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Greve da Volks termina com a redmissão de 800 trabalhadores

16 Jan 2015   |   comentários

A greve conquistou a reversão das demissões, mostrou que a força dos trabalhadores é capaz de alcançar as vitorias, mas ainda está colocado para os trabalhadores a necessidade de superar a conciliação de classes e impedir que a crise seja descarregada em nossas costas

Com uma assembléia chamada às pressas para anunciar que uma proposta havia surgido, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, informou na voz de Wagnão, membro da comissão de fábrica da Volks e secretário geral do Sindicato, que passaram a noite negociando com Volks e que “mesmo se a proposta feita pela patronal seja aceita ninguém trabalha hoje!â€

Segundo ele, “o sindicato tentou buscar o encaminhamento que garantisse a estabilidade no emprego mesmo frente aos trabalhadores excedentes†. O acordo firmado entre patronal e sindicato serve para substituir o acordo feito em 2012 que previa nenhuma demissão para trabalhadores aposentados, por justa causa ou pela via do PDV. No final do ano passado a Volks propôs um novo acordo que, além de prever PDV para 2.100 trabalhadores, propunha uma mudança na forma de rejuste salarial das datas-base.

Segundo a revista Exame, o novo acordo que a empresa tentou impor aos trabalhadores e que foi rechaçado em 2 de dezembro de 2012 previa“um programa de demissão voluntária (PDV) para aproximadamente 2,1 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O pacote incluía o não reajuste de salários em 2015 e 2016 e garantia de produção de três novos carros na unidade. (...) A proposta previa a abertura do PDV em janeiro. A medida faria parte de um novo acordo entre empresa e trabalhadores. O atual, que vence em 2016, prevê reajustes pela inflação e mais 2% de aumento real. (...) O novo acerto, com validade até 2019, estabelecia, entre outros itens, abonos em vez de reajustes (de R$ 8,5 mil e R$ 6.374, respectivamente), o PDV, garantia de emprego aos que permanecerem na fábrica e a produção de novos modelos†.

Com a recusa da proposta feita pelo sindicato depois de ter negociado com a patronal, a Volks mandou ainda no fim do ano 800 telegramas de demissão sumária, que muitos receberam no ato de comemoração das férias coletivas. A empresa, em busca da manutenção da isenção de impostos, passou a chantagear o governo e os trabalhadores com as demissões.

Segundo o site da FAESP , o “Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informa que corrigiu a informação repassada no início da manhã desta sexta-feira, 16, sobre o acordo fechado entre a diretoria da Volkswagen e trabalhadores que culminou com o fim da greve. O salários só passarão a ter aumento real de 1% a partir de 2017 e não em 2016, como informado. No próximo ano, os vencimentos serão reajustados apenas pelo INPC. (...) Além da revogação das 800 demissões prometidas para fevereiro, os trabalhadores da fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo aceitaram a proposta da diretoria da fábrica de reestruturação do acordo vigente desde 2012 que garantia estabilidade do emprego até março de 2017. A primeira proposta havia sido negada pela categoria no dia 2 de dezembro do ano passado. (..) A principal mudança da nova proposta está relacionada ao reajuste dos salários dos trabalhadores. Pelo novo acordo, trabalhadores passarão a ter os vencimentos reajustados pelo à ndice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com acréscimo de aumento real de 1% a partir de 2017. Em 2015, o reajuste continua a ser compensado por um abono abono salarial, que será pago em fevereiro. No acordo antigo, os salários seriam congelados em troca de abonos tanto em 2015 quanto em 2016. (...) De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a nova proposta continua prevendo a continuidade de formas de "adequação" do efetivo na fábrica, por meio da abertura de um programa de demissão voluntária (PDV) para cerca de 2,1 mil trabalhadores considerados excedentes e da suspensão dos contratos de terceirização para alocação de parte do pessoal excedente. Segundo a Volks, o acordo assegura a vinda de uma nova plataforma mundial de produtos e modelos para a unidade†.

Nesses dias de greve ficou comprovado que os trabalhadores podiam conquistar ainda mais, a partir de um plano unificado com a Mercedes os trabalhadores metalúrgicos do ABC poderiam defender uma posição firme contra os ajustes da patronal e do governo Dilma, a luta dos trabalhadores se unificando com as demais categorias que apoiaram a greve tinha força para colocar o governo na parede e todas as tentativas de acordo e conciliação do sindicato.

A direção do sindicato usou a força da greve para avançar na conciliação com os patrões, exigindo isenção de impostos para as montadoras para que elas sigam lucrando, defendendo o lay off como conquista, e colocando como pauta prioritária o PPE que posterga as demissões e não busca a reversão dos ataques de maneira profunda e sim ampliar as formas de flexibilização.

A patronal rompeu o acordo e demitiu! A greve conquistou a reversão das demissões, mostrou que a força dos trabalhadores é capaz de alcançar as vitorias, mas ainda está colocado para os trabalhadores a necessidade de superar a conciliação de classes e impedir que a crise seja descarregada em nossas costas. Todo o acordo está baseada numa produção de 250 mil automóveis por ano, coloca uma corda no pescoço dos trabalhadores para luta por reajustes acima do INPC (que sempre são inferiores ao real aumento do custo de vida) e prevê a demissão de terceirizados para realocação dos efetivos. Sabemos que ano se inicia com um poder de compra mais reduzido e recessão. Portanto, fiquemos atentos porque a patronal pode tentar forçar a quebra do acordo com uma nova ofensiva a qualquer momento!

Viva a greve da Volks!

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