Quinta 18 de Julho de 2019

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Enchentes e deslizamentos: o capitalismo e seus governos tucanos e petistas matam!

05 Feb 2011   |   comentários

Se o crescimento econômico ainda esconde problemas estruturais do Brasil, as reincidentes enchentes e deslizamentos de começo de ano que atingiram diversos estados como Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro e resultaram em milhares de vítimas, escancaram a precarização da vida e desmascaram o demagógico e verborrágico Brasil, país potência do futuro de Lula e Dilma.

O Brasil de classe média que cantam aos quatro ventos se sustenta em um fino barbante ou se arrisca em uma encosta. O grosso dos impostos são pagos pelos trabalhadores, (com o ICMS e outros tributos ao consumo e não das grandes fortunas) que recebem um salário mínimo que não alcança 25% do que, segundo o DIEESE, deveria ser um salário que possibilitasse uma sobrevivência digna, ao mesmo tempo em que a especulação imobiliária cresce em níveis absurdos1. Nesse Brasil, a milhões não resta alternativa que morar em condições precárias e em áreas de risco. Mesmo antes da última reincidente tragédia já havia um déficit habitacional de 5,8 milhões de moradias2, que na projeção mais otimista de seu projeto o governo Dilma propõe reduzir em apenas um milhão até 2014, numa clara demonstração de que o governo Dilma é um governo a serviço de garantir os interesses de empresários e capitalistas e não pode solucionar a necessidade de grande parte da população em ter uma moradia digna e segura.

As responsabilidades e incapacidade dos governantes também são estruturais. Enquanto o governo brasileiro enriquece algumas dezenas de famílias pagando centenas de bilhões ao ano com a dívida externa, prepara novas vítimas destinando 138 milhões para prevenção de catástrofes.

Região serrana do Rio de Janeiro – A cara fluminense de uma tragédia nacional

Mal passaram 15 dias da tragédia na região serrana no Rio, o tema vai paulatinamente perdendo espaço nas primeiras manchetes de jornais e TV, a situação da população nas regiões atingidas se arrasta nas incertezas e em poucas esperanças. Governos e prefeituras a cada dia que passa, apesar da verborragia e das promessas demagógicas, dão novas demonstrações de culpa, mas também da sua incapacidade cada vez mais lógica de que não podem socorrer nem mesmo garantir uma vida digna para os sobreviventes.

Tal como havia acontecido antes não faltam relatos de alimentos estragando, de desvios, roubos e o puro e simples descaso. Esta situação escancara como somos os trabalhadores quem temos que organizar a distribuição dos alimentos e produtos de primeira necessidade, pois a depender dos governos muitos ficarão apodrecendo em galpões ou serão despejados na estrada como aconteceu em Nova Friburgo. As prioridades dos governos já ficou clara qual é: militarizar as regiões.

Centenas de corpos seguem enterrados na lama, já em estado de decomposição bastante avançado, enquanto a ordem dos governantes às equipes de socorro são de não aumentar a estatística de mortos: “se encontrar uma mão ou um braço a ordem e para não tirar e ainda nos dizem que se puder cubram o que está exposto de terra!†nos relataram membros da equipe da SAMU que trabalhava no resgate. Uma política inescrupulosa do governo para que uma parte dos mortos entre na estatística de desaparecidos. Os interesses eleitorais dos governantes para esconder sua culpa e a proporção da tragédia se impõem frente ao resgate dos corpos, a tristeza de parentes e a saúde pública.

Há milhares de desabrigados que se encontram amontoados sem estrutura em escolas e igrejas, enquanto muitos imóveis usados para especulação imobiliária e inúmeros hotéis de luxo seguem vazios. A lógica da propriedade privada capitalista se impõe sobre a necessidade da população, mesmo na emergência.

Os governos e prefeituras aproveitam da tragédia por eles mesmos ocasionadas para aplicar novos ataques aos trabalhadores e a população pobre. Nas primeiras declarações de Dilma e Cabral não se apresentou nenhum plano efetivo de resgate feito até hoje em grande parte por moradores e voluntários, mas já se anunciava que acelerariam as expropriações de bairros inteiros. Não chegaram milhares de engenheiros, geólogos, psicólogos e médicos para a região, mas polícias e o Exército com seus fuzis para garantir a propriedade privada e não as necessidades da população. A única alternativa que a burguesia pode oferecer para as vítimas é escolher entre sair das casas que representam o esforço de uma vida toda em troca de um mísero aluguel social de 300 reais3 ou aguardarem amontoados em abrigos as prometidas moradias populares em regiões afastadas, das quais as milhares de vítimas anteriores, como os moradores do Bumba, em Niterói, aguardam indignados até hoje.

Por um programa de emergência que garanta dignas condições de vida e moradia aos afetados!

Enquanto os governos e prefeituras, verdadeiros culpados, seguem mostrando todo seu descaso e incompetência, a CUT, principal central do país, se ausenta completamente de efetivar a denuncia e apresentar um programa independente. Esse vazio aumenta a necessidade de nós trabalhadores nos organizarmos. A CSP-CONLUTAS começa a organizar uma campanha no RJ que devemos ampliá-la e extendê-la a todo país, apresentando um real programa dos trabalhadores, que desde já propomos:

Por uma ampla campanha nacional de solidariedade operária e popular em cada local de trabalho e moradia coordenada pelos sindicatos, organizações de esquerda e associações de moradores!

