Teoria

QUESTÃO NEGRA

Edições Iskra lançam "Questão Negra, Marxismo e Classe Operária no Brasil"

11 Dec 2013 | “Nós devemos explicar aos elementos conscientes das massas negras que o desenvolvimento histórico os coloca na vanguarda da classe operária†Leon Trotsky   |   comentários

Neste mês de novembro a Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, lançou o livro Questão Negra, Marxismo e Classe operária no Brasil

Neste mês de novembro a Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, lançou o livro Questão Negra, Marxismo e Classe operária no Brasil, um livro militante que tenta contribuir teoricamente para entender a questão negra com as lentes do marxismo revolucionário, mas também busca aportar para que a esquerda, em especial a esquerda revolucionária, tome para si a defesa dos interesses de negras e negros.

O prólogo que abre o livro localiza a questão negra no Brasil frente a onda de manifestações que explodiu em junho, onde as demandas do povo negro estiveram presentes nos principais conflitos, apesar de maqueadas como demandas gerais e da dificuldade da esquerda de responder àaltura o assassinato sistemático de negros pela polícia sem um claro programa transicional, que tenha em perspectiva o armamento da classe operária e a dissolução da polícia.

O genocídio contra a população negra e a grande maioria das demandas dos negros parte da incapacidade da burguesia brasileira de se ver livre da opressão imperialista fundada nas relações coloniais. A elite brasileira nasceu e se desenvolveu espremida entre a resistência negra e escrava e a pressão da metrópole. Essa localização lhe encurtou grandemente o horizonte político e ideológico, não podendo resolver questões democráticas elementares porque significaria romper com o regime de trabalho e de propriedade das quais sua existência dependia.

Durante todo esse mês, em que se lembra o assassinato de Zumbi dos Palmares, realizamos uma série de atividades de lançamento.

Na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, apresentamos o livro junto ao debate de tema “Violência contra a mulher negra†, com a presença de companheiros de trabalhos industriais e estudantes do grupo de mulheres Pão e Rosas. Letícia Parks, que esteve na mesa pela LER-QI, relatou os problemas vividos pelas mulheres negras, mostrando pelos dados do trabalho precário, da violência policial e das mortes por aborto, que as mulheres negras não podem depender de governos como o de Dilma, que dizem avançar no direito das mulheres aos mesmo tempo que precarizam o trabalho e que mantém 47% do PIB dedicado ao pagamento da dívida interna, diretamente ao bolso dos capitalistas, enquanto as mulheres vêm seus filhos morrerem de fome.

No lançamento em São Paulo reunimos 200 pessoas. Neste, Marcelo Pablito, diretor do SINTUSP, tocou no tema da democracia racial e da incapacidade da elite colonial brasileira de resolver os problemas dos negros, tentando a todo o tempo fingir que não existe racismo no Brasil, enquanto do outro lado jovens negros seguem sendo sistematicamente assassinados nas periferias de São Paulo. França, trabalhador metroviário, relembrou a tentativa cotidiana da burguesia de nos separar, tratando os trabalhadores como duas classes separadas: uma de negros, uma de brancos. Sua fala mostrou como, longe de repetir o discurso da burguesia, lutamos pela unidade dessa classe revolucionária, que não deve passar por ignorar a existência de programas especiais aos negros, mas sim de levantá-los como o programa de toda a classe trabalhadora.

No dia 30, em Santo André, reunimos mais 60 pessoas. O debate, iniciado por Thiagão, resgatou a heroica história do povo negro na luta contra a escravidão para entender qual papel o negro cumpre na luta contra o capitalismo, papel esse central e determinante para a vitória de toda a classe trabalhadora contra a burguesia. A seguir, Silvana, ex trabalhadora terceirizada da USP, resgatou a história de luta que viveu junto a suas companheiras terceirizadas da limpeza contra a Reitoria da USP que, ao se dizer universidade de excelência, mantém-se sobre a semi-escravidão. Chamou as trabalhadoras que ali estavam a lutar contra o racismo dentro do local de trabalho e contra a escravidão que segue viva na terceirização.

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