Gênero e Sexualidade

Estudantes e trabalhadores da USP organizam dia de mobilização pelas creches

20 Mar 2015 | Nessa terça feira, 17 de março, aconteceu o dia de mobilização pelas creches na Universidade de São Paulo. Organizado pela Frente Feminista da USP, com o apoio de mães, pais e funcionários das creches e da Secretaria de Mulheres do Sintusp, o dia contou com diversos atos debates, em diferentes institutos da universidade, pra discutir essa questão tão importante na vida de muitas mulheres.   |   comentários

Infelizmente o direito a maternidade nos é negado nessa sociedade capitalista que deixa sob nossos ombros o cuidado das tarefas domésticas e dos filhos, na maioria das vezes para uma mulher ser mãe, ela precisa encarar uma dupla ou até tripla jornada. O reitor Marco Antônio Zago, tentando aprofundar ainda mais seu plano de cortes e ataques a universidade anunciou no início do ano que não abria novas vagas nas creches. Um profundo ataque não só as mães, mas a todas as mulheres da universidade.

A não abertura de novas vagas nas creches, assim como o fechamento de um bandejão e o desmonte do hospital universitário fazem parte de um projeto de precarização e privatização da universidade, que pretende cortar todas as atividades que não estão diretamente ligadas ao ensino e pesquisa dentro USP. Desde de então tem se articulado um forte movimento pela abertura das vagas e defesa das creches.
Usando a suposta crise na universidade a reitoria diz que precisa cortar gastos.

Mas ao invés de abrir o livro de contas e mostrar para onde vai o orçamento que a universidade recebe, a reitoria retira os direitos dos setores mais oprimidos. Atacando diretamente a permanência estudantil, fazendo com que os poucos que conseguem furar o filtro social do vestibular, passem por uma situação cada dia mais difícil e vejam sua permanência na universidade ameaçada. Cortando as bolsas de permanência, pesquisa e as vagas nas creches, obrigando que diversas alunas mães escolham entre estudar ou cuidar do seu filho, muitas vezes tendo que levar as crianças para a aula. É dessa forma que a reitoria busca cortar os gastos e salvar a USP da crise, deixando claro que não se importa com as mulheres e os poucos estudantes pobres que entram na universidade.

A defesa das creches é uma luta que deve ser encampada por todo o movimento estudantil, aliado as mães, pais, funcionários e professores. E atividades como esse dia de mobilização em defesa das creches demonstram como é importante a organização dos estudantes para lutar por seus direitos.

Em meio a uma crise nacional da educação, com o governo federal anunciando uma série de cortes no orçamento das universidades federais e no FIES, com os professores do estado de São Paulo em greve contra os ataques do governador Geraldo Alckmin e uma crise aberta as universidades estaduais paulista, faz-se muito necessário a organização de um forte movimento de unidade, contra os ajustes e ataques do governo e da reitoria, em defesa das creches e do direito das mulheres mães de permanecer estudando na universidade.

Dia 26, está sendo chamado um Dia Nacional de Luta pela Educação. E nós mulheres devemos estar na linha de frente desse dia. Nos organizando em cada local de estudo, juntamente com os CAs e entidades estudantis, lutando pelo direito a creches e também contra os cortes do PT e da reitoria. Pois somos nós, os setores mais oprimidos dentro dessa sociedade capitalista, que sentimos mais profundamente os ataques na educação. Por isso na próxima quinta-feira devemos organizar nossa mobilização para lutar em defesa de uma educação realmente pública e para que todas as mães possam ter acesso a creches gratuitas e de qualidade.

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