controle das empreiteiras e outras grandes empresas uma parcela ainda maior da cidade. Apesar do discurso voltado para as necessidades da população, com as PPPs os que mais vão sair ganhando com as grandes obras que a prefeitura promete, como sempre, vão ser os bancos, as empreiteiras e os “investidores†internacionais. Na área da saúde as OSS(Organizações Sociais de Saúde), que têm contratos milionários com a prefeitura para gerir a rede publica de saúde são continuar atuando.
Cargos para acomodar todos os interesses

A montagem do secretariado confirmou o que as alianças do período eleitoral já apontavam. O loteamento da maquina estatal entre os aliados de campanha continuará sendo a pratica, repetindo aliás, o modelo que levou ao mensalão e inúmeros escândalos no plano federal. Enquanto Paulo Maluf é condenado em tribunais estrangeiros a devolver milhões de reais aos cofres da prefeitura, Haddad colocou em suas mãos um dos setores mais importantes, o de habitação. Maluf e seus aliados vão controlar, além da secretaria de habitação, a Cohab. Isso mesmo com os protestos de movimentos sociais, que apesar de apoiarem o novo prefeito, não foram escutados.

Também o ex-prefeito Kassab e seu partido PSD, foram acomodados em um setor importante. Os kassabistas estarão no controle da SPturis, que cuida do turismo na cidade e administra o Anhembi e o autódromo de Interlagos.

Para a juventude que o apoiou, Haddad já anunciou um novo aumento do preço da passagem de ônibus, enquanto nada diz sobre a demanda histórica de passe livre para a juventude e os desempregados.
Exigir uma política independente a partir dos sindicatos
Esses primeiros movimentos do novo prefeito e a montagem do seu gabinete, mostram a serviço de quem será administrada a prefeitura de São Paulo. Os trabalhadores, a juventude e os movimentos sociais nada podem esperar da nova administração.

É necessários nos organizarmos para exigir uma política independente dos sindicatos, que não podem lutar somente por salários, deixando as questões relativas a saúde, transporte, educação e moradia nas mãos do PT e seus aliados, como Kassab e Maluf. Será através da organização e da mobilização independentes que poderemos provocar mudanças favoráveis aos trabalhadores e a juventude.

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