Movimento Operário

ELEIÇÕES DA APEOESP 2014

Espetacular luta política e votação do PROFESSORES PELA BASE !

14 May 2014   |   comentários

Na zona norte da capital o Professores pela Base enfrentamos todo tipo de fraude, manobras e intimidações. O medo da burocracia petista em perder espaço era tão grande que chegaram a ameaçar não entregar os crachás dos nossos fiscais, e depois se recusaram a deixá-los realizarem seu trabalho, desrespeitando o estatuto recorrentemente. Como se isso não bastasse, os nomes de nossos principais candidatos constavam diferentes na cédula, em relação ao (...)

Em meio a uma situação nacional marcada por crescentes greves, como a atual luta dos professores municipais de SP, ocorreu no dia 06 de maio as eleições para a APEOESP. Após impedir que os professores estaduais se mobilizassem para sua campanha salarial, nada fazendo para organizar a greve convocada pela CNTE no início do ano, a Chapa 1 composta pelo PT e PCdoB (CUT e CTB) adiantou o calendário eleitoral para evitar que qualquer processo político ou da luta de classes pudesse confluir com o início da Copa do Mundo. Atua dessa forma para garantir os interesses nacionais do governo petista. Vai assim àcontramão de mais da metade da população brasileira que está contra os gastos da Copa, e apoiaria que os bilhões gastos aí fossem investidos em transporte, saúde e educação, demandas expressadas nas grandes manifestações de junho do ano passado.

Entretanto, apesar disso, as próprias eleições foram um importante indicador do desgaste que a burocracia petista, tendo Bebel àfrente, vem sofrendo na base dos professores. A crescente percepção de que Bebel e companhia são uma casta parasitária, que ocupou o sindicato para garantir os interesses do PT e os seus próprios, dando às costas aos professores, nada fazendo para reverter minimamente a precarização da Educação, e estando há vários anos longe das salas de aulas, se traduziu na queda da votação da Chapa 1.

Mesmo se utilizando todo o seu aparato, de manobras, mentiras, e de um regimento que praticamente legalizava a fraude, a Chapa 1 em todo o estado teve 53% dos votos, contra 62% nas eleições anteriores. Essa é uma demonstração de que os professores almejam outra prática política no sindicato, aspiração que pode se estender ainda mais a partir da situação que se abre no país, com greves importantes como a dos professores municipais, e de mais de 500 mil trabalhadores públicos. Numa situação desse tipo, não está descartado que a Chapa 1, que segue como força majoritária no sindicato, se desgaste ainda mais, já que seu caráter de freio da luta dos professores se tornará ainda mais evidente.

As chapas de oposição tiveram um crescimento importante, que comprovam essa tendência. A Chapa 2, composta pelo PSOL, que fez uma campanha estadual adaptada, centrando no discurso de “renovação†sem se dar a tarefa de retomar o sindicato das mãos da burocracia para colocá-lo a serviço da luta de classes, teve cerca de 21,50% da votação. A Chapa 3 com os candidatos do PCO, teve cerca de 5% da votação. Ainda que as chapas de oposição tenham saído separadas, a votação que cada uma teve somadas, também caracteriza um espaço para a oposição, que deve ser ocupado por uma política que realmente atenda aos interesses dos professores, e os coloque na perspectiva de retomar a APEOESP para si.

Professores pela Base: retomar o sindicato para a luta de classes

O Professores pela Base, que integrou a Chapa 4 – Oposição Alternativa que estadualmente teve 17% dos votos, impulsionou uma campanha pelo salário mínimo do DIEESE para 30h semanais para todos os trabalhadores da Educação, divisão de alunos por sala, para que nenhum professor fique sem trabalho, e nenhum aluno sem aula, pela efetivação imediata de todos os OFA’s sem concurso. Discutimos com os professores também a necessidade de não pagamento da dívida pública e dos monopólios e organismos internacionais, para garantir mais verbas para a educação pública, gratuita e de qualidade, revertendo a precarização dos professores e da educação no país como um todo. Que o uso dessa verba deveria ser controlado pela comunidade escolar.

Além disso, defendemos o fim dos privilégios dos diretores sindicais, e controle da base sobre seus mandatos, com rotatividade das liberações, e que essas não durem mais que um ano, de modo a permitir que a APEOESP seja um sindicato para organizar a luta dos professores, em unidade com os demais setores que saem às ruas pelas suas demandas. Precisamos de um sindicato militante, em que os dirigentes não tenham privilégios materiais e sociais, que seja realmente independente dos governos e dos partidos burgueses. Demos exemplos de luta e determinação contra as manobras e fraudes da burocracia, principalmente em Campinas e Zona Norte da capital, e fizemos uma eleição muito importante.

Isso se demonstrou em duas regiões em que recém iniciamos nossa construção. Em Marília o nosso candidato Diego alcançou a cifra de uma centena de votos para conselheiro. Na sudoeste da capital, onde atuamos desde a greve do ano passado conformando um comando de greve que reuniu professores de diversas escolas da região, conseguimos vencer as duas urnas onde atuamos em Jaguaré.
Em Campinas, apesar de toda desorganização das forças que compuseram a Chapa 4, que somava o PSTU e a Conspiração Socialista, fizemos uma campanha exemplar, levantando um programa classista e de luta. Já colocamos esse programa na prática apoiando ativamente as merendeiras das escolas Dom Barreto e Vitor Meirelles em luta, levando a que a Chapa 4 chegasse a 21% dos votos.

