Quinta 18 de Julho de 2019

Juventude

DEBATE NA UFMG EM SOLIDARIEDADE AOS PRESOS POLÃ TICOS NA USP

Grande debate na FAFICH UFMG sobre a luta na USP e os resquícios da ditadura militar no Brasil e nas universidades

30 Nov 2011   |   comentários

No dia 24/11 a Juventude às Ruas, junto a estudantes independentes, Ler-qi e o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania/BH, organizaram um grande debate no vão da Filosofia da Fafich sobre a militarização da USP e os resquícios da ditadura militar que seguem nas universidades e no Brasil e colocando a necessidade da campanha pela retirada dos inquéritos ilegais aos 73 presos políticos da USP.

Tendo como convidados para a mesa Luizito (professor da ECA-USP), Heloísa Greco (Bizoca, IHG/BH) e Ravenna, uma das 73 presas políticas da USP e militantes da Juventude às Ruas e da Ler-qi, cerca de 50 estudantes puderam acompanhar e debater de perto a luta da USP, as lições e exemplos que podemos seguir da luta dos estudantes da USP assim como a necessidade do apoio ativo àcampanha pela retirada dos inquéritos aos presos políticos.

O debate ocorreu no primeiro dia das eleições do DCE da UFMG, mostrando a necessidade de ligar a principal luta estudantil do país com o debate eleitoral na universidade, o que todavia não se expressou na campanha e programa de nenhuma das chapas concorrentes às eleições do DCE da UFMG. Diferente disso, a Juventude às Ruas colocou todas suas forças para ligar toda a politização existente na UFMG desde a greve dos professores da rede municipal com as principais lutas do movimento estudantil nacionalmente como a USP, e internacionalmente com a luta dos estudantes do Chile pelo ensino gratuito já!

Ravenna abriu debate com um emocionante depoimento como presa política e como a militarização ocorre na USP como parte do projeto de reprimir estudantes e trabalhadores que se contrapõe ao projeto da burguesia paulista de privatizar, terceirizar e deixar ainda mais restrita e meritocrática a USP. Que a luta pelo fora PM hoje dava um salto com a necessária defesa dos 73 presos políticos de rodas e Alckmin e que a polícia desses senhores era a mesma polícia racista e homofóbica que no dia-a-dia assassina jovens negros nas favelas e são coniventes e agentes da homofobia que persiste em mortes e agressões no dia-a-dia das ruas da cidade. Ravenna relatou a enorme conquista para expressão da base estudantil ao colocar de pé o Comando de Greve com delegados eleitos nos cursos como parte da necessidade de forjar uma nova tradição no movimento estudantil brasileiro com uma vanguarda decidida contra a polícia e que leva a frente a luta contra a burocracia no movimento estudantil.

Luizito deixou claro como o projeto da burguesia paulista para a USP sempre foi uma tentativa de hegemonia das idéias deste setor da burguesia para o conjunto do país e desde então era ligado aos interesses mais reacionários. Como estes interesses permaneceram durante a ditadura tendo como um de seus reitores Gama e Silva assim como a USP hoje se baseia em portarias votadas na ditadura militar para processar estudantes e trabalhadores, para manter a demissão inconstitucional do dirigente do Sintusp Claudionor Brandão que hoje se somam com 73 presos políticos na universidade. Este projeto conta hoje com a presença da PM na universidade e sua militarização, que ocorreu nos últimos anos toda vez para reprimir estudantes e trabalhadores em luta. Como bem colocou Luizito os estudantes da UFMG podem se apoiar na luta da USP para levar àcabo a luta contra o projeto de universidade petista que mantêm, como na USP tucana, a terceirização do trabalho, o filtro do vestibular, a polícia na universidade assim como a tentativa de repressão aos que lutam. Tendo vivido os principais processos de luta dos últimos anos da USP Luizito colocou como a luta atual da USP tem que ser também elevada no sentido programático para o questionamento da estrutura de poder da universidade, para destituir o poder reacionário instituído com uma ampla batalha pela derrubada da burocracia acadêmica, a implementação a partir das lutas de um processo estatuinte nas universidades com a derrubada do conselho universitário e um governo tripartite com maioria estudantil.