Pela imediata disponibilização de resgatistas, médicos, enfermeiros, psicólogos e maquinaria por todas grandes empresas como a Petrobrás e Vale do Rio Doce e as universidades! Pela formação de uma brigada de resgate e obras coordenada por especialistas de universidades e centros de pesquisa junto a sindicatos e grupos de moradores e voluntários!

Pela ocupação dos quartos dos hotéis nas regiões turísticas e de construções passíveis de ocupação nas cidades afetadas! Só assim garantiremos decentes e higiênicas condições de moradia a tantos desabrigados!

Pela disponibilização imediata dos estoques de supermercados, grandes redes de farmácia e todos outros produtos de necessidade imediata! Por sua distribuição racional segundo planos coordenados pelos moradores, sindicatos e voluntários!

Pela imediata instalação de postos volantes de primeiro atendimento médico em todas localidades coordenadas àambulâncias e hospitais. Por uma brigada médica formada por estudantes de medicina e enfermagem. Que os centros acadêmicos e sindicatos organizem estas brigadas!

Pela imediata desmilitarização da região serrana e todas regiões destas tragédias! Retirada de todas as tropas! Pela retiradas das tropas e reversão dos gastos com a ocupação do Haiti e dos morros no Rio para gastos com estas emergências! O povo precisa de resgatistas, engenheiros, obras e máquinas, não de soldados!

Fim de todos impostos destinados aos monopolistas do solo urbano, sobretudo a família Bragança e Orleans, herdeira do trono brasileiro, que recebe impostos por todo centro de Petrópolis. Pela expropriação das propriedades desta família para fins de moradia!

Pelo não pagamento das dívidas e sua imediata reversão em um plano de obras públicas!

Que os sindicatos e centrais governistas rompam com seu silêncio em apoio a “seu†governo e encabecem uma campanha por estas reivindicações emergenciais! Que os sindicatos e as centrais sindicais constituam um urgente plano de lutas para impor esta resposta àemergência!

Ampliar os passos iniciais de solidariedade para construir uma grande campanha nacional

Como era de se esperar a CUT e sua regional CUT-RJ demoraram quase uma semana para sair de seu silêncio sepulcral cúmplice das mortes para defender seu governo. Agora organizam contas para doações e incentivam os trabalhadores a doarem nos postos oficiais. Mas como seguir esta orientação se até a Cruz Vermelha, conhecida por “conseguir†trabalhar com sangrentas ditaduras em todo o mundo, tem denunciado a atuação da prefeitura de Teresópolis?! Tal como ocorrido em outras catástrofes há denúncias de corrupção. A esquerda, com um atraso semelhante aos governistas, também demorou dias para começar uma campanha.

Nós desde a LER-QI, junto a companheiros petroleiros efetivos e terceirizados pudemos organizar e participar da imensa solidariedade demonstrada no terminal de Campos Elíseos em Duque de Caxias. Esta campanha, organizada pela CIPA e por trabalhadores que vivem na região afetada, conseguiu levar três caravanas de doações àpopulação organizada, sobretudo no interior de Teresópolis, região esquecida pelas autoridades. Os petroleiros de Campos Elíseos mostram o caminho! Por sua vez, a CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU e com uma importante participação de correntes internas do PSOL, que reúne importante sindicatos de funcionários públicos no Rio de Janeiro, iniciou uma campanha de solidariedade operária e popular para garantir, por seus meios, o envio de doações às populações afetadas. Saudamos esta primeira iniciativa e nos propomos a coordenar ações comuns. Entretanto, este primeiro passo está, ainda, longe das possibilidade desta central nacional. É fundamental que cada sindicato que dirigem e as oposições que fazem parte organizem uma grande campanha em cada lugar de trabalho e convoquem uma plenária estadual para colocar de pé um plano de luta para impor uma saída operária e popular a esta crise. Também precisamos organizar manifestações no Rio de Janeiro e em todo o país em apoio aos afetados e em denúncia do desinteresse destes governos pelas condições de vida da população!

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1- No Rio de Janeiro, segundo pesquisa do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio), a elevação chega a 126,2% na variação de 12 meses. Em média, os aluguéis na cidade subiram 45% este ano.

2- Dado extraído do relatório da FGV 2010. Segundo o próprio relatório, entre as cidades com maior carência então 3 das que foram afetadas pelas recentes chuvas e deslizamentos. São Paulo e Rio concentram 19,4% e 9,3% das carências habitacionais, respectivamente, seguidos pelo Pará e por Minas. O número de imóveis ociosos são aproximadamente 6 milhões. Perto de 90% desses imóveis teriam condições físicas de serem imediatamente habitados.

3- Muitas famílias do morro do Bumba esperam indignadas até hoje o prometido aluguel social, outras, depois de deixar suas casas receberam apenas poucos meses e pararam de receber.

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