Gênero e Sexualidade

HOMOFOBIA

Engenheiro é esfaqueado por homofobia dentro de seu prédio no ABC

23 Mar 2015 | Na tarde de terça-feira (10 de Março), mais um caso de tentativa de assassinato por ódio aos homossexuais tomou as capas dos jornais regionais do ABC e da grande mídia virtual. Rodrigo Mariano Miguel, 33 anos, engenheiro elétrico foi esfaqueado no corredor de seu prédio por ser homossexual.   |   comentários

Rodrigo Mariano Miguel, 33 anos, engenheiro elétrico foi esfaqueado no corredor de seu prédio por ser homossexual.

A tentativa de assassinato ocorreu quando Rodrigo voltava do mercado com compras. Ao parar na porta do elevador do prédio em que mora, recebeu uma apunhalada na altura da nuca, sentindo imediatamente uma grande tontura. Wanderson Pacheco de Oliveira, autor do crime reconhecido pelas câmeras do prédio disse, segundo a vitima, "Isso é para você aprender a nunca mais olhar para um homem de verdade. E agora você vai morrer†.

Rodrigo teve alta na segunda-feira (16/03) no PS Central de São Bernardo, mas terá dificuldades e sofrimento, pois mora sozinho e a lesão provocada pela apunhalada por pouco não o deixo paraplégico.

Como na maioria dos casos de homofobia, Oliveira foi liberado no dia seguinte de ser levado a delegacia. Se mudou junto a sua companheira do apartamento, para que não pudesse sofrer qualquer tipo de consequência e no Boletim de Ocorrência ficou registrado apenas "lesão corporal".

O Brasil e os recordes de homofobia mundial

A homofobia no Brasil é constantemente denunciada pelas organizações e coletivos LGBT e dos direitos humanos como uma das mais cotidianas e agressivas. Os crimes não acontecem apenas nas ruas escuras e na calada da noite, muito pelo contrário. Segundo as organizações e ativistas LGBT a cada 26 horas, um homossexual é assassinado no país.

Acontecem em todos os lugares, desde os assédios morais nos locais de trabalho, mas também dentro do transporte público como Claúdio Eising que foi esfaqueado no ônibus e Danilo (metroviário) e seu namorado, Raphael, dentro do metro de São Paulo. Mas infelizmente, não é apenas dentro dos transportes públicos que se restringem a homofobia. Dentro de casa, os LGBT sofrem cotidianamente a opressão das família, chegando a casos assustadores como ocorreu com uma mulher lésbica que ao se assumir dentro de casa foi mantida sob cárcere privada por seu próprio pai. Ou como o arrepiante caso do jovem de 14 anos, Peterson, que foi brutalmente espancado dentro de sua escola por ser filhos de um casal homossexual.

As noticias reforçavam a ideia de que os seus agressores "se envolveram na confusão" que levou Peterson a coma e quatro dias depois a morte. Escancarando que o direito a adoção por casais homoafetivos, garantida em meio a uma reviravolta de projetos que visam retirar esse direito, segue marcada pela igualdade na lei não ser igualdade na vida

Somente no ABC, em apenas três meses de 2015 já se registram 15 casos de agressões e tentativas de assassinato e uma morte por homofobia. Ano passado chegou a 93 casos, como informa o jornal regional ABCMAIOR.

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A mídia burguesa que escancara esses terríveis casos de violência e assassinatos insiste em ser sutil quando não diretamente acobertadora da profunda opressão existente no Brasil.

Ano passado não faltaram casos que escancarassem essa realidade. Kaique Augusto, João Donati, Marcos Vinicius assim como Geia Borghi e Piu (passista da escola de samba carioca Beija Flor). É uma triste realidade que a mídia segue atribuindo de adjetivos como "supostas", "aparentes" agressões homofóbicas, quando não dizem que foi "acidentalmente" ou colaboração com a farsa de "suicídio" e "crime passional", para não denunciar abertamente a homofobia e transfobia em nosso país. É nessas ferramentas que o Congresso Nacional, as bancadas conservadoras e a figura do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, se apoiam para impedir a aprovação da PL 122, que visa criminalizar a homofobia igualando-a ao crime de racismo e o projeto de lei João Nery, que garante o reconhecimento do Estado ao direito de cada cidadão ter sua identidade de gênero.

Virgínia Guitzel, travesti, redatora da Sessão Gênero e Sexualidade do Esquerda Diário e trabalhadora da saúde mental em São Bernardo do Campo relatou: "Diante dessa triste situação, é um orgulho anunciar a chegada do Esquerda Diário no Brasil. Uma ferramenta dos trabalhadores e dos setores oprimidos contra as informações hegemônicas divulgadas pelas mídias burguesas ligadas aos partidos patronais e aos setores conservadores. Sabemos que não imparcialidade ou neutralidade em nenhum meio de comunicação. Por isso, para que não nos matem duas vezes, usando nosso nome de registro antes de nosso verdadeiro nome para os casos de assassinato, para que não reste dúvida do machismo, da homofobia e transfobia e do imenso racismo existente em nosso país. Nós lutamos para colocar de pé uma mídia verdadeiramente independente dos governos e assim fortalecer a luta dos oprimidos e dos trabalhadores contra toda forma de exploração e opressão".

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