Movimento Operário

Demissões na GM de São Caetano

Eis a questão: lutar ou se curvar

25 Oct 2014   |   comentários

A General Motors de São Caetano do Sul, cidade localizada no Grande ABC, anunciou a intenção de demitir cerca de 200 funcionários imediatamente. No dia 16, a montadora tinha deixado claro que queria demitir pelo menos 500 trabalhadores e colocar em lay-off outros 500 ainda neste ano.

A General Motors de São Caetano do Sul, cidade localizada no Grande ABC, anunciou a intenção de demitir cerca de 200 funcionários imediatamente. No começo do mês, a montadora abriu PDV (Programa de Demissão Voluntária), que foi aderido por 33 funcionários. Somente nesse segundo semestre cerca de 140 trabalhadores já foram dispensados. Em abril, 6.000 trabalhadores entraram em férias coletivas entre os dias 14 e 27. Em março, 348 profissionais aderiram a outro PDV da empresa. A montadora já sinalizava que encerraria as atividades do terceiro turno. Esse período contava, no primeiro trimestre, com cerca de 2.000 funcionários.

As negociações entre sindicato e a multinacional já vêm acontecendo há alguns dias. No dia 16, a montadora tinha deixado claro que queria demitir pelo menos 500 trabalhadores e colocar em lay-off outros 500 ainda neste ano. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul propôs abrir um lay-off de 800 trabalhadores para barrar as demissões. Para o presidente da entidade, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, a companhia não procurou o sindicato. Para negociar sua proposta com a patronal, este garantiu que não há intenção de votação de greve na assembleia. “Pode ser isso que a montadora quer, que nós paralisemos tudo. Mas não vamos fazer isso†, afirma Cidão, que diz aguardar uma resposta da GM sobre a proposta de fazer um lay-off mais amplo.

Os trabalhadores metalúrgicos de São Caetano aprovaram durante assembleia nesta sexta (24) às seis da manhã, na entrada do primeiro turno, a autorização para que o sindicato lute até as “últimas consequências†para tentar impedir as 500 demissões pretendidas pela direção da GM. Já na assembleia das três da tarde, na entrada do segundo turno, o tom do sindicato foi bem mais pacifico, afirmando as dificuldades econômicas do país e em especial o momento difícil que o setor automotivo vem passando.

Estavam presentes na assembleia cerca de 300 trabalhadores. O estado de animo era de apreensão. O presidente Cidão, que foi candidato a deputado estadual nessas ultimas eleições pelo partido recém-formado, o Solidariedade, junto a Paulinho da Força Sindical, que apoia Aécio Neves do PSDB para presidente, tentou acalmar os trabalhadores. Disse que o sindicato iria entrar com ação junto ao ministério do trabalho para tentar evitar as demissões. Ficou clara a incerteza sobre a garantia do emprego.

Todo o tom do discurso dava a entender que algumas demissões seriam inevitáveis. Como afirma o presidente do sindicato, que teve 22.453 votos nessa ultima eleição para deputado: "caso a GM não aceite a proposta, vamos para a justiça para tentar impedir essas demissões†. A GM alega, segundo informações repassadas ao sindicato, ter um contingente de 1.070 trabalhadores ociosos. Hoje, a GM possui, ao todo, em torno de 11,5 mil operários.

A categoria dos metalúrgicos de São Caetano esta em meio àcampanha salarial, com data base em primeiro de novembro. Enquanto essa situação crítica com a principal fábrica da base do sindicato acontece, o mesmo sindicato comemora vitorias de aumento real na campanha salarial, e coloca apenas ilusões na categoria em entrar na justiça caso a patronal não aceite sua proposta.

É necessário lutar, passando por cima da direção sindical traidora

Para derrotar essa ofensiva da patronal os trabalhadores devem seguir o exemplo de outras categorias, como garis do Rio de Janeiro, que no início do ano passaram por cima da direção de seu sindicato para arrancar a conquista do aumento salarial de 37%. Mais recentemente, os trabalhadores da USP fizeram uma greve de 116 dias, com piquete, trancaços e comando de greve com delegados votados na base, e conseguiram um triunfo contra a política do governo do estado de desmonte da educação. São exemplos a seguir.

Frente àpolarização nacional marcada pelo cenário eleitoral, na qual as pessoas se veem pressionadas a votar em um “mal menor†, se se permite que as demissões aconteçam, o “mal menor†serão 200 famílias sem emprego. Sobre essa realidade tanto Dilma como Aécio se calam. Isso porque ambos são cúmplices de todos esses ataques: é sua forma de aumentar a “competitividade†das empresas. Se os trabalhadores lutarem e passarem por cima de suas direções traidoras, podem vencer e impedir ataques ainda maiores.

Frente àredução da produção, é necessário lutar para pela redução da jornada de trabalho sem redução do salário para que nenhum trabalhador fique na rua. Os sindicatos e organizações da esquerda, a começar pela CSP-Conlutas e o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos, onde se encontra a maior planta da GM, têm a obrigação de impulsionar uma grande campanha nacional para impedir que os capitalistas descarreguem os custos da crise sobre as costas dos trabalhadores.

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