Movimento Operário

É necessário construir uma corrente nacional de trabalhadores

17 Oct 2014   |   comentários

O espaço aberto pelo desgaste do PT e das burocracias e por esse novo ativismo operário exige uma corrente que parta da organização de base nos locais de trabalho e avance para romper com o corporativismo, construindo um forte movimento nacional de trabalhadores.

As recentes eleições mostram graficamente um cenário que vem se desenvolvendo nos 12 anos de governo do PT: a perda de identificação cada vez maior da classe trabalhadora com este partido. A inédita derrota do PT nos principais centros operários do país escancara um vácuo de organização operária, escondido pelas direções sindicais traidoras.

Essa foi uma expressão política do crescente processo de greves e ativismo operário que vem atravessando o país nos últimos anos, e que em maio de 2014 levou àmaior onda de greves desde a década de 80. Greves que para eclodir tiveram que na maioria das vezes se enfrentar com as direções traidoras.

Uma esquerda impotente no movimento operário

Apesar do crescimento eleitoral do PSOL, como vimos nestas eleições, com maior força no RJ, este partido tem pouquíssimo peso na classe operária. Em verdade, a luta de classes não é de fato o seu objetivo. Mesmo onde o PSOL tem alguma posição sindical, está a serviço de conquistar de espaços eleitorais àesquerda do PT.

Já o PSTU, onde dirige sindicatos, leva adiante uma estratégia de manter-se nos aparatos a qualquer custo, sacrificando a preparação para a luta de classes.

Em São José dos Campos, onde o PSTU dirige o sindicato dos metalúrgicos há 30 anos, acumulam derrotas atrás de derrotas. Em 2009 permitiram a demissão de mais de 4.200 trabalhadores da Embraer sem sequer colocar em marcha uma greve, quanto mais uma batalha de classe. Na GM os lay off’s sem resistência já se tornam uma tradição da patronal contra nenhuma tradição de luta forjada pelo sindicato.

Neste ano, dirigiram a greve do metrô, que tinha tudo para ser a mais importante greve operária do pós-junho e da década petista. No entanto, levaram a categoria a uma derrota, que não só não conquistaram nada, como deixaram para trás 42 demitidos, que agora disputam no terreno jurídico, sem organizar uma forte campanha com medidas de luta pela readmissão dos lutadores.

Emerge o Movimento Nossa Classe

Queremos construir uma nova tradição no movimento operário brasileiro. Em cada greve que estivemos, buscamos contribuir para que os trabalhadores chegassem àvitória. Apoiamos ativamente os garis do RJ quando estes saíram a lutar contra a sua direção sindical e construíram organismos democráticos de delegados revogáveis. No Encontro “Façamos como os garis do Rio de Janeiro†fundamos o Movimento Nossa Classe.

Atuamos na greve dos metroviários de São Paulo, junto aos companheiros independentes do Metroviários Pela Base, batalhando por um comando com delegados eleitos nas bases, para ligar a luta salarial àdefesa do transporte digno e a preço acessível para a população, e nos colocamos na linha de frente dos piquetes que deram vazão àcombatividade dos trabalhadores.

Na greve dos trabalhadores da USP, onde somos parte da direção do sindicato, mostramos uma nova tradição para o movimento operário brasileiro. O comando de greve com delegados revogáveis ligado às reuniões de unidades dirigiu toda a batalha de 118 dias; as assembleias eram abertas, onde todos os trabalhadores tinham direito a voz; os piquetes e “trancaços†foram decisivos para a força do movimento; e demos vários exemplos de solidariedade de classe, como na doação de sangue massiva dos trabalhadores contra privatização do hospital universitário ou na doação de cestas básicas para a favela incendiada durante a greve.

Por uma corrente nacional de centenas de trabalhadores para a luta de classes

O PSOL e o PSTU estão demonstrando que não podem confluir com a combatividade e a criatividade desse novo ativismo, pois atuam de forma rotineira e burocrática no movimento operário. O espaço aberto pelo desgaste do PT e das burocracias e por esse novo ativismo operário exige uma corrente que parta da organização de base nos locais de trabalho e avance para romper com o corporativismo, construindo um forte movimento nacional de trabalhadores. Queremos que o Movimento Nossa Classe se torne uma corrente nacional de centenas de trabalhadores que tenham como método a luta de classes.

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