Em Santo André, apesar da negativa do Renovar/Espaço Socialista, que dirige a subsede, em impulsionar a unidade, conquistamos um importante espaço com Maíra e Ana Paula tendo uma votação de cerca de 235 votos, sendo eleitas suplentes regionais. Isso demonstra o reconhecimento que as companheiras têm dos professores pela sua atuação na greve do ano passado, e no apoio àluta dos trabalhadores da região.

Na zona norte a burocracia não barrou os Professores pela Base

Na zona norte da capital o Professores pela Base enfrentamos todo tipo de fraude, manobras e intimidações. O medo da burocracia petista em perder espaço era tão grande que chegaram a ameaçar não entregar os crachás dos nossos fiscais, e depois se recusaram a deixá-los realizarem seu trabalho, desrespeitando o estatuto recorrentemente. Como se isso não bastasse, os nomes de nossos principais candidatos constavam diferentes na cédula, em relação ao que foi entregue àcomissão eleitoral.

Além disso, a urna das escolas Alberto Cardoso/Rafael que teve a votação tumultuada pelo membro da comissão eleitora pela Chapa 1, Vinicius, fez de tudo para que a eleição não transcorresse, chegando a ameaçar a mesária da Chapa 4. Essa é a segunda vez consecutiva que a urna da escola Alberto Cardoso é impugnada pela Chapa 1, que demonstra que está disposta a impedir que se expresse a posição dos professores que não os apoiam, recorrendo para isso a métodos que são completamente alheios aos trabalhadores. Nas eleições passadas isso já ocorrera nessa mesma escola. Na urna CEPAV/FRONTINO mediante manobras a urna também foi impugnada. Os professores não podem ter suas vozes caladas dessa forma! Por isso, é preciso impulsionar desde já uma campanha pela realização de novas eleições nessas três escolas, e que sejam apuradas no mesmo dia, sob a fiscalização dos professores dessas escolas, sem que as urnas fiquem na subsede totalmente àmercê de todo tipo de fraudes.
Mas, nada disso foi capaz mascarar como a burocracia está decadente.

A Chapa 1 na zona norte caiu de 75% para 53% uma queda de 22% ou quase 1/3 de seus votos. Para o conselho elegemos Ana Luiza, Paulo Gabeira, Adriana Paula e Jomo. Dos 5 suplentes 4 integram o Professores pela Base sendo eles: Gabriele, Marcio Barbio, Paula e Alda.

Por fim, a corrente PROFESSORES PELA BASE, passa a partir da próxima gestão integrar a Direção Estadual Colegiada (DEC) com dois membros, que ocuparemos de maneira rotativa entre os membros de nossa corrente, e que servirão para combatermos desde dentro os privilégios dos diretores, a política da burocracia, e que em cada RE nos comprometemos a apresentar um relatório de toda atividade realizada por esses dois companheiros. Achamos que essa prática deveria ser seguida também pelos demais membros da DEC a começar pelos eleitos pela chapa 4. Agradecemos a todos os professores que votaram em nossos candidatos, e chamamos para que juntos recuperemos a APEOESP das mãos da burocracia para a luta, e para as ruas, em defesa de todos os professores e trabalhadores da educação.
Primeiras tarefas: lutar contra a fraude, e pela unidade com os municipais

A força obtida pelos candidatos do Professores pela Base se colocará imediatamente a serviço de duas tarefas urgentes. A primeira é impedir que se naturalize a atuação fraudulenta e burocrática da Chapa 1, que impugnou as urnas do CEPAV e do Cardoso Alberto na zona norte.

Chamamos todos os professores em geral, e dessas escolas em particular, a impulsionar uma campanha contra essa prática, e pela realização de novas eleições nessas unidades. Não podemos permitir que a burocracia siga atropelando a vontade dos professores.
A outra tarefa de extrema importância é construir a unidade com os professores municipais em greve. Há condições concretas para que se dê uma luta exemplar da Educação. Além dos professores municipais de SP, estão em greve os professores estaduais e municipais do Rio de Janeiro, e de outros estados, como Minas Gerais. A educação é uma demanda central posta pelas manifestações de junho, que já está voltando àcena. Nós, professores do estado, precisamos ultrapassar o freio que é a burocracia do PT e PCdoB, e tal como fizeram os garis do Rio de Janeiro, impor com a força de nossa mobilização uma luta séria por nossas demandas. Há clima nacional para isso.

Por isso, chamamos a todos os professores a integrarem a coluna do Professores pela Base na assembleia dos municipais em 15/05, em que construiremos na prática a unidade de todos os professores, e nas manifestações do 15M, em que a juventude e outras categorias de trabalhadores em luta se manifestarão pelas suas demandas. Há que unificar essas mobilizações chamando a uma grande paralisação nacional para unir as greves, retomar as demandas de junho, e lutar pelo salário mínimo do DIEESE para todos os trabalhadores! É com essa perspectiva que devemos ir também àassembleia do dia 16/05 convocada pela APEOESP, desmascarando a direção governista da Chapa 1, e sua política de divisão e imobilismo!

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