Educação

ENCONTRO DE EDUCAÇÃO

Entre a Universidade e a Escola: a educação pública em debate

17 Oct 2014   |   comentários

Organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH), no dia 09/10 aconteceu o Encontro de Educação “Entre a universidade e a escola: A educação pública em debate†. Secundaristas, professores da rede pública, estudantes, trabalhadores e professores universitários (USP, Unicamp, Unesp e particulares) discutiram os problemas e desafios da educação pública no (...)

Algo inédito aconteceu nos auditórios do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH), no dia 09/10 aconteceu o Encontro de Educação “Entre a universidade e a escola: A educação pública em debate†. Secundaristas, professores da rede pública, estudantes, trabalhadores e professores universitários (USP, Unicamp, Unesp e particulares) discutiram os problemas e desafios da educação pública no Brasil.

O Encontro se organizou a partir de duas mesas. A mesa “Crise na Universidade? Projetos em disputa nas Universidades Públicas†contou com as presenças de Souto Maior (Docente da USP e Juiz do Trabalho), Luiz Henrique Souch (Docente da UFPel), Claudionor Brandão (Diretor do SINTUSP) e João de Regina (professor da rede estadual de Campinas). Já a segunda mesa “Licenciatura em questão: A universidade e a rede pública de ensino†contou com os debatedores Mauro Sala (mestre em educação e professores da rede estadual), Fernanda Furtado Camargo (docente da PUC-Campinas), Cinthia Cristina dos Santos (mestranda do IFCH e professora da rede estadual). Além das duas mesas, ocorreu também o cine-debate do filme “Pro dia nascer feliz†, que retrata a condição da educação no Brasil, contribuindo assim para um rico debate após a exibição.

Grandes ideias para grandes desafios

Os debates sobre as lições da vitoriosa greve da USP que derrotou o governo do estado de São Paulo deixaram claro que a única alternativa para a resolução da suposta “crise da educação†só poderá partir da mobilização independente dos trabalhadores, professores e estudantes.

A realidade da educação básica, a escola com um espaço de produção de saberes, a precarização do trabalho do professor, bem como a necessidade da universidade se abrir para a formação continuada desses, clarificaram a imediata necessidade da integração do ensino superior público ao ensino básico público.

Entre inúmeras conclusões, o atual modelo de formação dos professores, onde os grandes monopólios de educação formam mais de 70% dos docentes da rede, a partir de um ensino pragmático, técnico e mercadológico, deve ser imediatamente revisto. Esses grandes monopólios do ensino, financiados pelo dinheiro público através da isenção fiscal, e a universidade pública elitista, sintetizam o modelo de educação impulsionado pelos governos. A luz desses debates se colocou a necessidade da unidade entre professores e estudantes.

Um centro acadêmico militante

Essa iniciativa tomada pelo CACH foi a primeira de muitas que devem seguir no sentido de lutarmos contra o projeto PSDBista de privatizar as universidade públicas abrindo-as para a iniciativa privada, assim como contra o projeto petista que através de programas como o Prouni fazem um discurso de democratização do ensino, mas dá dinheiro público para os grandes monopólios da educação. Mauro Sala colocou no debate: “se 70% das vagas de licenciatura em particulares como a PUC e Anhanguera são mantidas por bolsas como o Prouni, então porque não estatizamos essas Universidades e colocamos inteiramente a serviço da população, ao em vez de manter o lucro de alguns empresários?â€

No debate sobre a deliberação 111, que precariza as licenciaturas, foi colocada a necessidade de desenvolver um novo currículo junto aos professores da rede pública, fortalecendo a unidade entre os trabalhadores da educação e os professores. As mudanças no currículo dos cursos de licenciatura foram encarados como uma grande batalha pela radicalização do acesso, colocando a quem deve servir o conhecimento da Universidade, se para formar professores ou para produzir patentes para empresas.

DEPOIMENTOS

"Parabenizo a todos pela iniciativa de realizar o Encontro de Educação. Refletimos sobre como nós, estudantes das universidades privadas, somos considerados mercadorias, além do tipo de formação que teremos, inclusive no ensino àdistância. Vejo que diante de tão poucas informações que nos são passadas nas privadas, é de grande importância que ocorram debates sobre qual modelo de educação nos está sendo imposto. Não somos estudantes de “Unisquinas†que querem comprar o diploma. Somos trabalhadores que não conseguiram entrar na universidade pública por causa do filtro social que é o vestibular. É necessário fomentar o debate que reduz o abismo existente entre a escola e a universidade, levando não somente os professores das escolas para a universidade pública, mas também que os universitários reflitam, respirem o ar da escola pública e lutem por uma educação pública de qualidade!"

Regiane – estudante da Anhanguera e professora da rede estadual

"O Encontro de Educação foi muito esclarecedor em relação aos problemas existentes no projeto de universidade atual, resultante de uma luta de classes. No debate sobre a crise, relatos muito pertinentes afirmaram como o projeto educacional é uma disputa de elite, provada historicamente. Na discussão sobre a greve, se pode refletir sobre a organização dos servidores frente ao 0% de reajuste salarial."

Cássia Rodrigues Silva, estudante de Ciências Sociais do IFCH

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