Educação

Em ano que se inicia com cortes de verba para a educação, Alckmin reajusta o seu salário e de seus secretários

02 Feb 2015   |   comentários

Num ano que começa com enormes ajustes contra a classe trabalhadora - em meio ao aumento do preço das passagens e da perspectiva da falta de água para a população -, o Governador Geraldo Alckmin reajustou o próprio salário e o de seus secretários. Agora o excelentíssimo governador passará a ganhar R$ 21.631,00. Já seus secretários serão brindados com a bagatela de R$ 19.468,00 mensais, um reajuste de 12,7%... fora os privilégios, é claro.

É interessante notar que, enquanto o governador reajusta o teto salarial do funcionalismo público (seu próprio salário), ele promove enormes cortes em áreas essenciais como a educação.

Esse ano não teve dinheiro para a reforma das escolas da rede estadual e a verba mensal que as escolas recebem para organizar o seu cotidiano foi cortada pela metade. Além disso, o governo também cortou a contratação de professores auxiliares, restringiu as equipes de treinamento esportivo, da monitoria do "acessa escola" e outros programas que influenciam diretamente no cotidiano escolar.
Assim, um ano que começa com um gordo aumento do salário do governador e seus secretários, também começa com enormes cortes na verba da educação.
Austeridade é algo que só pesa sobre a classe trabalhadora.

Além desses cortes que prejudicará o funcionamento e a qualidade das escolas, o governo também assumiu como política o fechamento de salas de aula, gerando um duplo e perverso efeito: a superlotação das salas que permanecem numa ponta e a demissão de vários professores na outra.

A título de exemplo, tomando uma das Diretorias de Ensino de Campinas (onde o autor do texto trabalha), 96 salas de aula foram fechadas esse ano. No estado como um todo esse número pode chegar a 2.000 salas fechadas.
São milhares de professores que ficaram desempregados e milhões de alunos que tiveram suas condições de ensino precarizadas.

Ao invés de fechar salas de aula, o governo deveria ter uma política séria de redução do número de alunos por sala de aula. Ao invés de demitir professores, o governo deveria ter uma política séria de redução do número de aulas semanais por professor. A aplicação imediata e integral da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008, a chamada Lei do Piso, que garante que um terço da nossa jornada seja cumprida em atividades extra-sala seria o mínimo a se cumprir.

Isso porque nem estamos falando da perspectiva de reajuste ZERO para os profissionais da educação para esse ano. Será que o Alckmin acredita que aumentar o salário do Secretário de Educação é política de valorização do magistério?

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