Bizoca retomou os índices escandalosos da extrema violência da polícia no Brasil para mostrar a polícia de hoje, uma das mais assassinados do mundo, é a mesma polícia que matou e torturou durante os anos da ditadura no Brasil e que hoje em Minas se mantêm com altos índices de assassinados, também devido àpersistência dos reacionários grupos de extermínio no seio da polícia racista mineira. Esta mesma que só existe com a repressão constante aos movimentos sociais e de trabalhadores como visto na grande greve dos professores de Minas. Como esta persistência da herança da ditadura militar no Brasil é a mesma herança, como disse a companheira, que cada vez mais militariza espaços públicos como se vê hoje nas ruas de Belo Horizonte com a política de higienização por parte da prefeitura de Márcio Lacerda apoiada pelo PT e PSDB com as constantes desocupações, criminalização de jovens como “Os Piores de Belô†e transformação da cidade num grande terreiro de obras a serviço dos interesses capitalistas e da prefeitura e governo para a Copa, que para existir precisa reprimir e desalojar jovens, a população e trabalhadores.

Desde o plenário os estudantes presentes expressaram tanto suas angústias em relação a um movimento estudantil que ainda se coloca para trás do debate das principais lutas do país e a persistente institucionalização do movimento estudantil que em sua grande maioria corre por dentro da estrutura de poder reacionária das universidades. Também foram feitas falas de como os estudantes devem se organizar e colocar os problemas da universidade ligados aos problemas da população fora da universidade como parte de ir contra o projeto elitista de universidade existente no Brasil.

Bernardo Andrade, militante da Juventude às Ruas, estudante da filosofia da Fafich e que mediou o debate, colocou a necessidade dos estudantes da UFMG passarem a ser agentes da contestação do projeto universitário petista que, assim como o tucano, visam a manutenção de poucos centros de excelência com a ampliação do ensino precário para a maior parte dos estudantes. Como a UFMG era exemplo disso quando no campus da Pampulha estavam concentrados grande parte dos cursos de excelência, este que só pode se manter com a precarização do Reuni em Montes Claros, onde tem a maior parte das vagas deste projeto do governo federal de Dilma. Como ambos os projetos estão de mãos dadas com a terceirização do trabalho, a inserção do investimento privado nos cursos àrevelia da entrada do conjunto dos jovens num ensino público, gratuito e de qualidade com o fim do vestibular. E como todo este projeto visa a instalação, em breve, de uma grande reforma do prédio da Fafich com a instalação de catracas, retirada dos espaços estudantis e retirada das arenas e espaços de concentração para a construção de salas de professores para deixar a universidade ainda mais de costas àreal vida universitária que deve ser marcada pelo debate de idéias, políticos e de festas visando reduzir os espaços do estudantes no questionamento da atual universidade de classe para uma universidade ligada aos interesses dos trabalhadores e do povo.

Ravenna convidou todos os presentes a conhecer, discutir e os que já atuam junto a Juventude às Ruas e se organizar na Juventude como parte da luta por um projeto no movimento estudantil ligado realmente àluta de classes, às lutas dos estudantes da USP, do Chile e do Egito e às batalhas que temos que dar junto aos trabalhadores e ao povo para questionar o conjunto do sistema de ensino e a versão petista da burocracia acadêmica presente na UFMG assim como para superar as amarras que mantêm o movimento estudantil do Brasil ainda por fora dos grandes desafios que temos enquanto jovens, estudantes e militantes contra a polícia racistas e homofóbica, seus governos capitalistas e repressores e seus agentes na universidade conformados pelas reitorias e diretorias de unidades.

Fora polícia da USP, universidades morros e favelas!

Pela retirada imediata dos inquéritos ilegais aos 73 presos políticos da USP!

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