Domingo 16 de Junho de 2019

Movimento Operário

DEPOIMENTOS

Falam os trabalhadores...

31 Oct 2008 | Publicamos abaixo depoimentos de diversos trabalhadores (as) sobre a crise capitalista e a situação da classe trabalhadora.   |   comentários

"A crise não é culpa dos norte-americanos, mas sim do conjunto da burguesia. E tanto Bush quanto Lula socorrem os banqueiros. Os políticos farão de tudo pra salvar os ricos e sacrificar os pobres. Se preparar para a crise não significa poupar dinheiro. Os trabalhadores precisam se ver como uma classe capaz de transformar a realidade. A solidariedade entre os trabalhadores é a alternativa para barrar as demissões e o arrocho salarial que virão, e como não existem fórmulas para tornar a sociedade capitalista digna, o ataque àlógica burguesa deve ser permanente e sem fronteiras. Não podemos aceitar o papel submisso que a burguesia nos atribui. A crise é uma prova trágica de que o capitalismo tem que cair, tem que ser derrubado."
W., operário do ABC

"É de conhecimento de todos que vivemos atualmente uma grande crise económica mundial, que teve inicio no maior país capitalista da atualidade, os EUA. Esta análise vem sendo aprofundada em nosso jornal em várias edições, pois desde o início quando os atingidos eram apenas os americanos, ao contrário dos analistas financeiros ligados ao patrão, vínhamos discutindo que a qualquer momento esta crise afetaria a economia de outros países ligados direta ou indiretamente aos EUA. Uma constatação desta análise são as últimas atitudes da União Européia que vem tomando medidas extremas para salvar o capital e a propriedade de seus patrões (empresários, banqueiros etc.). No Brasil o governo federal (Lula) acaba de aprovar medidas para salvar “pequenos†banqueiros e “médios†empresários, e também garantir que os grandes empresários recuperem seus lucros estratosféricos. Descarregando desta forma todo o prejuízo da crise nas costas dos trabalhadores! (...) Nunca vimos nenhum governo do mundo, em toda a história, aprovar pacotes de emergência para acabar com a miséria das famílias trabalhadoras famintas, mas para salvar o capitalismo e a riqueza da burguesia se trancam em conferências internacionais de onde voltam aos seus países de origem com os grandes planos económicos “salvadores†. Afinal, já virou uma prática apoderar-se dos lucros e socializar os prejuízos. A esquerda mundial deve se reunir em seus sindicatos e lideranças partidárias para orientar e conscientizar suas fileiras de trabalhadores, pois de outro modo seremos mais uma vez os devedores de outra dívida não adquirida por nós. Em outras palavras, pagaremos com nossos impostos e o suor de nosso trabalho as mazelas geradas pela burguesia e sua sede de lucro. (...) Fazemos, aqui, um chamado a toda a esquerda deste país e suas correntes internacionalistas a travarmos juntos essa luta contra a patronal e o capitalismo que apodrece cada dia mais a vida dos povos em todo o mundo.
Eusébio Costa ’ delegado de base do Sintusp pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) e militante da LER-QI

"Sou funcionário da USP desde 1984, filiado ao Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) desde 1986. Tivemos muitas conquistas e algumas derrotas, mas não desanimei nunca. Já passamos por várias crises e apertos na nossa vida, e só conseguimos vencer estas situações ruins com muita luta, através do nosso sindicato. Acontece que hoje eu tenho mais preocupação por conta desta crise mundial. (...) Já estou cansado de ouvir políticos em tempos de eleições prometer coisas impossíveis de se cumprir e, depois de eleito, virar as costas aos mesmos eleitores que o elegeram, como foi o caso do presidente Lula, que traiu o país, e, se aliando a eles [empresários, banqueiros], tanto falava mal quanto hoje andam lado a lado. Esta será uma crise que deixará seqüelas por muito tempo. O que eu vejo num futuro bem próximo é muito mais pedintes nas ruas do que hoje. Essa crise mundial pode desencadear uma onda de violência ainda maior, e desencadear para uma coisa ainda mais grave que uma guerra “civil†mundial. Temos que fazer algo já. As pessoas que acham que essa crise é passageira para si estão enganadas, pois podem sofrer muito mais do que aquelas que já perceberam bater na sua porta ou em sua carteira. Temos que organizar passeatas e marchas, e pressionar o governo federal para deixar de socorrer os banqueiros sacrificando ainda mais a pobreza deste país, que não é pequena."
Raimundo José da Silva (Rai) ’ diretor de base do Sintusp pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP)

"O governo Lula foi eleito prometendo mil coisas para os trabalhadores. Hoje vemos que o verdadeiro interesse desse governo da burguesia é solucionar somente os seus próprios problemas e para os trabalhadores o que sobra é exploração e pobreza. Ouço muitas pessoas falarem da crise económica como se fosse uma coisa distante, mas cada vez mais vemos que essa crise já chegou e vai estourar do lado mais fraco, ou seja, pra cima dos trabalhadores. Vejo que em uma situação como essa não podemos continuar tratando de ver somente nosso "umbigo", mas precisamos conversar e explicar para todos os companheiros e pessoas que conhecemos a realidade de nosso país, e que se não fizermos nada pra lutar contra essa situação essa crise vai aumentar a nossa pobreza e nossa miséria."
Marta (trabalhadora da USP)

"Muita gente está dizendo o que o presidente está falando. Que está tudo sob controle, que não precisamos nos preocupar, que esta crise não atinge o Brasil, ou que está muito longe de nós. Mas com essa crise quem está sofrendo mais são os trabalhadores, os pobres. Sendo prejudicados por férias coletivas forçadas, demissões, redução de salário, aumento dos preços. Se não corrermos agora, talvez não haja mais tempo depois. Temos que nos organizar como classe trabalhadora e fazer uma grande campanha para alertar as pessoas sobre essa crise. Temos que fazer como na campanha da dengue. Quando é período de dengue, todo mundo sai correndo para alertar todo mundo; temos que fazer panfletos, ir pras portas das fábricas e locais onde há pessoas, e conversar com o povo, alertando do que está acontecendo e chamar pra se organizar pra lutar e não aceitar sermos prejudicados."
Silvana (dona de casa e trabalhadora terceirizada da limpeza)

"A precarização das relações de trabalho cresce progressivamente, atacando a classe trabalhadora, seus direitos e organização. Na prefeitura de São Paulo não é diferente. Trabalho em uma escola municipal de educação infantil (EMEI) onde todo o serviço de cozinha e limpeza já está terceirizado. Os terceirizados assumem os postos de trabalho mais mal pagos, ganham menos da metade do que era pago para quem fazia o mesmo serviço antes, e trabalham 8 horas a mais (trabalham mais e ganham menos!). Grande parte do quadro da limpeza e da cozinha é composto por mulheres, e serão esses trabalhadores terceirizados, sobretudo as mulheres, os primeiros a serem atacados pela crise. É preciso se organizar desde já rompendo as divisões na classe trabalhadora!"
Débora, integrante do Núcleo Pão e Rosas da PUC-SP

ATO-DEBATE em homenagem ao MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA
05/11 - 12:00h - no SINTUSP.

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