Movimento Operário

Greve dos 100 dias nas universidades estaduais paulistas em momento decisivo

07 Sep 2014   |   comentários

Na última semana os trabalhadores das três universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp, junto a professores e estudantes deram uma enorme demonstração de forças.

Na última semana os trabalhadores das três universidades estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp, junto a professores e estudantes deram uma enorme demonstração de forças. A começar pela marcha dos trabalhadores da USP que caminhou do campus Butantã da USP até o MASP, com mais de mil trabalhadores e estudantes, uma parcela importante de companheiros mais velhos, com todos gritando “Não tem arrego†ao completar 100 dias de greve. Na Unicamp apesar dos professores terem se retirado da greve unificada “pegando o que é seu†e abandonado os trabalhadores, estes continuaram firmes na greve, apesar também de sua direção sindical, onde a maioria do Sindicato (incluindo o PSTU) defendeu o fim da greve uma semana antes da negociação, e mesmo assim a greve se manteve sobre gritos de “Não tem arrego†. Na Unesp trabalhadores e professores com todas as dificuldades geográficas de organização, continuam na greve unificada rejeitando as propostas da Reitora Marilza para dividir a greve. E na USP está surgindo uma nova base de professores àesquerda da direção atual da Adusp, que por vezes tentou encerrar a greve.

Esta demonstração de forças impôs que tanto o Conselho Universitário da USP quanto o CRUESP tivessem que recuar da proposta de arrocho salarial, apresentando algum índice acima de zero. Mais que isso, teve que ser o Tribunal Regional do Trabalho, e não esta casta burocrática que é o CO e o CRUESP, a defender a manutenção de nossa database em maio e portanto propor como mínimo um abono indenizatório retroativo a maio. Resta ver se a Reitoria vai dar o braço a torcer e mostrar que tem sim dinheiro para algum reajuste para os trabalhadores. Por isso é fundamental preparar um forte ato para a próxima semana. Parte das conquistas dessa greve está no fato de até o momento ter conseguido frear a inflexão que o governo estadual e a burguesia tentaram impor na conjuntura com a derrota àgreve dos metroviários, depois da vitória da greve dos garis.

Também é nesta semana que os trabalhadores vão decidir sobre os rumos da greve e precisam desmascarar a Reitoria da USP que vem buscando fazer uma chantagem patronal colocando que qualquer reajuste salarial será em base a aprovação de ataques aos trabalhadores, como é o Plano de Demissões Voluntárias (PDV). A Reitoria quer colocar nestes termos para dividir os trabalhadores, quando somos nós que, junto a professores e estudantes, viemos lutando desde 1989 pelo aumento de repasse de verbas para a universidade, ao mesmo tempo que exigimos a abertura imediata dos livros de contas. Sem isso só pode ser uma falácia o discurso da Reitoria de crise orçamentária, um mero artefato para mascarar o avanço do desmonte da USP.

Em segundo lugar é preciso garantir que os trabalhadores em greve não tenham nenhuma punição ao mesmo tempo que continuamos lutando pela retirada de todos os processos administrativos e criminais e pela reintegração do companheiro Brandão. Já podemos dizer que o elemento mais importante de toda esta enorme e heroica batalha foi o surgimento de uma nova camada de ativistas que se fundiu com a velha guarda de tradição do Sintusp. O Comando de Greve com delegados eleitos pela base e revogáveis foi um enorme exemplo, e a maior força deste movimento grevista, que mostrou que a auto-organização dos trabalhadores ampliando o Sindicato nos momentos de luta é o caminho mais correto para os trabalhadores terem conquistas e avançarem em sua luta.

É preciso colocar de pé um forte plano de luta que já tem uma série de tarefas como retomar o HRAC e barrar o PDV, mas principalmente lutar contra a desvinculação do Hospital Universitário que vai incluir uma forte luta pra aprofundar esta como uma causa popular. Ao mesmo tempo se mostrou uma grande necessidade avançar na aliança com estudantes e professores, sendo que a ausência do movimento estudantil – que teve como freio também suas direções (PSTU, PSOL) neste momento declaradamente mais preocupadas com as eleições – foi uma grande debilidade desta luta que deveria mover o conjunto da universidade contra o desmonte.

O autoritarismo desta Reitoria, e de seu Conselho Universitário, representando os interesses do governo Alckmin em São Paulo, também dão a maior prova de que é mais necessário do que nunca derrubar esta burocracia que manda na Universidade. É preciso lutar para impor uma Assembléia Estatuinte Livre, Soberana e Democrática que possa definir os rumos da universidade, dissolvendo o cargo de Reitor e o Conselho Universitário, e impondo um governo tripartite com maioria estudantil pra dirigir a USP. Combinado a isso, precisamos lutar por mais verbas para toda a educação pública, impondo o fim do vestibular e a estatização de todas as universidades privadas. Todo jovem tem direito de estudar! Em síntese, trabalhadores, estudantes e professores precisam tomar os rumos da USP em suas mãos. Para isso será fundamental manter viva a força do Comando de Greve e da auto-organização dos trabalhadores para todas estas batalhas na luta por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre.

UMA GRANDE CONQUISTA: USP é obrigada a pagar os dias descontados

Com mais de 100 dias de greve, organizando atos, cortes de ruas e piquetes, e enfrentando uma grande ofensiva da Reitoria e do governo Alckmin, os trabalhadores da USP não recuaram frente ao corte de ponto e nem às ameaças da própria justiça, mantendo coesa a greve e com a certeza de que somente nossa força poderia impor o pagamento dos dias. O TRT sentenciou o pagamento dos dias parados, e a Reitoria, mostrando seu caráter anti-sindical foi até o STF pedir a reversão desta sentença. Não foi desta vez, até o STF reconhece nosso direito de greve.

Movimento Nossa Classe organizando dezenas de trabalhadores

Durante a greve o Movimento Nossa Classe se consolidou como um dos mais fortes movimentos de trabalhadores nas universidades estaduais paulistas. Com cursos de formação marxista, atividades de debate sobre a greve, panfletagens, presença massiva nos atos e piquetes, fomos consolidando um movimento classista, combativo, anti-governista e de independência de classe que foi parte ativa dos Comandos de Greve, linha de frente dos enfrentamentos e aportou para avançar nas medidas internacionalistas da greve, a aliança com a população e a unificação com outras categorias.

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