Gênero e Sexualidade

Estupro e violência às mulheres: uma triste realidade no Brasil

22 Feb 2015   |   comentários

No Brasil no mínimo 527 mil pessoas são estupradas. Cerca de 89% são do sexo feminino e do total, 70% são crianças e adolescentes.

A notícia é chocante, uma menina de 13 anos sofreu um estupro coletivo na madrugada de domingo (15/02), no bairro Jardim Aliança, em Osasco. Segundo informações do jornal O Dia, ela fugiu de casa após brigar com o pai, por que ele a impediu de ir a uma festa. A jovem estava sozinha quando foi abordada por um grupo de homens e segundo a reportagem foi estuprada por ao menos nove caras.

Um estudo divulgado pelo Ipea, no ano passado, estima que por ano no Brasil no mínimo 527 mil pessoas são estupradas, e que destes casos, apenas 10% são denunciados. Cerca de 89% das vítimas são do sexo feminino e possuem, em geral, baixa escolaridade. Do total, 70% são crianças e adolescentes.

Essa pesquisa demonstra uma triste realidade em nosso país, que os estupros e a violência às mulheres é algo muito presente na vida de milhares de mulheres, principalmente as mulheres pobres e trabalhadoras. Violência essa é fruto de uma ideologia patriarcal e burguesa que enxerga a mulher como propriedade do homem. A mesma ideologia reproduzida e legitimada pelo Estado, governos, Igrejas, empresários e patrões para manter a submissão, opressão e exploração das mulheres.

Recentemente uma série de denúncias de estupros e violência às mulheres dentro da universidade de São Paulo ganharam repercussão na mídia. As graves denúncias serviram de base para a instauração de uma CPI que apurasse os casos de estupros, trotes e violência nas universidades paulistas. Esses casos só confirmam que a violência às mulheres está presente em todos os lugares, seja na rua, no trabalho ou nos locais de estudo, como que as reitorias e a burocracia acadêmica não são capazes de solucionar esse grave problema. Na USP defendemos que as organizações de mulheres sejam protagonistas da luta contra a violência, aliadas as entidades estudantis, ao Sintusp, a Adusp e a toda a comunidade universitária, para conseguir dar uma basta a violência, já que a reitoria se mostrou incapaz de fazer isso.

A opressão as mulheres é um dos pilares da manutenção do sistema capitalista, garantindo dessa forma que a classe operária se divida, mantendo as mulheres nos trabalhos mais precários e nos negando direitos fundamentais. Essa mesma sociedade que durante o carnaval mercantiliza os nossos corpos, impondo padrões de beleza das rainhas de baterias ou fazem apologia ao estupro em propagandas de cerveja, nos impede de exercer livremente nossa liberdade sexual e deixa que milhares de mulheres continuem morrendo vítimas da violência ou pela prática do aborto clandestino.

Por isso nós do grupo de mulheres Pão e Rosas estaremos nas ruas nesse 8 de março e chamamos a todas as mulheres a se mobilizarem em cada local de trabalho e estudo, para construir um grande ato e dizer que basta de estupros e violência às mulheres!

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