Internacional

Greve dos metalúrgicos do Centro-Norte e manifestações em toda a Itália

19 Nov 2014 | Um dia de grandes mobilizações contra os planos de ataque do atual governo do PD (Partido Democrático) contra os trabalhadores, desenrolam em toda a Itália nesta sexta. Uma situação que continuará com uma nova greve geral no Centro-Sul da Itália chamada para o dia 21 de novembro pelos metalúrgicos da FIOM e o chamado da CGIL (o maior sindicato da Itália) a uma greve geral de 8 horas para o dia 5 dezembro.   |   comentários

Na jornada de luta convergiram na “greve social†lançada pelos sindicatos de base e pelos movimentos sociais e a greve geral da FIOM (categoria dos metalúrgicos da CGIL), convocada no Centro-Norte da Itália.

Na jornada de luta convergiram na “greve social†lançada pelos sindicatos de base e pelos movimentos sociais e a greve geral da FIOM (categoria dos metalúrgicos da CGIL), convocada no Centro-Norte da Itália.

As manifestações territoriais ocorreram durante toda a jornada e uma manifestação central aconteceu em Milão, uma data que ainda coincidia com outras mobilizações a nível internacional como aquelas convocadas na Grécia e Portugal.

A convocatória supõe um fato positivo, tratando-se de um passo a mais na recuperação das mobilizações que começou com a massiva manifestação nacional da CGIL em Roma no último dia 25 de outubro e a greve geral convocada pela USB (Sindicato de base minoritário) no dia 24 de outubro.

Esta nova situação do movimento operário italiano terá continuidade com as próximas convocatórias da luta, como a greve geral chamada para o dia 21 de novembro no Centro-Sul da Itália pela FIOM e o chamado da CGIL a uma greve geral de 8 horas em todo o país para o dia 5 de dezembro. Tudo isto após uma longa fase de paralisia da direção do principal sindicato italiano.

Os trabalhadores se manifestam contra o governo do primeiro ministro Renzi e contra suas políticas de ataque direto aos trabalhadores. O Governo de fato, tem implementado todas as exigências da patronal, que tem encontrado neste governo sua plena satisfação: máxima precarização do trabalho mediante a liberalização dos contratos, liberdade de demissão sem justa causa por meio do ataque ao artigo 18 do Estatuto dos trabalhadores e a aplicação de uma redução de taxas para as empresas, enquanto se corta o financiamento aos setores da saúde e serviços, além do bloqueio a renovação dos contratos no setor público.

Diante da importante resposta dos trabalhadores nesta jornada, o governo respondeu as manifestações e a jornada de luta enviando a polícia para reprimir aos manifestantes e mais diretamente contra os trabalhadores da siderúrgica de Terni, uma indústria em luta. Em diversas cidades (Milão, Pisa, Padova) ocorreram enfrentamentos com a polícia, com agentes feridos, lançamento do ovos ao Ministro da Economia e uma intenção de ocupar a sede do PD.

Renzi obriga a burocracia a convocar medidas de luta

O governo de Renzi vem adotando um claro curso reacionário contra os trabalhadores, como mostram não somente a Reforma trabalhista, mas também, a aplicação de outras reformas eleitorais e institucionais que o governo que fazer junto aos setores políticos como os de Berlusconi.

Agora chegamos a um ponto no qual FIOM e a CGIL estão obrigados a dar uma resposta após meses de ambiguidades e sinalizações ao governo. Após uma fase de correspondências entre o sindicato e o executivo durante os primeiros meses do governo.

Renzi assumiu o poder em fevereiro de 2014 e a esquerda política e sindical mantiveram com seu governo um tratamento de respeito e cordialidade, chegando inclusive a que alguns partidos o apresentasse como a “nova esperança de esquerda†.

A maioria dos sindicatos, exceto os sindicatos de base, tem apontado que “a estafa dos 80 euros†(80 euros a mais no salário em troca de fortes cortes em serviços sociais e aumento de impostos), assim como a operação TFR (com a qual desaparece o salário deferido, provocando assim um aumento de taxas diretas no salário). A mesma FIOM se ofereceu para a colaboração com o governo, propondo-se como interlocutora privilegiada, tentando ultrapassar a CGIL nesta questão, num jogo burocrático. Tudo isto tem colaborado para que, até agora, o governo tenha gozado de certa popularidade entre os trabalhadores.

Mas a reforma que agora impulsiona Renzi representa um ataque muito direto aos trabalhadores, ao qual os sindicatos não podem aceitar uma campanha tão claramente anti-sindical e antioperária, pelo fato de que se veem obrigadas a tomarem medidas de luta.

A CGIL, agora ignorada pelo governo, teve que mudar seu roteiro, mesmo que o faça mais pela defesa de seu próprio aparato, do que por verdadeiros sentimentos de luta. Lembramos que na última temporada, a CGIL se manteve na mais absoluta passividade diante das alterações do mesmo artigo 18 do Estatuto dos trabalhadores por parte do governo.

Descontentamento nas bases operárias

Diante dos duros ataques que estão sendo implementados, os trabalhadores saíram às praças na jornada de sexta, invadindo-as como em outras ocasiões. Milão foi a cidade onde se concentraram as manifestações mais massivas. Nesta cidade, partiram três manifestações diferentes: a convocada pela FIOM; a convocada pelos estudantes; e a chamada pelos sindicatos de base.

Maurizio Landini, secretário geral da FIOM, declarou que a luta deve seguir até pararem os ataques do governo. No mesmo tom, se pronunciou Susanna Camusso, secretária geral da CGIL. No entanto, os trabalhadores não acreditam no discurso dos dirigentes, e os receberam com vaias enquanto faziam seu discurso em Milão.
Num marco de resposta ainda débil e desconexa por parte das direções sindicais, está circulando nestes dias um chamado de alguns delegados da CGIL, com apoio do grupo de oposição minoritário chamado “Il sindacatoèun´altra cosa†, chamando a uma resposta forte e direta aos ataques do governo por meio de um “amplo conflito social†. Um conflito que esteja àaltura do violento ataque conduzido contra os trabalhadores, precários e desempregados. Que se proponha a esvaziar as fábricas, oficinas, escolas e universidade e que reivindique a questão da unificação das lutas e de sua generalização.

Próximas datas

Dia 21 de novembro: Greve geral dos metalúrgicos de FIOM no Centro-Sul da Itália com ato central em Nápoles. Dia 5 de dezembro: Greve geral de 8 horas convocada pela CGIL.

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