Nacional

Entrevista com trabalhador da Mercedes Benz

14 Jan 2015   |   comentários

O Palavra Operária entrevistou E., trabalhador da Mercedes Benz com 10 anos de fábrica que está afastado pelo regime de Lay-Off desde julho do ano passado.

Palavra Operaria – Você está em Lay Off desde julho do ano passado, como está sendo esse processo?

O Lay off foi uma decisão tomada entre empresa e sindicato para lidar com a queda de produção. A empresa escolheu 1200 companheiros e saímos em lay off em julho. Na minha opinião o lay off não é bom para nós. A empresa trabalhando bastante tempo sem a gente, vai dizer que não precisa mais de nós, além de ser mais "tranquilo" demitir alguém quejá não está na fábrica. E para quem ficou trabalhando também é ruim, pois está "deixando o couro", ou seja, tendo que se desdobrar para fazer o serviço de quem saiu. E eles acabam fazendo porque a empresa faz terrorismo diariamente.

Com certeza daria para manter todos trabalhando. Pergunta na fábrica se o serviço tá moleza, se os companheiros não gostariam de ter mais um em seu posto de trabalho.

PO – O que acha que deve ser feito para barrar as demissões e vencer?

Em primeiro lugar, a luta tem que estar na mão do conjunto dos trabalhadores, as decisões não podem ficar nas mãos de meia dúzia. E acredito que nossa maior arma é a greve, mas buscando solidariedade não só de outras empresas, mas de outras categorias também.

PO – O que opina sobre a política do governo Dilma?

As primeiras medidas do governo petista nesse segundo mandato só reforçam o que eu já acreditava, que o compromisso deles é com os interesses dos ricos e não do povo.

PO – O que opina sobre a política do sindicato?

A posição do sindicato é de total traição aos trabalhadores. Por exemplo, a nossa luta atual tem se baseado num acordo que foi empurrado "goela abaixo" em nós pelo sindicato. A comissão de fábrica foi vaiada na assembleia em que apresentou a proposta do acordo, não colocou em votação para não ser rejeitada e no dia seguinte conseguiu passar o acordo num sistema de votação por cédulas. Está claro que eles fazem de tudo para aprovar acordos que beneficiam eles e a empresa. O trabalhador faz papel de palhaço. O que acontece na fábrica é uma ditadura, onde ninguém pode discordar dos integrantes da comissão. É comum o pessoal dizer na fábrica que é pior discutir com esse pessoal do que com chefe. Essa situação é inadmissível. Quem tem que decidir seu futuro é o próprio trabalhador. A situação atual é difícil porque o trabalho ruim do sindicato, afasta o trabalhador da luta.

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