Internacional

VIII CONFERÊNCIA DA FT-CI

Foi lançado o Movimento por uma Internacional da Revolução Socialista – IV Internacional

07 Sep 2013   |   comentários

Em 25 de agosto se realizou no estádio coberto de Atlanta na cidade de Buenos Aires na Argentina, o Ato Internacionalista que encerrou a VIII Conferência Internacional da Fração Trotskista – Quarta Internacional (FT-CI) com as consignas: Viva a luta dos trabalhadores e da juventude! Abaixo a repressão dos militares golpistas no Egito! Que os capitalistas paguem pela crise! Por uma Internacional da revolução socialista, a Quarta (...)

Em 25 de agosto se realizou no estádio coberto de Atlanta na cidade de Buenos Aires na Argentina, o Ato Internacionalista que encerrou a VIII Conferência Internacional da Fração Trotskista – Quarta Internacional (FT-CI) com as consignas: Viva a luta dos trabalhadores e da juventude! Abaixo a repressão dos militares golpistas no Egito! Que os capitalistas paguem pela crise! Por uma Internacional da revolução socialista, a Quarta Internacional!

Fizeram uso da palavra companheiras e companheiros dirigentes do Chile, Brasil, Bolívia, México, Estado Espanhol, França, Alemanha, Venezuela, Costa Rica e Uruguai. Assim foi possível conhecer a intervenção de cada uma das organizações que integram a Fração Trotskista na atual conjuntura da luta de classes e as principais conclusões votadas na Conferência.

Trechos do discurso de encerramento de Christian Castillo

“Abrir a discussão com a esquerda anticapitalista e a vanguarda operária e juvenilâ€

A seis anos da crise capitalista mais importante desde o final da segunda guerra mundial, com os resgates bilionários que provocaram um crescimento astronômico das dívidas estatais e os ataques contra os trabalhadores, os governos capitalistas conseguiram que até o momento esta crise não se transforme em uma depressão mundial generalizada como na década de 1930, mas todos os prognósticos falam de que pelo menos por vários anos ainda a economia dos principais países capitalistas continue praticamente estancada.

Nas últimas décadas do século XX, com o neoliberalismo, vivemos uma ofensiva do capital em toda a linha, que arrasou com várias conquistas operárias, incluindo a restauração capitalista na União Soviética, Europa do Leste e China. Estas vitórias permitiram uma sobrevida ao capitalismo mas não eliminaram suas contradições - como demonstra a crise em curso - mas de certa forma as aprofundaram. Nestes anos de crise, estamos assistindo o início de grandes convulsões políticas que a classe trabalhadora terá que responder. Uma classe trabalhadora que é hoje uma imensa força social que se ampliou a nível mundial, com grandes batalhões em todos os rincões do planeta. Mas que está fragmentada e majoritariamente desorganizada ou com direções adaptadas ao domínio do capital, que a condenam a impotência, como vemos na Europa. Assim como é falso que a crise por si só termine com a dominação capitalista, também é mentira que o capitalismo saia ileso de sua crise. Depende da resposta da classe trabalhadora. Nossa grande aposta é que no calor das lutas em curso, a classe trabalhadora desenvolva sua consciência de classe e se apresente como alternativa de poder àdominação capitalista e que suas lutas tomem um caminho revolucionário. Uma consciência que não surge automaticamente da própria luta mas que necessita da intervenção dos revolucionários, do programa e da estratégia marxista, que condensam a experiência histórica da classe trabalhadora. Esta é, nada mais e nada menos, nossa grande tarefa. A construção de organizações revolucionárias em cada país e uma internacional revolucionária.

Como não poderia ser diferente, estes acontecimento estão pondo a prova a teoria e o programa dos revolucionários. O Egito mostrou novamente o desastre a que leva a chamada “teoria da revolução democrática†, isto é, a subordinação política da classe operária as direções burguesas na luta contra uma ditadura ou um governo reacionário. Na esquerda, se chegou ao cúmulo de defender a ilegalidade da Irmandade Mulçumana e que a repressão não seja “tão dura†, como fez a LIT, a organização internacional impulsionada pelo PSTU do Brasil. Uma vergonha.

