Sábado 20 de Julho de 2019

Juventude

LIÇÕES ESTRATÉGICAS DO CONFLITO DA USP

Enfrentamento com a PM dia 27 de outubro. Mais do que autonomia universitária: ódio contra a polícia

24 Nov 2011   |   comentários

O que nasceu no dia 27 de outubro foi mais do que o movimento pelo Fora PM da USP com o conteúdo de defesa da autonomia universitária. Foi um movimento que expressava ódio não só em relação àtentativa da PM de prender os estudantes que fumavam maconha, mas também com um setor de estudantes questionando o papel que a polícia cumpre fora da USP, na repressão aos pobres e aos negros nas favelas. Temos lutado para permitir que o movimento pelo Fora PM que surgiu na FFLCH se desenvolvesse com um conteúdo não elitista e não corporativo, ou seja, de questionamento do caráter elitista da USP, defendendo que os filhos da classe trabalhadora possam entrar na universidade, e de questionamento do papel da PM fora da USP, ecoando o ódio da juventude, do povo pobre e a juventude negra que sofrem com a violência policial nas periferias.

É fundamental neste momento ligar a luta pelo Fora PM também àluta contra os processos administrativos e judiciais que a reitoria tem levado adiante contra ativistas do movimento estudantil e sindical dentro da USP, para que esse movimento tome cada vez mais para si a defesa daqueles que têm resistido contra a implementação do projeto de universidade de Rodas que busca elitizar ainda mais a USP, com o bloqueio do aumento de vagas, com a produção do conhecimento mais voltada aos interesses dos monopólios capitalistas, com a falta de assistência e moradia estudantil e com a generalização do trabalho precário semi-escravo na universidade.

É um movimento que surge visivelmente alentado pelos “novos ares†da juventude em nível internacional, que tem se colocado na linha de frente dos enfrentamentos com a polícia na primavera árabe, no movimento dos indignados no Estado Espanhol, no Occupy Wall Street dos EUA, no movimento estudantil no Chile e na Colômbia.

Nós, da LER-QI, em comum com vários setores independentes, colocamos nossos esforços a serviço de que se desenvolvesse o movimento pelo Fora PM da USP buscando massificá-lo a essa perspectiva não elitista e não corporativa. Foi nesse marco que nós, junto a centenas de estudantes que protagonizaram o enfrentamento com a PM no dia 27/10 ou se solidarizavam com os mesmos, assim como com outras correntes políticas, defendemos a ocupação da Administração da FFLCH.

Nesse dia, depois que o PSOL (direção do DCE) fez um “cordão humano†para encaminhar os estudantes presos por fumarem maconha até o camburão, impedindo a massa de estudantes de defendê-los da polícia, essa mesma corrente, juntamente com o PSTU, foi derrotada na assembleia que votou a favor da ocupação.

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