Economia

Dólar atinge sua maior cotação em 9 anos (o que isso significa para nós trabalhadores?)

14 Dec 2014   |   comentários

Muitas vezes quando nós trabalhadores vemos na grande imprensa patronal notícias como essa ficamos meio atordoados, sem entender direito qual o efeito desses acontecimentos sobre nossas vidas. As oscilações da moeda estadunidense parecem ser algo tão distante que fica difícil estabelecer qualquer relação com nosso cotidiano. Mas como vivemos em uma sociedade onde o dinheiro tem um poder quase místico e o dólar é a moeda que ocupa o papel (...)

Nesse sexta, 12/12, o dólar atingiu sua maior cotação desde março de 2005, sendo cotado a R$ 2,662 uma alta de 0,72%. Durante toda semana a pressão ao aumento da cotação da moeda estadunidense foi grande com valorização de 2,78% (no ano o acumulado é de 12,7%)

Fatores como a queda nos preços do petróleo, os efeitos mais palpáveis da crise internacional sobre a economia brasileira, os escândalos de corrupção na petrobrás, a relativa melhora nos índices da economia estadunidense e incertezas em relação a como será a intervenção do BC frente a esse movimento da moeda norte-americana explicam a alta.

O que isso muda em nossas vidas?

Muitas vezes quando nós trabalhadores vemos na grande imprensa patronal notícias como essa ficamos meio atordoados, sem entender direito qual o efeito desses acontecimentos sobre nossas vidas. As ocilações da moeda estadunidense parecem ser algo tão distante que fica difícil estabelecer qualquer relação com nosso cotidiano.

Mas como vivemos em uma sociedade onde o dinheiro tem um poder quase místico e o dólar é a moeda que ocupa o papel principal dentro da hierarquia que se estabelece entre as diferentes moedas nacionais suas ocilações, altas e baixas, acabam sim afetando nosso dia a dia.

Os efeitos do aumento do preço do dólar em relação ao real são contraditórios; por um lado a moeda estadunidense mais cara torna mais dificil para os capitalistas brasileiros comprar mercadorias no exterior e como grande parte das mercadorias produzidas por aqui contém componentes importados isso encarece a produção e dificulta os investimentos, fazendo com que muitas vezes os capitalistas prefiram guardar ou investir em ações ao invés de investir de forma produtiva; por outro lado a desvalorização do real poderia impulsionar as exportações brasileiras, posto que as mercadorias produzidas aqui ficam mais baratas no mercado internacional onde o dólar é a moeda corrente, mas com o desaquecimento da economia global por conta da crise o primeiro fator tende a predominar e os efeitos negativos da alta do dólar serem preponderantes.

Outro fator negativo ainda em relação a essa alta do dólar é que ele reflete a falta de confiança dos investidores internacionais na economia do Brasil, o que diminui o fluxo de dinheiro para a economia nacional dificultando ainda mais os investimentos dos capitalistas brasileiros e produzindo desaceleração da economia. Para combater essa fuga de capitais o remédio que tende a ser ministrado pelo Banco Central brasileiro é o aumento da taxa Selic, que é a referênia para as taxas de juros praticadas pelas diferentes instituições financeiras, que impacta tanto nos investimentos (pois fica mais caro para os capitalistas tomar dinheiro emprestado para investir) quanto no consumo (pois as taxas juros ao consumidor que já são exorbitantes aumentam ainda mais).

Assim, esse aumento da cotação do dólar tende a se refletir numa ainda maior desaceleração da economia brasileira, com seus óbvios efeitos negativos para nossa classe, como aumento do desemprego, diminuição de salários, etc.

Que a crise pagem os capitalistas

É evidente que nesse momento os patrões e toda imprensa ligada a seus interesses virão com a velha ladainha de que temos que apertar todos os cintos, que temos que estar juntos para superar o momento difícil e todo esse blá blá blá. Não era esse o discurso que eles usavam quando a economia estava crescendo, naquele momento o ganho era apenas pra eles e pra nós trabalhadores sobravam às muitas horas de trabalho e os baixos salários. Quando há ganho são apenas eles, quando perde-se viramos nós, muito esperto esse joguinho.

Temos que nos preparar, portanto, nós trabalhadores, para não sermos enganados por essa manobra e fazer com que o peso da crise caia nas costas de seus responsáveis.

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