Na Síria o imperialismo ianque aumenta suas ameaças de intervenção enviando novos barcos àregião. Aqui podemos ver se repetir a tragédia da Líbia, onde os grupos que tomaram a direção dos levantes contra a ditadura de Kadafi, terminaram nos braços da potências imperialistas, promovendo a intervenção armada dos ianques e da OTAN, posição que também foi justificada por parte da esquerda mundial.

As tarefas dos revolucionários

Grande parte da esquerda anticapitalista e socialista a nível mundial se ajoelharam frente aos novos fenômenos que surgiram no calor da crise capitalista. Na Europa, seus partidos passam por fortes crises e suas direções se adaptam ao neoreformismo do Syriza, da Front de Gauche de Melenchon e do PC ou da Izquierda Unida no Estado Espanhol, organizações que buscam canalizar o descontentamento das massas no marco das democracias imperialistas degradadas de seus respectivos países. Na América Latina vimos uma esquerda adaptada ao nacionalismo burguês de Chávez e ao frente populismo camponês de Evo Morales, para não falar daqueles que defendem governos mais de direita como os de Kirchner, da Frente Ampla no Uruguai ou do PT no Brasil. Hoje, como foi mencionado nesta tribuna, as massas estão começando a desafiar estes governos pela esquerda.

Nosso partido, o PTS, se orgulha de fazer parte, junto aos companheiros do PO(Partido Obrero) e da IS(Izquierda Socialista), da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, que defende em seu programa a independência política dos trabalhadores em relação a todos os bandos capitalistas, que levanta não só as reivindicações imediatas dos trabalhadores e das massas exploradas mas também medidas transitórias que afetem diretamente a propriedade capitalista e luta por um governo dos trabalhadores e do povo imposto com a mobilização da classe trabalhadora e do conjunto dos oprimidos.

Enquanto damos esta batalha, falamos com clareza que a Frente de Esquerda é um meio para um fim superior: a construção de um grande partido revolucionário da classe operária, que com dezenas de milhares de militantes, possa conquistar a direção de uma fração minoritária mas relevante da classe trabalhadora e da juventude e ter um papel decisivo na crise capitalista que se aproxima.

Colocar de pé um Movimento por uma Internacional da Revolução Socialista

Discutimos no nosso último Congresso e com todas nossas organizações irmãs nesta semana de conferência, que nossa corrente internacional deve levantar uma política àaltura dos desafios colocados pela atual etapa da luta de classes.

Hoje estamos em uma nova situação. Nossa proposta de abrir a discussão para colocar de pé um Movimento por uma Internacional da Revolução Socialista – Quarta Internacional se dirige tanto às correntes e militantes da esquerda anticapitalista e socialistas que defendem uma perspectiva de independência de classe (entre os quais estão setores a esquerda dos partidos do antigo Secretariado Unificado e os companheiros da CRCI que integra o PO), como novos setores operários e juvenis que começam a surgir nas lutas em curso. Por isso, só poderíamos aceitar a proposta que acaba de fazer o companheiro Marcelo Ramal(dirigente do PO) nesta tribuna e manifestarmos nossa disposição para discutir a organização de um Congresso de organizações socialistas e revolucionárias da América Latina que possa ser uma passo para a reconstrução de uma internacional revolucionária.

Dentro de poucos dias, em 3 de setembro, se comemoram 75 anos da fundação da Quarta Internacional. Em circunstâncias diferentes, é nossa vez de continuar este combate para dotar a classe trabalhadora de uma direção revolucionária internacional que possa leva-la a vitória, enterrar para sempre este sistema de exploração e opressão e abrir o caminho para uma sociedade comunista, onde toda a humanidade possa gozar das criações da arte, da cultura e da ciência e onde as guerras e a miséria sejam só uma recordação negativa do passado.

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