Internacional

ELEIÇÕES NA ARGENTINA

Excelente eleição da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores nas primárias da Argentina

17 Aug 2013   |   comentários

O forte retrocesso do governo nacional de Cristina Kirchner, que caiu 54% em relação a 2011, mas também em relação aos magros 30 % que obteve em sua pior eleição nas legislativas de 2009, obtendo agora pouco mais de 26% em todo país, se expressou em um fortalecimento das opções apoiadas pela direita, como a Frente Renovadora de Sergio Massa, que venceu na província de Buenos Aires, ou a UCR (coalizão “União Cívica Radical†) de Julio Cobos Mendoza; enquanto isso na cidade de Buenos Aires a mal chamada “coalizão†UNEN [1], na realidade uma reorganização de centro-esquerdistas e centro-direitistas, superou o PRO (Coalizão “Proposta Republicana†) de Macri. Nesse marco, a Frente de Esquerda conquistou quase 900 mil votos a nível nacional em 19 províncias [2], considerando a aliança e seus partidos integrantes, levantando um claro programa de independência política dos trabalhadores.

Obtivemos o terceiro lugar em Mendonça, com 7,7% de votos para a lista encabeçada por nosso jovem dirigente Nicoloas del Cãno (PTS), e em Formosa com 5,2% encabeçado pelo PO.

Na província de Buenos Aires a FIT [3] se destaca no quinto lugar, com quase 340.000 votos (cerca de 4%) para a lista encabeçada por Néstor Pitrola (PO) e Myriam Bregman (PTS), o que coloca a FIT muito próxima de conseguir nas eleições de outubro um ou dois deputados nacionais, legisladores provinciais com a lista encabeçada por Christian Castillo (PTS) na estratégica Terceira Seção Eleitoral da Grande Buenos Aires (GBA, região metropolitana da capital). Nas zonas de maior composição operaria da GBA, as listas da FIT conquistaram ótimas votações.

O sexto lugar em Córdoba também é muito importante, pelos 5,6% dos votos obtidos pela lista encabeçada por Lilian Olivero (IS), acompanhada por “Bocha†Puddu (PTS) operário da indústria automotiva, e Eduardo Salas (PO), com mais de 9% na capital, Córdoba.

Conquistamos o quarto lugar em Neuquén, com 6,7% nas listas para deputados encabeçadas pelo ceramista Andrés Blanco (PTS) e para senadores pela dirigente docente de ATEN (Sindicato dos professores – NdT) Patricia Jure (PO); em Jujuy com 9,3% para a lista em que o coletor de lixo Alejandro Vilca (PTS) era o primeiro candidato, em Salta (11,3%), em Santa Cruz (7,8%) e Rio Negro (6,3%) para as listas encabeçadas pelo PO; na cidade de Buenos Aires, com as listas encabeçadas por Jorge Altamira (PO) para deputados tivemos (4,2%) e Claudio Dellecarbonara (PTS) para senadores (3,7%), e em Santiago (IS) obtivemos 4%.

Em Tucumán, a FIT também conquistou o quinto lugar com 3,9% de votos.

Por sua vez, as listas da FIT conseguiram superar amplamente o piso prescritivo (ver nota 2) em Santa Fé, conseguindo 2,6% para a lista que levou como primeiro candidato o trabalhador de ANSES (equivalente ao INSS brasileiro) Octavio Crivaro (PTS), em Chaco (PO) com 2,5%, La Rioja (IS) com 3,6%, La Pampa (PTS) com 1,51 %, San Juan (IS) com 1,7%.

Esta é a primeira vez que a esquerda realiza uma eleição tão qualitativa e exitosa em todo o país, enquanto em outras oportunidades outras coalizões de esquerda conseguiram números importantes, mas limitados àprovíncia de Buenos Aires, àcapital, ou alguma província do interior.

O mérito da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores não é somente ter se consolidado como coalizão predominante da esquerda, mas sim ter ampliado a defesa do programa operário e socialista e a necessidade da construção de uma alternativa política dos trabalhadores de Jujuy até a Patagônia.

[1A verdadeira “colcha de retalhos†que é a UNEN inclui, por exemplo, Fernando Pino Solanas, da “Coalición Sur†, apoiada por setores da esquerda reformista em sua candidatura àpresidência em 2011, como o MST (ligado ao brasileiro MES de Luciana Genro, corrente interna do PSOL)

[2As votações realizadas na Argentina em 11 de agosto correspondem ao PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias), um sistema de eleições prévias extremamente anti-democráticas em que os partidos e coalizões que não atingem o piso de 1,5% dos votos sequer podem apresentar suas candidaturas nas eleições de fato, que ocorrerão em outubro

[3A Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, na sigla em espanhol) é uma coalizão formada pelo Partido Obrero (PO), a Izquierda Socialista (IS) e o Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS – organização irmã da LER-QI na Argentina). Conformou-se pela primeira vez nas eleições de 2011.

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