Movimento Operário

Argentina

Donnelley: pela expropriação e estatização sob controle operário

07 Sep 2014   |   comentários

Depois do grande encontro de trabalhadores em luta em frente àporta da Donnelley, junto com a Comissão Interna de LEAR, saímos fortalecidos. Quando saímos da fábrica com nossas bandeiras e bumbos, milhares nos receberam aos cantos de “Aqui estão, eles são operários sem patrões!†, como nós cantamos aos operários de Zanon cada vez que íamos apoiá-los. “Já se escuta, já se escuta, Lear e Donnelley uma mesma luta†. “Unidade dos trabalhadores, e àquele que isso não agrada, que se dane!†. Há alguns anos viemos construindo a unidade de classe para enfrentar esses embates. Domingo foi um dia ensolarado, e nos encheu de força compartilhá-lo junto de nossas famílias e de toda comunidade dos bairros vizinhos àfábrica em um grande Festival Solidário com bandas locais. Ver nossos filhos nos apoiando e felizes nos enche de força.

Depois de um fim de semana com grandes exemplos de solidariedade de classe na porta da fábrica, começamos nossa segunda semana de gestão operária. Imprimimos as revistas “Para Ti Decoración†, “Para Ti Deco†, “Billiken†, “Vanidades†entre outras publicações da editora Atlântida. Depois de várias horas na fábrica para colocá-la rumo àgestão operária, voltamos para casa. E no outro dia, mesmo dormindo mal e cansados, voltamos para a fábrica revitalizados e cheios de força, como jamais havíamos imaginado antes. Nos felicitamos todos os dias com um forte abraço e começamos a resolver cada um dos problemas que os patrões deixaram para poder produzir com um companheirismo imenso que está se formando entre nós.

Essa semana recebemos com os braços abertos muitos companheiros que estavam indecisos e amedrontados pelas ameaças dos patrões e dos diretores de Recursos Humanos. Não tinham se aproximado antes; hoje estão junto a nós, assim como uma companheira do refeitório que voltou dizendo “meu lugar é junto a vocês†. Nossa determinação e firmeza crescem a cada dia. Mantemos as relações com os clientes. Organizamos o refeitório e a enfermaria graças a nossa companheira Alcira. A comissão de mulheres está em atividade permanente, recolhendo dinheiro para o fundo de luta e difundindo essa luta na porta das fábricas, nas universidades e nos bairros. Cada vez que temos um problema elas estão ali para que sigamos adiante com uma altíssima moral. Sempre estão presentes, na porta da fábrica. 24 horas por dia temos companheiras que continuam acampando. Vão dormir com barracas com seus filhos na frente da fábrica. Porque seu lugar é aqui, junto conosco, na luta. Graças às mulheres, a solidariedade cresce entre os moradores, amigos, estudantes e trabalhadores de outras fábricas que arrecadaram alimentos e dinheiro para o fundo de luta.

Fazemos assembleias todos os dias. Já as fazíamos antes, sob a ditadura da patronal. Agora fazemos para discutir como organizar a produção e também discutir dia após dia qual é a saída política para manter os postos de trabalho e o sustento de nossas famílias. Para nós isto é vida ou morte.

Até Cristina Kirchner disse que a falência foi forjada. Por isso a rechaçamos e não aceitaremos que o interventor da justiça venha gerir a empresa e seu caixa. Em assembleia decidimos por unanimidade que nossa única saída para manter os postos de trabalho é a expropriação sem indenização e a estatização sob controle operário. E estamos avançando em colocar de pé um plano de lutas que tenha como pilar o combate para avançar na gestão operária, a coordenação com todos os setores em luta pela expropriação sem indenização e estatização sob controle operário, conquistar o apoio de toda a sociedade, e a exigência aos sindicatos de que leve adiante uma paralisação de todas as fábricas, assim como levaremos esse chamado para as centrais sindicais.

O governo se nega. O Ministro do Trabalho, Carlos Tomada, disse que não podia estatizar Donnelley porque não é uma empresa de serviço. Isso é falso, porque a gráfica Ciccone foi estatizada. O governo e o sindicato querem que sejamos uma cooperativa. Mas os trabalhadores sabem que isso não é uma solução, mas uma armadilha. A cooperativa vai nos levar a nos auto-explorar, e não podemos competir no mercado capitalista, com monopólios multinacionais que tem milhões para investir em máquinas de alta tecnologia, e que através da FAIGA (Federação patronal das gráficas) se unirão para nos afundar, porque somos uma ameaça política para os capitalistas, demonstrando que não necessitamos dos patrões para produzir. Além disso, muitos insumos são importados.

A venda para um empresário não é a solução. O empresário K. Szpolski, dono de vários meios de comunicação, anunciou que compraria Donnelley, mas precisaria demitir e modificar as condições de trabalho. Não confiamos nesses empresários que compram empresas falidas para terminar de esvaziá-las, como aconteceu com Parana Metal ou a fábrica de celulose Massuh.

Os operários de Donnelley sabem que essa empresa é rentável e que dá enormes lucros. Donnelley é uma grande gráfica, uma das mais importantes do país. O Estado tem que estatizá-la, mas tem que estar sob administração dos trabalhadores. Já demonstramos que podemos tocar a fábrica. Queremos manter todos os postos de trabalho e com os lucros colocá-la a serviço da comunidade, imprimindo manuais escolares, livros e revistas acadêmicas acessíveis a todos os setores, especialmente aos mais humildes que hoje não têm acesso a cultura.
Junto com a bancada da FIT apresentamos um projeto de lei pela expropriação sem indenização e a estatização sob controle operário de Donnelley, que já tem o apoio de vários deputados de distintas coligações com a Frente para a Vitória, Gen. Unem, União Popular e seguiremos juntando assinaturas. Sabemos que temos que vencer o governo com a expropriação e estatização, colocando de pé uma forte campanha nacional e uma grande luta nas ruas.

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