Terça 20 de Agosto de 2019

Juventude

Eleições universitárias

É necessário revolucionar a atuação das entidades estudantis

11 Oct 2003   |   comentários

As diversas correntes que atuam no movimento estudantil têm reproduzido por anos a fio nas entidades a mesma lógica petista burocrática e de conciliação de classes. Para elas o regime universitário é o limite intransponível para o movimento, estar nas entidades é um fim em si mesmo e todas as lutas têm seu objetivo restrito às negociações com as reitorias, ao invés de servirem para desmascarar a total impotência destas para solucionar a profunda crise da universidade no Brasil, e o caráter reacionário das medidas parciais propostas pelos reitores de acordo com o Banco Mundial.

Mas neste ano as eleições podem expressar um novo sentimento. É que os estudantes começam a tirar suas próprias conclusões a partir das medidas de ajuste fiscal do PT nestes primeiros 8 meses de governo. A aceitação dos limites impostos pelas burocracias estudantis nos últimos anos começa ser questionada. O exemplo mais expressivo desta tendência é a recente luta dos estudantes secundaristas de Salvador, que lutaram não só contra a prefeitura do PFL, mas também contra as direções na UNE e da UBES.

A partir da COMUNA estamos participando ativamente nas eleições do CACS, CA de Ciências Sociais, História, Geografia e Turismos da PUC/SP. E na USP estamos apresentando uma chapa às eleições para DCE. O objetivo destas candidaturas, independente de se vamos vencer ou não as eleições, é agitar propostas para colocar de pé um novo movimento estudantil no país, anti-burocrático e pró-operário, que supere lógica conciliadora das direções petistas. Só é possível travar uma luta conseqüente em defesa da universidade publica se compreendemos o seu papel estratégico na lógica da dominação de classe da burguesia. Assim poderemos lutar em defesa da universidade pública como parte de uma luta para revolucionar a universidade de classes e a própria sociedade de classes.

Um DCE e um CA que se coloquem nesta perspectiva serão ferramentas fundamentais para que o movimento estudantil brasileiro recupere o espírito revolucionário dos estudantes dos anos 60 e 70, que se desenvolveu a nível mundial para que possamos levar até as ultimas conseqüências as tendências de aliança com os trabalhadores que de maneira incipiente começam a despontar, tendências cuja expressão máxima até agora, mais uma vez, foi o levante dos estudantes de Salvador pela redução das passagens de ónibus.

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