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Em Franca se avança para um novo Movimento Estudantil

10 May 2010   |   comentários

Depois de 8 meses sem gestão no Centro Acadêmico de História (CAH), da Unesp de Franca (que historicamente protagonizou lutas importantes e contribuiu para que o movimento estudantil de Franca fosse uma grande referência para o conjunto do movimento estadual), assume a gestão “Palmares†.
Formada em base a mobilização do início do ano, que colocou a atual direção e vice-direção da faculdade em xeque, tendo que responder a todos os problemas colocados no nosso campus desde a falta de professores, a distância da moradia estudantil do prédio de aulas (cerca de 7 km) e da absurda demissão do trabalhador da biblioteca Fred, o ato que contou com mais ou menos 70 pessoas apontou para a necessidade de um novo movimento estudantil, e de um Centro Acadêmico militante, combativo, que se alie aos trabalhadores.
É nesse marco que, nós da LER-QI, juntamente com companheiros (as) do Movimento A Plenos Pulmões, Grupo de Mulheres Pão e Rosas, estudantes e trabalhadores independentes, começamos um amplo processo de politização no curso de Historia, chamando reuniões abertas para a formação de uma chapa, que discutisse qual o programa necessário para que a universidade extrapole seus muros, e em aliança com a classe trabalhadora possa protagonizar lutas contra a precarização do ensino e do trabalho.
Dessa forma, reuniram-se estudantes e trabalhadores combativos a partir de uma profunda reflexão sobre o papel histórico das universidades, para quem elas têm servido, além de apontar suas características estruturantes (que se mantém até hoje): ser extremamente elitista e racista, ou seja, para poucos, mantida no Brasil fundamentalmente pelo vestibular (filtro social que impede que a maioria da classe trabalhadora e do povo pobre ocupe os assentos das universidades). Além disso, reforçamos que a tímida expansão educacional no país a partir dos anos 90 se deu em chave a orientação neoliberal, que resultou num incentivo por parte dos governos ao ensino superior privado, o que acentuou mais ainda a crise da universidade hoje e não resolveu o problema do acesso ao ensino público superior.
A chapa “Palmares†não se contenta em somente fazer boas análises dos problemas e desafios pela qual passa a educação de conjunto hoje, mas sim tenta contribuir na medida de suas forças para aportar em como os estudantes necessitam de um programa pela positiva de uma real democratização do ensino, um programa que consiga recuperar e colocar o movimento estudantil em cena novamente, em base as tarefas que apresenta em sua frente.
Nesse sentido, entendemos que as entidades estudantis apresentam consigo um significado impar, pois elas são importantes ferramentas para se romper com a apatia construída nas universidades hoje, carregando consigo estudantes combativos, pró-operários que queiram lutar firmemente pela transformação radical da universidade em aliança com os trabalhadores de dentro e fora da universidade.
Em nossos cartazes, tentamos expressar o nosso programa, e um novo método e prática política: “Franca, extrapole nossos muros!†, “trabalhadores, tomais de nossas frágeis mãos nossas bandeiras de luta!†(em referencia a maio de 1968, onde estudantes se ligaram ativamente a greve de trabalhadores). Lutaremos até o final para estar ao lado dos sapateiros e sapateiras de Franca, assim como lutar pela democratização das entidades estudantis, defendendo a proporcionalidade (que em futuros processos eleitorais todas as chapas inscritas possam se expressar do Centro Acadêmico a partir da proporcionalidade dos seus votos).
Acreditamos ainda que as entidades estudantis devam ser construídas pelos estudantes nas salas de aula, e não somente no ativismo (que cumpre também um importante papel). Nesse sentido, estimularemos a representação de delegados mandatados por sala de aulas, como forma de dinamizar a relação do CA com os alunos, expressar as distintas posições do curso, mas também no sentido de contribuir com a principal forma de organização em tempos de luta: a auto-organização.
No mesmo dia que os trabalhadores da USP heroicamente saíram àgreve (05 de maio), a chapa “Palmares†assumiu o Centro Acadêmico de História. Longe de ser um simples acaso ou coincidência, nos coloca a tarefa central hoje: Avançar em um novo movimento estudantil, democrático, combativo, pró-operário, que aponte na transformação radical da universidade que temos hoje. Sem dúvida nenhuma, esse ano se abre uma chance fundamental: ombro a ombro, com estudantes, trabalhadores e professores da USP, UNESP e UNICAMP avançar na consolidação de um forte movimento estudantil estadual. Os trabalhadores da USP e seu combativo sindicato – SINTUSP – saem na frente nas mobilizações. Esperamos rapidamente nos somar aos heróicos e heróicas companheiros e companheiras, aportando e nos somando em mais uma dura batalha da luta de classes.

Leandro (Che) é Membro do Centro Acadêmico de História – “Gestão Palmares†, Militante do Movimento A Plenos Pulmões e da Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional

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