Questão negra

Os trabalhadores reivindicam redução no preço da gasolina e a renúncia do presidente Michel Martelly.

Greve geral no Haiti

11 Feb 2015   |   comentários

Ontem dia 09 de fevereiro se iniciou uma greve geral no Haiti de 48 horas, chamada pelos setores de oposição, que tem como principais protagonistas os motoristas de ônibus. A cidade de Porto Príncipe, capital do país, amanheceu com vias da área metropolitana fechadas por barricadas e uma grande presença policial, já no primeiro dia houveram 12 detidos, a imprensa relata duas mortes e outros (...)

Ontem dia 09 de fevereiro se iniciou uma greve geral no Haiti de 48 horas, chamada pelos setores de oposição, que tem como principais protagonistas os motoristas de ônibus. A cidade de Porto Príncipe, capital do país, amanheceu com vias da área metropolitana fechadas por barricadas e uma grande presença policial, já no primeiro dia houveram 12 detidos, a imprensa relata duas mortes e outros feridos.

Os trabalhadores reivindicam redução no preço da gasolina e a renúncia do presidente Michel Martelly. Não é a primeira vez que o governo é foco do descontentamento popular, importantes mobilizações aconteceram, em dezembro as manifestações chegaram a rodear a sede do governo em Porto Principe e houve uma dura repressão policial.

O descontentamento operário é tanto que mesmo com o controle dos sindicatos pró-patronais no país, já no inicio desse ano os trabalhadores dos transportes já haviam protagonizado uma greve. O preço da gasolina no país era de US$ 4,62 e foi reduzido na segunda-feira, após greve, para US$4,5. Mesmo com essa redução o preço controlado da gasolina no país não condiz com a queda do preço do petróleo internacionalmente.

Martelly do partido Repons Peyizan ganhou a presidência no segundo turno em 2011. Esse presidente negro, longe de se colocar ao lado dos trabalhadores do país, tem servido como representante direto do imperialismo para dominar e explorar o povo haitiano. Um exemplo disso é o apoio incondicional a Bill Clinton e seus “esforços internacionais†para reconstruir o país a partir da iniciativa privada depois do terremoto de 2010. A reconstrução do país se torna um grane balcão de negócio, deixando em 2013 mais de 350 mil desabrigados, com apenas 6 mil casas construídas e entregando apenas metade dos U$ 5 bilhões prometidos.

No país mais pobre da America Latina, vítima há 10 anos da intervenção militar liderada por tropas brasileiras em operação da ONU, Minustah (Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti), os trabalhadores outra vez se levantam contra as condições precárias de vida.

Os haitianos que optaram por procurar melhores condições de vida no Brasil se enfrentam com enorme dificuldades impostas pelo governo, trabalhos precarizados, se amontoam em gaolpões, muitas vezes enfrentam situação de trabalho escravo. Fruto do descontentamento com essas condições 50 haitianos criaram nos últimos dias a União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH) ligada a CSP-Conlutas, que teve apoio do Sintusp (Sindicato de Trabalhadores da USP), um grande passo na organização da luta pelos direitos dos Haitianos.

O mesmo governo que coloca tropas para liderar um massacre no Haiti também explora e mata trabalhadores e principalmente negros e negras no Brasil. Antes de subir morros das favelas brasileiras, as forças militares que implementaram o projeto das UPPs foi testada naquele país.

É preciso que os trabalhadores, movimento negro e organizações de esquerda cubram o povo haitiano de solidariedade e façam coro com sua luta contra a MINUSTAH. Junto a isso, devemos levantar uma grande campanha contra a ocupação militar ligada a um calendário de luta contra os ataques que esse mesmo governo impõe ao povo brasileiro.

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