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Eleições na Grécia: rechaço contundente aos partidos da austeridade

09 May 2012   |   comentários

O resultado das eleições de 6 de maio na Grácia tem representado um dêbacle histórico para o PASOK (Movimento Socialista Panhelênico, de tendência social-democrata) e a Nova Democracia (centro directa), os partidos responsáveis de aplicar os planos do ajuste, deixando descoberto um amplo rechaço à política de austeridade ditada pela troika conformada pela Comissão Européia, o Banco Central Europeu e o (...)

O resultado das eleições de 6 de maio na Grécia tem representado um dêbacle histórico para o PASOK (Movimento Socialista Panhelênico, de tendência social-democrata) e a Nova Democracia (centro directa), os partidos responsáveis de aplicar os planos do ajuste, deixando descoberto um amplo rechaço àpolítica de austeridade ditada pela troika conformada pela Comissão Européia, o Banco Central Europeu e o FMI. Esta verdadeira dêbacle põe em dúvida a continuidade das políticas de austeridade na Grécia com consequências para o conjunto da eurozona.

Nova Democracia (ND) e o PASOK, que vinham alternando-se no poder na Grécia desde a queda da ditadura em 1974, passaram de obter 88% de votos a 30%. Tomados individualmente, Nova Democracia saiu primeiro com somente 18,9% dos votos, e o PASOK foi posto em terceiro lugar com 13,2% dos votos.
Este enorme desprestígio dos partidos tradicionais foi capitalizado fundamentalmente pela Coalizão Esquerda Radical (SYRIZA), uma coalizão de partidos de esquerda reformista, que emergiu como segunda força nas urnas ao obter 16,7% dos votos (52 cadeiras), comparado com 4,6% que havia conquistado em 2009. O Partido Comunista da Grécia (KKE) aumentou levemente sua votação de 7,5 ao 8,5% e sua presenta parlamentar (26 cadeiras). A Esquerda Democrática (ruptura de SYRIZA) alcançou 6% dos votos (19 cadeiras) e Antarsya (uma coalizão de grupos da extrema esquerda e formações anticapitalistas) conquistou apenas 1,1% e por tanto não vai ao Parlamento, mas aumentou consideravelmente sua votação em comparação ao pleito anterior. Tomada de conjunto, é a maior votação das organizações àesquerda do PASOK desde 1958.

A situação na Grécia é parte de uma tendência mais generalizada de repúdio aos partidos, seja os conservadores ou social-democratas, que desde o governo vêm levando adiante políticas durísimas de austeridade, criando uma crise social sem precedentes.

Os limites do programa reformista de Syriza

Seu líder, Aléxis Tsipras, defendeu a anulação dos programas de austeridade e outras reivindicações como a auditoria da dívida grega e a nacionalização dos bancos. Mas Syriza não pretende atacar os interesses dos monopólios e os grandes capitalistas gregos, que junto com a “troika†vêm impondo a austeridade, seu programa é negociar o ajuste com as instituições da UE, respeitando a propriedade capitalista.
Sua plataforma tampouco questiona a estrutura totalmente antidemocrática e imperialista da UE.

Por sua vez, o Partido Comunista da Grécia, KKE, que tem presença em organizações sindicais de setores do movimento operário, em particular na central sindical PAME, ainda que tenha um discurso mais de esquerda que Syriza e ter rechaçado sua oferta de formar um governo sobre a base de seu rechaço àUE, combina eleitoralismo e um programa de saída do euro e da UE em chave reformista com uma política auto-proclamatória e sectária, negando-se a impulsionar a frente única operária para derrotar a política da burocracia sindical oficial de chamar jornadas de luta sem continuidade e preparar as condições para a greve geral política que abra a perspectiva de uma saída operária para a crise.

Mesmo que tenham conseguido capitalizar a raiva contra os planos de reajuste, seus programas não estão àaltura de uma saída progressiva que necessitam os trabalhadores e as massas pobres urbanas.

A extrema direita neo-nazista

A enorme polarização social e política se expressou também no preocupante 6,92% (21 cadeiras) que obteve o partido neo-nazista “Aurora Dourada†. Esta agrupação fascista, que conta com grupos de choque e tem características paramilitares, fez sua campanha eleitoral com um programa abertamente anti-imigrante, baseado na demagogia nacionalista.

Seu principal líder, Nikolaos Michaloliakos, moralizado pelo resultado eleitoral declarou que “Grécia é só o começo... a principal tarefa é ir para cima de todos os imigrantes ilegais†e agregou “a vitória está dedicada a todos os bravos jóvens que levam camisetas negras com o nome Aurora Dourada em branco†. Com uma cuasi-suástica como escudo este partido propõe “proteger a fronteira†e colocar minas terrestres ao longo das fronteiras para impedir o ingresso de imigrantes.
A ingerência dos organismos internacionais e os tecnocratas e instituições da UE na política grega proporcionam o combustível para que estes discursos encontrem um eco maior e não se pode descartar inclusive ataques físicos contra trabalhadores imigrantes. O crescimento vertiginoso da Aurora Dourada desperta a urgência das organizações de esquerda em se organizar para enfrentar a crise e derrotar esta ameaça.

Por uma saída operária

A enorme resistência e energia dos jovens e trabalhadores gregos que no último ano e meio tem protagonizado 17 greves gerais não pode ser entregue a quem vai seguir negociando os ajustes com a UE e o FMI.

As direçõs oficiais do movimento operário e os partidos reformistas tem impedido até agora que a resistência operária e popular se transforme em uma luta aberta contra os poder dos capitalistas e seu estado. Para isso faz falta um programa a altura da ofensiva da crise capitalista, que planeje medidas de emergência como a anulação de todos os programas de austeridade e o cancelamento da dívida com medidas transitórias como a expropriação dos bancos sem compensação e sob controle dos trabalhadores, a repartição das horas de trabalho e a expropriação dos grandes capitalistas e que se coloque as empresas com a produção sob controle operário, em suma um programa que leve ao poder a classe trabalhadora em aliança com os setores populares e que contra a Europa do capital e dos grandes monopólios, e contra as variantes xenófobas e nacionalistas, planeje a necessidade de lutar por uma Federação dos Estados Unidos Socialistas da Europa.

O Que é o SYRIZA?

A Coalizão de Esquerda Radical (SYRIZA, pela sua sigla em grego) é um agrupamento eleitoral de dez partidos que se formou em 2004 cuja principal organização é o Synapsismos (Coalizão da Esquerda, dos Movimentos e a Ecologia). Integra o grupo Esquerda Européia, uam associação de partidos reformistas de esquerda entre os que se encontram o PC da França, IU da Espanha, Die Linke da Alemanha e o Bloco de Esquerda de Portugal.

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