Quinta 18 de Julho de 2019

Movimento Operário

TERCEIRIZADOS DA REVAP: UM PRIMEIRO BALANÇO DOS 30 DIAS DE GREVE

Faltou uma direção que coordenasse as lutas para vencer

17 Jun 2008 | No ultimo sábado (14/06) a greve dos trabalhadores terceirizados da Revap (Refinaria Henrique Lage), localizada em São José dos Campos-SP, completou 30 dias e, nesta segunda (16/06), foi encerrada em assembléia pela manhã. Os mais de 10 mil trabalhadores terceirizados lutaram não só por melhores salários e direitos, mas também nos deram um grande exemplo de luta antiburocrática contra as direções tradicionais do sindicato vinculado a CUT. Nós da LER-QI prestamos nossa solidariedade ativa a esse importante processo e conhecemos de perto a heróica e exemplar luta travada por esses companheiros que fazem parte de um setor estratégico da produção.   |   comentários

Os cerca de 10 mil trabalhadores
da Revap são contratados por um consórcio de 12 empresas
prestadoras de serviços para tocar as obras de modernização das refinarias junto com grandes empreiteiras como a OAS e outros
grupos que giram em torno das obras da Petrobrás em todo o país. Para este projeto de modernização
estão reservados US$ 2 bilhões (quase R$ 4 bilhões), dos quais a Petrobrás financia cerca de US$ 900 milhões numa negociação
com um conglomerado de bancos japoneses liderado pelo Japan (anti-spam-(anti-spam-Bank)) for International Cooperation.

No entanto, desses vultosos recursos que incluem as obras do PAC do governo Lula, os trabalhadores
terceirizados da Petrobrás não sentem nem o cheiro. Bilhões de dólares correm soltos nas mãos dos governos, dos grandes bancos internacionais e dos mega-empresários
da construção civil, enquanto
o salário - atrasado - pago aos serventes e ajudantes é cerca de R$ 630,00; pedreiros, encanadores,
eletricistas prediais, cerca de R$ 750,00; mecânicos e oficiais de montagem industrial, por volta de R$ 950,00; além da periculosidade
da função e a distância dos familiares.

Uma luta com elementos de radicalização e sem direção estratégica

Com essas condições os trabalhadores da Revap puderam adquirir a consciência de que seu trabalho é essencial, que são operários
necessários e imprescindíveis,
que permitiu a eles ousar e assumir posições mais avançadas. Esses elementos de espontaneidade
e rebeldia possibilitaram que, por mais de uma vez, quando a burocracia da CUT tentou retomar
o controle das assembléias, os operários atacassem o carro de som e o presidente do sindicato teve que sair escoltado.

Depois de 30 dias de uma dura luta, os trabalhadores encerraram
a greve com 10% de reajuste
salarial, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 1.500,00, melhoria no percentual de horas extras, abono da terça-feira de Carnaval, estabilidade de 90 dias e reembolso da passagem, a cada 120 dias, para trabalhadores que moram a mais de 200 km da Revap. Mas os trabalhadores terão 27 dias de greve descontados.

O dirigente do sindicato dos metalúrgicos Donizete, membro do PSTU/Conlutas, que cantou vitória com o resultado do conflito, porém dois dias antes considerava essa proposta como “indecorosa†, explicando que “os trabalhadores ficaram revoltados, e com razão. Afinal, depois de tanto tempo esperando
uma proposta, o que chega
é um absurdo desses. Por isso, eles decidiram pela continuidade da greve†. Por que mudou de opinião
tão rápido?

Ora, uma greve que enfrentou
os pelegos da CUT, expulsou os dirigentes, apedrejou o carro de som, bancou os 30 dias com piquetes
toda madrugada, elegendo uma Comissão de Trabalhadores para dirigir junto com a Conlutas/PSTU, não poderia acabar com essa proposta, que inclusive ficou abaixo da apresentada pelo Tribunal
Regional do Trabalho de Campinas,
no dia 26/05, que garantia o pagamento de metade dos dias parados. Não podemos concordar que a direção da Conlutas/PSTU deixe de fazer um balanço sério desse processo e se apresse a cantar
vitória quando os trabalhadores,
que tudo fizeram, amargarão a perda de 27 dias. Mesmo descontando
nas férias, ou seja, não serão sentidos agora, os trabalhadores fizeram 30 dias de greve para deixar,
ao final de um ano trabalhado, um mês na mão da patronal, como uma punição por haver lutado.

Os trabalhadores fizeram todo o possível, mas faltou uma direção àaltura

Apesar da demonstração combativa e dos elementos de radicalização
que os trabalhadores apresentaram, faltou uma direção com clara estratégia para vencer a patronal, os burocratas da CUT e a justiça. Uma luta que poderia ter sido exemplar, para todos os trabalhadores,
terminou como mais uma campanha salarial rotineira.

Os trabalhadores deram tudo de si. Mas era necessário que os dirigentes utilizassem o peso da Conlutas, reunindo seus sindicatos e militantes para preparar uma exemplar campanha de apoio e solidariedade, criando um fundo de greve para manter os grevistas, coordenando esta greve com os operários da GM e os metalúrgicos
das outras fábricas, que deveriam
ser chamados para um plano de luta efetivo, com paralisações conjuntas, envolvendo outras categorias
em luta ’ como os químicos
da Johnson & Johnson ’ e os trabalhadores e a juventude nos bairros.

Do outro lado, a patronal se preparou para minar as forças dos grevistas, demitindo, convocando
a repressão policial e esperando
o desgaste dos trabalhadores, contando com a impotência da direção em conduzir as lutas que ocorriam na região ’ junto com a Revap havia outras greves, além do processo da GM ’ com um plano de guerra que fizesse jus àforça dos trabalhadores.

O que se viu nesses 30 dias foi a demonstração de que os setores
mais explorados ’ terceirizados,
precarizados, com baixos salários ’ quando saem àluta não vacilam, o que exige ainda mais uma direção àaltura. Esta greve mostrou que esses setores explorados
darão os mais abnegados trabalhadores, que podem avançar como nova direção combativa e classista, superando os burocratas sindicais no enfrentamento com a patronal.

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