Juventude

2ª SESSÃO DO CURSO MARXISMO E CLASSE OPERà RIA EM RIO CLARO

Frente àcrise, é preciso tomar partido

15 Nov 2008   |   comentários

No dia 1º de novembro ocorreu a segunda sessão do curso marxismo e classe operária em Rio Claro, organizado pela LER-QI e pelo Movimento A Plenos Pulmões, em que estiveram presentes cerca de 30 pessoas, entre estudantes da Unesp de Rio Claro, Bauru e Araraquara, estudantes secundaristas e trabalhadores, para debater as origens e as contradições da crise económica atual e como nos organizarmos frente aos ataques que virão.

O debate foi iniciado com uma intervenção de abertura por Thiago Graco, militante da Liga Estratégia Revolucionária e do Movimento A Plenos Pulmões. Ele abriu o debate pontuando os elementos gritantes da crise atual, como os trilhões gastos nas últimas semanas por EUA e União Européia para tentar salvar os banqueiros e as respostas que já começam a aparecer frente àcrise, como as mobilizações na Grécia e a luta exemplar do movimento estudantil italiano que se enfrenta com a polícia e com os fascistas. Seguiu fazendo um breve histórico das crises recentes do capitalismo, como o crack de 1929, crise que se estendeu em todo os anos 30 e gerou uma corrida desenfreada do imperialismo que culminou na Segunda Guerra Mundial; a crise dos 70, que transformou o modelo de Breton Woods onde o dólar passou a ser lastro monetário internacional, e foi marcada por grandes convulsões no mundo todo, como a luta operária e estudantil francesa em 68 e a Revolução dos Cravos. A crise dos 90, a crise das "pontocom" e a crise de 2001, que desencadeou fortes mobilizações de massas na América Latina, como na Argentina e Bolívia.

Discutimos então alguns conceitos básicos da teoria económica marxista que são essenciais para a análise dos elementos da crise atual, como o conceito valor e a origem das riquezas, a caracterização de Marx de classe operária(e as transformações atuais no mundo do trabalho), capital constante e capital variável, a mais-valia, a lei da queda tendencial da taxa de lucro, entre outros conceitos centrais do pensamento marxista.

A partir disso, pudemos discutir alguns elementos marcantes da crise atual, como a bolha do mercado imobiliário norte-americano e europeu, o impacto de uma crise na principal potência imperialista, os papéis que irão ocupar a China e o Brasil, as conseqüências da guerra do Iraque e do conflito na Geórgia. Debatemos como todos eles explicitam claramente a vigência da fase imperialista marcada por crises, guerras e revoluções, já caracterizada por Lênin em 1915 pela concentração da produção e do capital em monopólios, pela fusão do capital industrial e do capital bancário que gera uma oligarquia financeira. Outro elemento que Lenin aponta é a partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes, o que já nos trouxe um outro debate sobre a o papel dos Estados, que somente pelos últimos resgates trilionários dos banqueiros, deixam muito vivas as palavras de Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista, quando escrevem que o Estado capitalista nada mais é do que uma junta que administra os negócios da burguesia. Um outro ponto importante dessa crise é o fato da disparidade entre a curva da taxa de acumulação e da taxa de lucro, um elemento que aparece na década de 80 e é algo que nunca havia acontecido anteriormente na história, o que nos deixa claro a necessidade de entender o marxismo enquanto uma teoria viva, revolucionária, que ao mesmo tempo que retoma todas as lições dos grandes intelectuais, faz isso sem dogmatismo, conseguindo analisar e responder a todas as características novas da realidade.

Após essa abertura, ocorreram perguntas e intervenções que suscitaram elementos importantes para a análise e debate, que nos levaram a aprofundar os elementos da crise, discutir o processo de burocratização da Revolução Russa, a questão da migração (e o papel que ocupará as lutas dos trabalhadores latinos nos EUA e dos imigrantes africanos na Europa), discutir a centralidade da classe operária enquanto sujeito revolucionário e o por quê de um partido revolucionário.

Encerramos essa sessão e partimos para a próxima, que ocorrerá no dia 29 de novembro. Sem dúvida alguma, foi uma sessão muito importante para o entendimento da crise, mas também para refletir sobre qual é o sentido de nossas vidas. Qual é o sentido que a juventude quer der as suas vidas frente a tanta miséria, barbárie e irracionalidade que marca a sociedade capitalista e que se intensificarão no futuro próximo? Como nos prepararmos para que a vanguarda operária e estudantil se funda aos trabalhadores terceirizados, àjuventude negra da periferia, a classe operária industrial e ao movimento estudantil que sairão em luta aos saltos e abruptamente com o desenrolar convulsivo da crise? Como impedir que essa força que surgirá não seja mais uma vez traída e contida pelas direções reformistas e conciliadoras?

Os acontecimentos dos últimos meses nos tem mostrado que a tarefa de lutar pela construção de um partido revolucionário no Brasil e no mundo é essencial, e que a história não irá nos esperar. Por isso, fazemos o convite aos trabalhadores e a juventude de desde já nos ajudar a construir a LER-QI. Precisamos avançar nessa luta tão necessária e apaixonante, construindo uma organização de centenas de dirigentes operários marxistas e intelectuais orgânicos da classe operária, que transforme cada luta cotidiana em escola de guerra, que torne cada enfrentamento em lições para a independência de classe, e que toda essa contribuição com programa e estratégia sirva para lutar pela construção de um forte e massivo partido operário revolucionário e internacionalista, num processo de rupturas e fusões que se dão nos momentos de ascenso da luta de classes como os que estão por vir. É preciso, desde já, tomar partido.

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