Juventude

Estudantes da Unesp de Marília entram em greve e ocupam a direção

30 Apr 2013   |   comentários

A situação de calamidade em que se encontram as políticas de permanência estudantil nos campi da UNESP denuncia o caráter do projeto de universidade que temos por parte da REItoria e do governo do estado de São Paulo.

A situação de calamidade em que se encontram as políticas de permanência estudantil nos campi da UNESP denuncia o caráter do projeto de universidade que temos por parte da REItoria e do governo do estado de São Paulo. Os estudantes filhos da classe trabalhadora, que já encontram dificuldade no acesso ao ensino superior através do filtro social do vestibular, uma vez ingressos, sentem na pele a dificuldade em permanecerem na universidade. A universidade pública, mantida com os impostos pagos pelos trabalhadores, nega a eles o acesso, restringe a eles a permanência, e volta sua produção de conhecimento a fins privados.

Os estudantes da Unesp de Ourinhos, que além da infra-estrutura inadequada, têm políticas de permanência quase zero, encontram-se ainda com atrasos de pagamento das poucas bolsas que possuem. Frente a esta situação, contra este projeto de universidade imposto por uma estrutura de poder autoritária, deram um exemplo aos outros campi entrando em greve desde o dia 17 de Abril. (Mais informações leia aqui)

Desde a deflagração da greve em Ourinhos temos estudantes de diversos campi da Unesp e de outras universidades articulando mobilizações. Não foi diferente na Unesp de Marília. A precariedade de políticas de permanência na UNESP de Marília é um impulso àluta dos estudantes. As bolsas BAAE (sócio-econômicas) nem de longe atendem as demandas. O recente anúncio dos contemplados gerou imensa revolta e preocupação dos estudantes que ficaram na lista de espera, sem perspectivas de como se manterem na universidade. O Restaurante Universitário está com sua capacidade mais do que insuficiente. É recorrente a chamada “fila dos desesperados†(estudantes que ficam de fora, sem refeições). Os trabalhadores do RU estão trabalhando para além de suas atribuições. A moradia estudantil está superlotada. (Mais informações clique aqui

Somam-se a este quadro os ataques aos estudantes do CAUM (Cursinho Alternativo da Unesp de Marília), que vem sofrendo com corte de materiais, suspensão de direitos de uso da infra-estrutura da faculdade pelos alunos, redução da autonomia política da auto-organização dos estudantes, ausência de acessibilidade adequada a estudantes com deficiências motora, ausência de intérpretes de libras a estudantes com deficiência auditiva.

Estas e outras demandas têm impulsionado as lutas dos estudantes desde o começo do ano, com atos e "entraços" no RU. As reivindicações por permanência estudantil no fundo são reivindicações contra um projeto de educação que não se encerra na Unesp de Marília. Neste sentido, uma das importantes lutas que em Marília travamos é um combate ao PIMESP, que é uma ameaça aos trabalhadores e negros do estado de São Paulo.

Recentemente demos saltos de organização, ao fazermos assembléias gerais conjuntas dos estudantes da graduação com os estudantes do CAUM, tendo estes últimos direito a voz e voto. Da assembleia geral tiramos uma agenda de mobilizações que, partindo das pautas mais locais, nos permite entender a necessidade de lutar contra a estrutura de poder da universidade, que é um instrumento para a implementação deste projeto elitista de educação.

No dia 23, após uma congregação aberta na qual ficou clara a impossibilidade de atendimento de nossas demandas por dentro da estrutura de poder deste órgão máximo de deliberação do campus, ocorreu uma ampla assembléia estudantil no gramado do saguão principal da Unesp de Marília, como não se via desde de 2007. Cerca de 500 estudantes deliberaram por greve e ocupação do prédio da direção por tempo indeterminado! A decisão se deu por contraste, e na mesma noite os estudantes deram início àmobilização! Na quarta-feira já soltamos um cronograma de atividades!

O projeto de universidade tem a mesma lógica elitista em todos em campi da Unesp. Portanto, urge a construção de um CEEUF combativo, e a unificação da lutas a nível estadual e federal!

Não deixaremos de lutar enquanto nossas demandas não forem atendidas!

Abaixo o Pimesp! Por cotas proporcionais!

Por uma universidade pública àserviço da classe trabalhadora!

Pelo acesso irrestrito àuniversidade com o fim do vestibular e políticas efetivas de permanência estudantil!

Juventude às Ruas - Marília

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