Domingo 21 de Julho de 2019

Movimento Operário

GREVE DOS RODOVIÃ RIOS DE SP

Greve dos rodoviários de São Paulo atropela a burocracia sindical

22 May 2014   |   comentários

Na terça-feira 20 de maio a cidade foi surpreendida por uma contundente paralisação dos cobradores de São Paulo, que utilizando os ônibus para bloquear os principais terminais e avenidas chaves abriram uma crise em toda à cidade, repercutindo em todo o país.

Na terça-feira 20 de maio a cidade foi surpreendida por uma contundente paralisação dos cobradores de São Paulo, que utilizando os ônibus para bloquear os principais terminais e avenidas chaves abriram uma crise em toda àcidade, repercutindo em todo o país. Na quarta-feira 21, o movimento tem continuidade, ganhando proporções ainda maiores, e configurando uma importante crise, não só pelo que significa paralisar os transportes da principal cidade do país às vésperas da Copa do mundo, mas também pela marcada espontaneidade da greve, que dá vazão a um enorme repúdio àdireção do sindicato que supostamente representa a categoria, e pela radicalidade desse novo método de luta que tira os ônibus das garagens para logo abandoná-los atravessados interrompendo o trânsito.

O protesto, que se inicia na Viação Santa Brígida, logo se alastra para a Sambaíba, a Gato Preto Via Sul, Vip Transportes e Campo Belo. A zona norte e a zona oeste da cidade ficaram praticamente sem ônibus, e a zona sul foi fortemente atingida. A zona leste, que até certa altura ainda tinha suas linhas funcionando, ao poucos foi sendo fortemente afetada pela interrupção do funcionamento de mais da metade dos terminais urbanos da cidade, inclusive os estratégicos terminais Bandeira e D. Pedro II, que desde o centro fazem a ligação entre as distintas regiões da cidade.

Os rodoviários rechaçam os 10% aceitos pelo sindicato, reivindicando um reajuste salarial superior e denunciando que a direção enterrou a campanha salarial com numa assembleia ilegítima, que foi adiantada em um dia na última hora para que fosse esvaziada.

A atual direção do Sindicato dos motoristas e cobradores de São Paulo, uma dissidência da gestão anterior, foi parte da máfia que há anos vem impedindo os rodoviários de lutarem, permitindo que as empresas imponham condições cada vez mais precárias de trabalho e salário. Depois de ter sido eleita na chapa de oposição com um discurso de mudança, ao manter os mesmos métodos da gestão anterior, ganhou o rechaço massivo de amplos setores da base. Os métodos mafiosos dessa burocracia foram denunciados pelos próprios trabalhadores ao dizerem que tiravam os ônibus das garagens e os paravam na rua para driblar a direção do sindicato que coloca bate-paus para coibir qualquer movimento de rebeldia das bases.

Uma campanha reacionária do governo e da imprensa

Haddad saiu na imprensa dizendo que os grevistas eram um bando de “guerrilheiros†e “sabotadores†. O secretário municipal dos transportes, Jilmar Tatto, disse que eram uma minoria de “vândalos†. Ambos, em uníssono com a imprensa, clamam para que os protagonistas da paralisação sejam legalmente punidos por bloquearem a vias e terminais com os ônibus. Com isso, tentam fazer o mesmo que Paes e tentou fazer com os garis do Rio de Janeiro. Exigem que a polícia militar reprima para liberar o trânsito. Mas a força do movimento fala por si só, deixando exposta a estupidez dos que atribuem a um punhado minoritário a capacidade de gerar uma crise tão grande. A própria vacilação da política em reprimir é uma demonstração da legitimidade do movimento, mas também um receio de transformar as ruas da principal capital do país em um palco de guerra às vésperas da Copa do Mundo.

O ministro Gilberto de Carvalho, braço direito de Dilma para o “diálogo†com os movimentos sociais, classificou o movimento como “irresponsável†. Irresponsável é esse governo que gasta bilhões com a Copa enquanto a população paga caro para ser transportada como sardinha enlatada!

Coloquemos em prática medidas de solidariedade para que a greve triunfe

Na noite de quarta-feira (21) foi anunciado pela imprensa um acordo entre os grevistas e a direção do sindicato, mediado pelo superintendente regional do Ministério do Trabalho em São Paulo, que reconheceu como interlocutores legítimos os representantes eleitos nas bases das empresas em greve. Com o acordo, os representantes dos trabalhadores se comprometeram a suspender a greve, e a direção do sindicato se comprometeu exigir reabertura de negociações com as empresas, buscando a mediação do prefeito. Mas está em aberto se os trabalhadores na base das empresas em greve vão ou não aceitar essa trégua, e os representantes que fizeram o acordo declararam que, se não houver avanço nas negociações, os trabalhadores voltarão a parar.

A maior ação de solidariedade que os rodoviários poderiam receber seria se os metroviários de São Paulo tivessem aprovado indicativo de greve e liberação de catraca em sua assembleia do dia 20, chamando uma paralisação nacional para unificar as lutas em curso e colocar na ordem do dia a luta pelo piso salarial mínimo do Dieese e pela estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e usuários. Lamentavelmente, mesmo sabendo que existia disposição de combate na base, a direção desse sindicato (composta pelo PSTU e o PSOL) se contrapôs a essas propostas apresentadas pelos Metroviários Pela Base (LER-QI e independentes) na assembleia. Com o incrível argumento de adiar a greve para “na Copa ter luta†, deixaram de fortalecer e colocar em um patamar superior as lutas concretas que já estão em curso.

Todos os sindicatos, oposições sindicais e entidades estudantis ligadas às organizações de esquerda têm a tarefa de colocar de pé uma forte campanha de solidariedade àluta dos rodoviários, com medidas concretas que possam fortalecê-los. A CSP-Conlutas deveria convocar um ato unificado emergencial de todas as categorias do São Paulo com esse objetivo. Assim como deve impulsionar um encontro de todos os setores em luta em São Paulo para fortalecer a vanguarda e preparar um plano de ação comum para vencer!

Abaixo a burocracia sindical!

Todo apoio àluta dos rodoviários!

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