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GESTAMP NA ARGENTINA

Gestamp | Mensagem desde a ponte rolante

29 May 2014   |   comentários

Escrevo estas linhas sobre a ponte rolante. Aqui não há somente motores e polías. Aqui há nove homens, com suas contradições e medos, mas com gana e uma força enorme. Quando decidimos entrar, a polícia nos seguiu, mas tiramos as forças e conseguimos cruzar a porta.

DE ROBERTO AMADOR, TRABALHADOR DEMITIDO DE GESTAMP

Escrevo estas linhas sobre a ponte rolante. Aqui não há somente motores e polías. Aqui há nove homens, com suas contradições e medos, mas com gana e uma força enorme. Quando decidimos entrar, a polícia nos seguiu, mas tiramos as forças e conseguimos cruzar a porta.. Todos corremos até a ponte. E os companheiros ficaram gelados. A “casualidade†quis que a ponte grua estivesse posicionada perfeitamente e, apesar de os policiais terem espancado dois companheiros entre nossos gritos de raiva conseguiram soltar-se e subir.

Uma vez em cima, passamos frio. E sem bom alimento, o frio se pontencializa ainda mais. Bancamos a noite sobre papelões. Dormimos em grupos. Tivemos que caminhar sobre os trilhos da ponte, mostrando-lhes que não brincamos. Dessa forma nos deixam entrar coisas a conta gotas. As oficinas de gerência se transformaram num verdadeiro quartel militar. Há uniformes de todo tipo. E homens dentro desses uniformes que nos olham com ódio. Se lhes nota nervosos.
Não está descartado uma reintegração, mas posso assegurar-lhes que seria um caos com possibilidade de uma tragédia. Não há muita superfície desde onde lutar aqui em cima, na ponte grúa.

Em plena noite escutamos a agitação dos piquetes. Isso nos dá mais força, mais do que há sobre esta ponte que diariamente carrega toneladas. Todos estamos aprendendo que sem medo não há coragem.

Os negociadores tentam perfurar nossos ouvidos; os fiscais, fazer-nos sentir culpados, e os policiais nos hostilizam ao ponto de fazerem chacota. Mas aqui há valor. O valor de uma classe que aprende que seus inimigos usam uniforme e que os patrões e seus fiscais não têm as mãos sofridas como a dos operários.

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